quinta-feira, abril 12, 2018

QUE NÃO HAJA IMPOSIÇÃO NA RELIGIÃO

Uma das verdades fundamentais estabelecidas pelos textos sagrados é que ninguém pode ser compelido a aceitar o Islã. É dever dos muçulmanos estabelecer a prova do Islã para as pessoas de modo que a verdade possa ficar clara em relação à falsidade. Depois disso, quem quer que deseje aceitar o Islã pode fazê-lo e quem quer que deseje continuar na descrença pode fazê-lo. Ninguém deve ser ameaçado ou prejudicado em qualquer aspecto se não desejar aceitar o Islã.

Entre as peças de evidência decisivas em relação a isso estão as que se seguem.

Deus diz:

“Que não haja imposição na religião, porque já se destacou a verdade do erro. Quem renegar o sedutor e crer em Deus, ter-se-á apegado a um firme e inquebrantável sustentáculo, porque Deus é Oniouvinte, Sapientíssimo.” (Alcorão 2:256)

Deus diz:

“Porém, se teu Senhor tivesse querido, aqueles que estão na terra teriam acreditado unanimemente. Poderias (ó Muhammad) compelir os humanos a que fossem crentes?” (Alcorão 10:99)

Deus diz:

“E se eles discutirem contigo (ó Muhammad), dize-lhes: ‘Submeto-me a Deus, assim como aqueles que me seguem!’ Pergunta aos adeptos do Livro e aos iletrados: ‘Tornar-vos-ei muçulmanos?’ Se se tornarem encaminhar-se-ão; se negarem, sabe que a ti só compete a proclamação da Mensagem. E Deus é observador dos Seus servos.” (Alcorão 3:20)

Deus diz:

“O dever do Mensageiro é somente proclamar a Mensagem.” (Alcorão 5:99)

É importante notar que esses dois últimos versículos foram revelados em Medina. Isso é significativo, já que mostra que a regra que determinam não era apenas para os muçulmanos que estavam em Meca em uma situação de fragilidade.

Algumas pessoas podem se perguntar que se o Islã de fato advoga essa abordagem, então o que é tudo que ouvimos sobre jihad? Como podemos explicar a batalha que o Profeta, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, e seus companheiros travaram contra os pagãos? A resposta é que aquele jihad na Lei Islâmica pode ser travado por uma variedade de razões, mas compelir pessoas a aceitar o Islã simplesmente não é uma delas. Quanto à conversão, isso é para ser feito pacificamente pela disseminação da Mensagem com a palavra escrita e falada. Não há lugar para o uso de armas para compelir as pessoas a aceitarem o Islã.

O Profeta disse em sua carta ao governador romano Heráclito:

“Eu o convido a aceitar o Islã. Se aceitar o Islã, encontrará segurança. Se aceitar o Islã, Deus o recompensará em dobro. Entretanto, se se recusar, recairá sobre você o pecado de seus súditos.” (Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim)

Uma vez que as pessoas tenham ouvido a Mensagem sem obstrução ou impedimento e a prova tenha sido estabelecida para eles, o dever dos muçulmanos está feito. Aqueles que desejam acreditar estão livres para fazê-lo e os que preferem descrer igualmente são livres para fazê-lo.

Mesmo quando os muçulmanos são compelidos a lutar e então, como consequência, submetem a terra, seu dever depois disso é estabelecer a lei de Deus na terra e implementar a justiça para todas as pessoas, muçulmanas e não muçulmanas. Não é direito deles coagir seus súditos a aceitar o Islã contra sua vontade. Não muçulmanos sob governo islâmico devem ter permissão para permanecerem sem sua própria fé e devem ter permissão para praticar os direitos de sua fé, embora se espere que respeitem as leis da terra.

Se o propósito do jihad fosse forçar os descrentes a aceitar o Islã, o Profeta nunca teria ordenado aos muçulmanos que se abstivessem de hostilidades se o inimigo abrandasse. Ele não teria proibido a matança de mulheres e crianças. Entretanto, foi exatamente isso que ele fez.

Durante uma batalha o Profeta viu pessoas reunidas. Ele despachou um homem para descobrir por que tinham se reunido. O homem retornou e disse: “Estão reunidos ao redor de uma mulher assassinada.” Então, o Mensageiro de Deus disse:

“Ela não devia ter sido atacada!” Khalid b. al-Walid estava liderando as forças e assim o Profeta despachou um homem para ele dizendo: “Diga a Khalid para não matar mulheres ou trabalhadores”. (Sunan Abi Dawud)

Consequentemente, até no calor da batalha contra um inimigo hostil, as únicas pessoas que podiam ser atacadas eram aqueles que de fato participavam na luta.

Se o propósito do jihad fosse obrigar os descrentes a aceitar o Islã, os califas sabiamente guiados não teriam proibido a matança de sacerdotes e monges que se eximiram de lutar. Entretanto, foi exatamente isso que fizeram. Quando o primeiro califa, Abu Bakr, enviou um exército para a Síria para combater as agressivas legiões romanas, ele saiu para lhes dar palavras de encorajamento. Ele disse: “Vocês encontrarão um grupo de pessoas que têm se devotado à adoração a Deus (ou seja, monges), então deixe-os fazer o que estiverem fazendo.”

Fonte:https://www.islamreligion.com/pt/articles/661/que-nao-haja-imposicao-na-religiao/

sexta-feira, março 30, 2018

O BEM VIVER

"De todas as ciências que o ser humano pode e deve saber, a principal é A CIÊNCIA DE BEM VIVER, de maneira a fazer o menor mal e o maior bem possível". 

Prezados Irmãos, Saúdo-vos com a saudação do Islão, "Assalam alaikum", (que a Paz esteja convosco), que representa o sincero esforço dos crentes por estender o amor e a tolerância entre as pessoas, seja qual for o seu idioma, crença ou sociedade. Louvado seja Deus (ár. Allah), Criador, O que inicia e cria as formas. As Bençãos e a Paz de Deus estejam sobre aquele que abre, sobre aquele que sela, sobre aquele que mantém o valor absoluto, e estejam sobre o seu povo, e sobre os seus companheiros de excelência até o Dia do Julgamento. A reflexão, hoje, é sobre o bem viver. É, nos dias de hoje, quando se está a produzir uma falta de coexistência e um esquecimento, coisas que são os objectivos da vida. O Islão convida-nos a bem viver, sob a sunnah do sorriso e a sunnah do bem fazer. Viver é um mandato Alcorânico, fazer bem é ganhar a excelência (ihsān). Este bem viver faz parte da submissão a Allah t'ala, reconhecendo o Seu Senhorio. Ele colocou o mundo para que se desfrute, mas também para que se reconheça a diversidade, a pluralidade e, acima de tudo, a respeitabilidade. O nosso mundo sofre, porque nos esquecemos de tudo isso. Esquecemos o decreto que Deus nos ditou e nos entregamos ao fácil. Nós nos entregamos sem saber que o nosso objectivo deve ser antes dos outros. E isso nos coloca numa posição muito comprometida, pois Deus nos diz no Alcorão: «Enobrecemos os filhos de Adão e os conduzimos pela terra e pelo mar; agraciamo-los com todo o bem, e preferimos enormemente sobre a maior parte de tudo quanto criamos». (Alcorão, 17:70). Temos de estar conscientes de que fomos (os seres humanos) muito favorecidos perante toda a Criação. Somos considerados como a criação favorita de Deus. A nossa razão e o nosso coração estão por trás de tudo isso. Somos, claramente, abençoados, mas ao mesmo tempo nos são dadas diretrizes para o nosso comportamento. Um comportamento que deve guiar-nos e levar-nos a ser melhores para com nós mesmos, mas também para com os demais. Assim nos adverte o Alcorão de seguir a conduta do caminho recto: «Quem se encaminha, o faz em seu benefício; quem se desvia, o faz em seu prejuízo, e nenhum pecador arcará com a culpa alheia. Jamais castigamos (um povo), sem antes termos enviado um mensageiro. E se pensamos em destruir uma cidade, primeiramente enviamos uma ordem aos seus habitantes abastados que estão nela a corromperem os Nossos mandamentos; esta (cidade), então, merecerá o castigo; aniquilá-la-emos completamente». (Alcorão, 17: 15-16) . Mas não nos enganemos, pois seguir o caminho reto não é sermos uns puritanos, oprimidos ou pessoas sem coração. A rigidez não é típica de um muçulmano. É mais fácil, pois o Islão é uma crença profundamente social que foge do que corrompe o indivíduo e a sociedade. Portanto, o Alcorão - na sua infinita sabedoria - adverte que aqueles que apenas buscam por si condenação do ataque terrorista na cidade de TRÉBES e NOTTINGHAM. A Al Furqán, a voz islâmica portuguesa, condena, veementemente, e expressa o mais completo repúdio ao ataque terrorista que ocorreu no dia 23.Março.2018, na cidade de Trébes (França). Da mesma forma, somos solidários com todo o povo da França em geral, e com as vítimas e suas famílias em particular. O radicalismo é articulado, geralmente, sobre delinquência e marginalização. Aproveitam-se da fraqueza das pessoas nessas circunstâncias, criando pessoas alienadas que não hesitam em transgredir as regras mais básicas de coexistência e civismo. Inclusive atingindo a violência mais extrema como foi o caso na cidade de Trébes. Em nenhum caso, essas ações devem ser interpretadas como islâmicas ou associadas à comunidade muçulmana, que luta ativamente contra essas atitudes e ações. Islão, como outras religiões, condena todos os tipos de crimes e ensina que quem mata outra pessoa é como se tivesse matado toda a humanidade. Tais atos são, pura e simplesmente, rejeitáveis, e não podem ser justificados com qualquer motivação política ou religiosa. Por conseguinte, à luz da numerosa doutrina, ética e jurisprudência islâmica, há apenas uma atitude de completa rejeição de actos em que uma minoria usa a violência para atingir os seus objetivos ideológicos, econômicos ou geopolíticos. OUTROSSIM, igualmente condenamos e expressamos repúdio ao ataque racista que ocorreu, nos finais de Fevereiro passado, em Nottingham (Reino Unido) com uma estudante egípcia, de 18 anos, MARIAM MOUSTAFA, ataque esse perpetuado por 10 islamofóbicos britânicos de descendência africana. Mariam, que esteve em coma no Nottingham City Hospital, faleceu uma semana depois e quase ninguém falou sobre isso. Deixai, também, o mundo saber. Veja-se como não há menção de vítima como muçulmano e nenhuma menção à religião dos atacantes. Que Allah conceda a paz e dê o Jardim àqueles que foram vítimas dessas ações tão brutais e implacáveis. E ouça as nossas preces (duás) para que o mundo seja um lugar de paz e mais próspero. mesmos receberão uma punição, um castigo que pode apagar as suas ações na terra. Palavras duras que mostram o que o ser humano pode alcançar com a sua inconsciência, negando ao outro, negando o bem viver. Além do chamado progresso, o verdadeiro progredir da vida é estar ciente de que Deus é o Supremo e nós devemos servi-Lo. Nós O servimos de muitas maneiras e uma delas é desfrutando a vida. No Islão não há espaço para mortificação ou sofrimento, porque de Deus provém a provisão (rizq) que Ele dá quando ele quer e como ele quer. E Ele é sempre generoso com quem o serve bem. Não progredimos por bens materiais ou riqueza, mas sim pela pureza de nossos corações. Como já foi dito em outras reflexões, a pureza é o requisito para entrar no Jardim. Imaginemos como a pureza é importante para viver! Essa pureza do nosso coração é o que nos permite o bem viver. Deus não deixa nada sem sentido, não obstante nos tenha criado fracos como nos diz no seguinte versículo: «E Deus deseja aliviar-vos o fardo, porque o ser humano foi criado débil». (Alcorão, 4:28). Deus alivia os nossos fardos, como diz nesse versículo Alcorânico. Portanto, devemos derrotar o ego (nafs) todos os dias, ir mais além em cada momento e sermos melhores. Devemos buscar paz e harmonia, lutar contra o que é aparentemente simples e viver a nossa simplicidade. Viver é ver como melhorar, como desfrutar, como ser nós mesmos em cada momento. O bem viver é um parecer para nós mesmos, para os demais e para toda a criação. Aprendamos com nosso amado Profeta Muhammad (p.e.c.e.), quem nos deu o seu exemplo na sunnah. Que modelo melhor que ele? Vamos viver intensamente como ele fez, vamos nos render a Allah e fazer um mundo melhor. Só então faremos um mundo melhor e no qual o sentido do Islão inunda tudo. Pedimos a Allah subhana wa t'ala que nos permita desfrutar do bem viver junto com as nossas famílias, a nossa comunidade, os nossos irmãos e com o resto da humanidade, aceitando as nossas responsabilidades e o mandato divino. Pedimos a Allah paz para todos os povos que estão em conflito. Pedimos a Allah que, através do respeito, aumente a nossa fé (Imán) e limpe os nossos corações. Pedimos a Allah para purificar a alma dos nossos antepassados, a nossa, a de nossos pais e a de todos os crentes. Pedimos a Allah para nos guiar puramente no caminho recto (śirāṭ al-mustaqīm) e aceitar a nossa adoração ('ibada). Tendo dito isso, peço perdão a Allah e a todos. Que as nossas palavras estejam sob a obediência do nosso Rabb, o Senhor dos Mundos.
Obrigado. Wassalam. 
M. Yiossuf Adamgy Director da Revista Al Furqán

terça-feira, março 27, 2018

ESCLARECIMENTO ÀS PERGUNTAS FORMULADAS AO HAJJ HAMAZAH E RESPONDIDAS POR MUHAMMAD YIOUSSUF


Prezados Irmãos, Saúdo-vos com a saudação do Islão, "Assalam alaikum", (que a Paz esteja convosco), que representa o sincero esforço dos crentes por estender o amor e a tolerância entre as pessoas, seja qual for o seu idioma, crença ou sociedade.

Uma senhorita interessada em estudos islâmicos e cultura árabe me enviou essas perguntas. Para lhe dar uma resposta mais acadêmica me recorri ao irmão Abdul Mangá Presidente da Sociedade Islâmica da Cidade do Porto (Portugal). Ele por sua vez as encaminhou ao Diretor da Revista Al Furkan Muhammad Yioussuf Admgy.  E ai estão suas repostas. Que Allah SW lhes deem a devida recompensa. Espero que a senhoria tenha ficado satisfeita com as resposta. A paz esteja convosco.



RESPOSTA ÀS PERGUNTAS:

PORQUE É QUE O ISLÃ E A POLÍTICA ANDAM JUNTOS?
RESPOSTA:
A função do estado islâmico é prover a segurança e a ordem para que os seus cidadãos possam levar adiante os seus deveres religiosos e mundanos.
É suficiente dizer que o Islão ensina que a vida é um teste elaborado por Deus, o Criador, Todo-Poderoso e Sábio, e que todos os seres humanos serão responsabilizados perante Deus pelo que fizeram com as suas vidas. Uma crença sincera na vida após a morte é a chave para levar uma vida moral e bem equilibrada. De outra forma, a vida é considerada com um fim em si mesma, o que faz com que as pessoas se tornem mais egoístas, materialistas e imorais, na busca cega de prazer, às custas da razão e da ética.
A fraternidade muçulmana de índole política e religiosa é um aspecto fundamental do Islão. Todos são iguais diante de Deus. No Alcorão e nas tradições encontramos muitos argumentos a favor desse ponto.
Resumindo, o Islão pretende estabelecer uma comunidade mundial, com igualdade completa entre os povos, sem distinção de raça, classe ou nação.
Procura converter por persuasão, não permitindo qualquer compulsão a credos religiosos, permanecendo cada indivíduo, pessoalmente, responsável perante Deus. Para o Islão, o governo significa a custódia, um serviço no qual os funcionários são servidores do povo. De acordo com o Islão, é dever de todos os indivíduos fazerem um constante esforço para disseminar o bem e prevenir o mal; e Deus nos julgará pelos nossos actos e pelas nossas intenções.
A lei islâmica também permite que as minorias não muçulmanas dos países islâmicos estabeleçam os seus próprios tribunais que aplicam as leis domésticas redigidas por essas minorias.
O pluralismo religioso no Islão baseia-se em vários versículos do Alcorão, entre outros, os seguintes:

E disse: “A verdade [veio agora] do vosso Sustentador”: assim, quem quer, que creia, e, quem
quer, que a rejeite” (Alcorão, 18:29).
“Temos prescrito a cada povo ritos a serem observados. Que não te refutem a este respeito! E invoca o teu Senhor, porque segues uma orientação correta”. (Alcorão, 22:67).
“Para vós, a vossa adoração, e para mim, a minha”. (Alcorão, 109:6).
“A cada um de vós atribuímos-lhe uma lei e um modo de vida [distintos]. E se Allah o quisesse, teria criado, certamente, apenas uma comunidade: mas [ordenou-o assim] para testá-los no que vos deu. Competi, pois, uns com os outros, para fazer boas ações. Havereis, todos vós, de voltar para Allah: e, então, Ele fará com que entendais aquilo sobre o
que discordeis”. (Alcorão, 5:48).

NO ISLÃ EXISTE HIERARQUIA?
RESPOSTA:
O Islão é uma religião sem hierarquia, sem sacerdócio, sem sacramentos. O ser humano encontra-se diante de Deus, tendo o Alcorão como guia. A razão no domínio de Deus Uno e o Alcorão são as duas fontes de certeza absoluta. No resto tudo é relativo. Mas sempre se procura apelar para o Alcorão.
As preces públicas são de responsabilidade de um dirigente, denominado Imame, e os teólogos eruditos são chamados de Ulemás.
O contacto direto com Deus, sem intermediáriosfaz do Islão uma religião extremamente acessível. Já que não existe hierarquia e a fé pode ser praticada em qualquer lugar.

OS MUÇULMANOS FAZEM BATISMO PARA INTEGRAR-SE À FÉ MUÇULMANA?
RESPOSTA:
Os muçulmanos não têm nenhum tipo de batismo para integrar-se à fé muçulmana. Apenas é necessário que a pessoa recite o credo muçulmano (Sh-hada) que é muito simples e muito fácil de se lembrar e que diz:
“Não há outra divindade além de Deus (ár. Allah) e Muhammad é Mensageiro de Deus”. Isto é suficiente.
Quando uma pessoa recita esse credo perante duas testemunhas e expressa a sua vontade de ser islâmico, já forma parte da Comunidade Islâmica.

RESPOSTA:
Porque no Islão, o casamento é uma Sunnah altamente recomendada do Profeta Muhammad (s.a.w.).
No Islão, o casamento é algo solene e sagrado. É um contrato do qual Deus é a principal testemunha, e é executado em Seu nome, em obediência a Ele, e de acordo com os Seus mandamentos.
No Islão, não há relações sexuais fora do casamento.
No Islão, o casamento é uma obrigação religiosa e o celibato é totalmente desaconselhável.
Os valores fundamentais do casamento são a castidade, a integração social, a estabilidade humana, a elevação espiritual, o amor, a paz e a piedade. O Alcorão diz:
«E entre os Seus sinais está o de haver-vos criado companheiras da vossa mesma espécie, para que com elas convivais; e colocou amor e piedade entre vós; na verdade, nisto há sinais para os sensatos». (30:21).
O Profeta Muhammad (p.e.c.e.) disse: «Aquele que casa cumpre metade da sua religião e falta-lhe completar outra metade para uma vida cheia de virtude, em firme respeito a Deus».

UM GRANDE AMIGO MUÇULMANO ME FALOU... QUE OS MUÇULMANOS (HOMENS) PENSAM QUE NO PARAÍSO, NO ALÉM, CADA HOMEM DESFRUTARÁ ETERNAMENTE DE QUATRO BELAS MULHERES, QUE TEM O BRANCO DO OLHO E O  NEGRO DO OLHO MUITO ACENTUADOS (HURIS). É VERDADE ISSO? E NO CASO DAS MULHERES MUÇULMANAS, O QUE ESPERA POR ELAS NO PARAÍSO?

RESPOSTA:
Essa crença não tem base no texto do Alcorão. É apenas uma crença popular e está sendo usada por interesses criados. Portanto, é necessário consultar o que o Alcorão tem a dizer.
É posta, amiúde, esta questão: de acordo com o Alcorão, quando um homem vai para o Paraíso terá direito a hur, i.e. “bonitas virgens”. A que terá direito a mulher quando for para o Paraíso?
1. A palavra hur é referida no Alcorão Segundo estudos feitos, a palavra hur surge no Alcorão nada mais, nada menos, do que quatro vezes:
(a) - «Para além do mais, dar-lhes-emos companhias de olhos belos, grandes e lustrosos». (44:-54).
(b) - «... E dar-lhes-emos companhias de olhos belos, grandes e lustrosos». (52:20).
(c) - «Companhias confinadas (no que respeita aos seus olhares) em edifícios magníficos». (55:72).
(d) - «E (haverá) companhias de olhos belos, grandes e lustrosos». (56:22).
2. A palavra hur traduzida como “belas virgens” Trata-se de uma figura de linguagem. Ou expressão metafórica.
Muitos tradutores do Alcorão traduziram a palavra hur como "belas virgens", especialmente nas traduções para língua Urdu. Se hur significa "belas virgens" ou raparigas, então a dádiva destina-se apenas aos homens.
Assim sendo, o que ganharão as mulheres, se seguirem para o Paraíso?
3. O verdadeiro significado de hur A palavra hur é, na verdade, o plural de ahwar (aplicável aos homens) e de haura (aplicável às mulheres), referindo-se a uma pessoa cujos olhos se caracterizam como sendo hauar, uma característica especial atribuída a uma alma bondosa, de homem ou mulherque esteja no Paraíso, denotando a intensa alvura ou a  parte branca do olho. O Alcorão descreve em vários outros versículos que no Paraíso teremos azwaj, o que significa um par, um cônjuge ou uma companhia, o que significa que teremos cônjuges ou companhias puras e sagradas (mutaharratun significa puro e sagrado).
«Anuncia (ó Muhammad) aos fiéis que praticam obem, que obterão jardins, sob os quais correm os rios. Toda a vez que forem agraciados com os seus frutos, dirão: Eis aqui o que nos fora concedido antes! Porém, só o será na aparência. Ali terão cônjuges imaculados (hur) e ali viverão eternamente». (2:25).
«Quanto aos fiéis, que praticam o bem, introduzi--lo-emos em jardins, sob os quais correm rios, onde morarão eternamente, onde terão cônjuges imaculados, e os faremos desfrutar de uma densa sombra». (4:57).
Assim sendo, a palavra hur não tem um géneroespecífico. Mohammad Asad traduziu a palavra hur como cônjuge, enquanto Abdullah Yusuf Ali a traduziu como companhia. Assim sendo, de acordo com alguns escolásticos, quer homens, quer mulheres, viverão beatificamente no Paraíso na companhia de almas puras a que não é possível associar, em rigor, um sexo específico.
4. As mulheres alcançarão algo de extraordinário no Paraíso. Alguns escolásticos afirmam que, no seu contexto, a palavra hur usada no Alcorão pode-se entender que é direcionado a homens, o que não é verdade. Uma resposta aceitável para todos é aquela que é dada no hadith, quando se põe uma questão semelhante: "Se os homens irão ter uma hur, uma bela virgem, no Paraíso, o que irão receber as mulheres?" A resposta dada foi que as mulheres irão receber aquilo que os corações delas não pediram, que os ouvidos delas nunca ouviram e que os olhos delas jamais contemplaram: tal indicando que as mulheres também receberão algo de extraordinário no Paraíso.
Deus diz no Alcorão Sagrado, aos crentes, submissosà vontade d’Ele:
«Ó servos Meus, hoje não sereis presas do temor, nem vos atribulareis! São aqueles que creram em Nossos versículos e submeteram-se à Vontade de Deus. Entrai, jubilosos, no Paraíso, juntamente com as vossas mulheres! Serão servidos com bandejas e copos de ouro; aí, as almas lograrão tudo quanto lhes apetecer, bem como tudo que deleitar os olhos; aí morareis eternamente. Eis aí o Paraíso, que herdastes por vossas boas ações, onde tereis frutos em abundância, dos quais vos nutrireis!». (43:69 a 73).
Por sua vez, o Profeta Muhammad (s.a.w.) disse:
"Cada qual estará com quem ama". – Ibn Mas'ud, Bukhari e Muslim.
No Paraíso, não haverá que reproduzir-se, que é o fundamento dos sexos. A imagem que o honrado Alcorão dá é a da transmissão da sensação de paz e satisfação imensas e a excelente companhia que terá aquele homem ou aquela mulher que alcance esse estado. E isso será o que se tenha semeado aqui, no mundo. Aqueles que creem no MITO das 72 virgens vão ter que dedicar-se a semear virgindade como loucos …
Obviamente, a figura de "hur" existe. Hurun - de "hur": companheiro-a (o gênero masculino é "ahwar" e o feminino "hawra". Mas "hur" se refere aos dois gêneros, sem distinção).
Assim, pois, sobre “huris” lê-se no Alcorão:

Obrigado. Wassalam.
M. Yiossuf Adamgy
Director da Revista Al Furqá

Três Religiões, um Só Deus… Um Só Coração


Prezados Irmãos,

Saúdo-vos com a saudação do Islão, "Assalam alaikum",(que a Paz esteja convosco), que representa o sincero esforço dos crentes por estender o amor e a tolerância entre as pessoas, seja qual for o seu idioma, crença ou sociedade.
Para os meus irmãos e irmãs, digo, a paz esteja convosco, desejando-vos tudo de bom. Respondi ao eco do chamamento de Jerusalémcomo muitas almas fizeram ao longo dos séculos, para orar aqui e retornar testemunhando que, além de ser a Cidade Sagrada, Jerusalém é um estado de ser.
Aqui pode-se sentir Deus nas entranhas ouvindo cada uma das orações. Pode-se chorar de amor no Muro, prostrado diante da Presença que encheu o espírito na Cúpula da Rocha, ou seguir os passos de Jesus ao longo da Via Dolorosa até chegar ao Santo Sepulcro. Um túmulo vazio porque ele ressuscitou.
Jerusalém é três vezes santa e outras tantas mais para cada um dos peregrinos que chegam aqui, bebem dela e voltam reconfortados. Jerusalém, sem dúvida, é a Casa do Senhor. Um Deus que, no entanto, é tão grande que não cabe em todas as suas igrejas, mesquitas e sinagogas. É por isso que tem que ser compartilhado entre nós.
Agora, que é o momento de partir, sinto-me triste, não porque não tenha sentido Deus derramando-se no meu coração, mas porque vi a ignorância em que meus irmãos e irmãs estão imersos. Bem disse Anthony de Mello que Jerusalém era a cidade onde todos dizem amar a Deus enquanto se odeiam mutuamente até a morte ... E, infelizmente, isso também é o que eu encontrei aqui.
Rezando no Túmulo do Jardim, mergulhando nos mistérios que a minha mente esconde e imaginando Jesus caminhando como um jardineiro, por este lugar há séculos atrás, ouvi um capelão dizendo à sua congregação: - Eu estou hospedado num hotel muçulmano. Certamente que isso é um pecado! - E fiquei muito triste, tanto por aquele homem quanto pelas pessoas que o seguiam, porque não tinham entendido a mensagem de amor de Galileu ou mesmo lido claramente no Evangelho a parábola do Bom Samaritano. Então, pensei, de que os servia vir à Terra Santa, orar nos lugares onde Jesus esteve, se não se esforçavam por fazer o que ele fez? Mas é que a cruz de Jesus pesa muito.
Tentando esquecer o sucedido, algumas horas depois, dirigi-me à Esplanada das Mesquitas e vi que inúmeros polícias palestinos negavam o acesso ao recinto aos não-muçulmanos, e igualmente pensei que esses homens não haviam lido o versículo do Alcorão Sagrado que diz: "É verdade que aqueles que creem, os judeus, sabeus e cristãos que creem em Allah e no Último Dia, e agem com retidão, não terão nada a temer nem se atribularão". - Surah 5: 69.
E fiquei triste novamente porque o que nos separava era menor do que a espessura de um fio de seda e, no entanto, alguns fazem desse fio um enorme muro que ninguém pode salvar.
Finalmente, caminhando pelo bairro judeu, um  garoto ortodoxo chamou a minha atenção para perguntar de onde vinha e se eu tinha antepassados  hebraicos. Eu respondi que sim e começamos uma conversa onde, no final, ele me assegurou que a melhor religião era a dele e que os não-judeus não deveriam aproximar-se do Muro. E a minha alma, mais uma vez, ficou triste porque aquele garoto não tinha entendido as palavras do Rabino Hillel, que dizia que a Torá podia ser resumida em duas coisas: amar a Deus acima sobre todas as coisas e ao seu próximo como a si mesmo, e que tudo o resto eram notas de rodapé.
Então, uma ideia veio à minha mente. Eu tinha que fazer algo para quebrar essa tendência fratricida ... e fiz! Na manhã seguinte, muito cedo, temperei o meu espírito com o sopro do Senhor para que me desse forças e decidi seguir a Via Dolorosa, como cristão, rezando um Pai Nosso em cada uma das suas estações para chegar ao Santo Sepulcro, e mesmo mais adiante, para a Tumba do Jardim. Depois, ao meio dia, fui até a Esplanada das Mesquitas e rezei na Cúpula da Rocha e na Mesquita Al Aqsa, como muçulmano. E, por último, ao entardecer, apresentei--me diante de Deus no Muro das Lamentaçõescomo um judeu, rezando o Shemá Israel. E, naquele momento, sob a lua cheia do mês de Agosto, uma força sobrenatural inundou o meu coração e senti no meu coração que Deus me sorriu e aceitou a minha oferenda.
Uma cruz para os judeus, um tapete para os cristãos e um talit para os muçulmanos é talvez a fórmula da paz em Israel que ninguém quer seguir.
E talvez o que eu fiz me custasse a vida se alguns dos fanáticos, que não hesitam em acabar com aquilo que não compreendem, me esperassem algum dia para executarem-me. Mas também pode ter aberto um caminho que ninguém, em todos os anos em que Jerusalém tem estado em pé, jamais fez. Abrir um caminho de amor, de paz e de tolerância. Três religiões, um só Deus, um só coração ... bem, talvez era isso o que o Senhor esperava de mim.
Agora que estou de volta em casa, sei que sempre permanecerei em Jerusalém, honrando o meu bom Deus para todo o sempre.
Por isso que volto a dizer-te, amigo e amiga, desconhecido, que lês estas palavras, As-Salam Alaikum, Shalom, que a paz esteja contigo. E pela Casa do Senhor, nosso Deus, eu desejo-te todo o bem. 
Obrigado. Wassalam.
M. Yiossuf Adamgy
Director da Revista Al Furqán

terça-feira, março 06, 2018

Os Profetas e Mensageiros de Deus (I)

Prezados Irmãos,

Saúdo-vos com a saudação do Islão, "Assalam alaikum", (que a Paz esteja convosco), que representa o sincero esforço dos crentes por estender o amor e a tolerância entre as pessoas, seja qual for o seu idioma, crença ou sociedade.
Crer nos Profetas de Deus (paz esteja com eles) é um dos pilares da crença Islâmica e consiste em acreditar em todos os Profetas enviados por Deus, sem fazer qualquer discriminação entre eles, no que diz respeito à sua aceitação. Diz Deus no Alcorão Sagrado:«O Mensageiro crê no que foi revelado por seu Senhor e todos os crentes crêem em Deus, nos Seus anjos, nos Seus Livros e nos Seus Mensageiros. Nós não fazemos distinção alguma entre os Seus Mensageiros. Disseram: escutamos e obedecemos...».(Alcorão, 2:285).
«Aqueles que não crêem em Deus e nos Seus Mensageiros, pretendendo cortar vínculos entre Deus e Seus Mensageiros, e dizem: Cremos em alguns e negamos outros, intentando com isso achar uma saída, são os verdadeiros incrédulos; porém, preparamos para eles um castigo humilhante. Quanto àqueles que crêem em Deus e em Seus Mensageiros, e não fazem distinção entre nenhum deles, Deus lhes concederá as suas devidas recompensas, porque Deus é Indulgente, Misericordioso». (Alcorão,4:150-152.).
Por que Deus nos enviaria uma mensagem? Para que O possamos conhecer. Para que, no dia do Juízo Final, não haja desculpas, ou seja, que o ser humano venha a dizer que não sabia, que não conhecia.«Foram os Mensageiros que deram as boas notícias e e fizeram admoestações, para que os humanos não tivessem argumento algum ante Deus, depois do envio deles, pois Deus é Poderoso, Prudente». (Alcorão Sagrado 4:165).
Deus enviou, através da história, Mensageiros e Profetas para orientarem a humanidade quanto à adoração de um Deus único. «Na verdade, enviamos para cada povo um Mensageiro (com a ordem): Adorai a Deus e afastai-vos do sedutor...». (Alcorão Sagrado 16:36).
«Jamais enviamos Mensageiro algum antes de ti, sem que lhe tivéssemos revelado que não há outra
divindade além de Mim. Adora-Me e serve-Me!»(Alcorão Sagrado 21:25).
E estabeleceu a justiça e a misericórdia, quando nos disse que nenhuma nação seria responsabilizada, a não
ser depois do envio de Mensageiros, orientadores e admoestadores, como podemos ver através do seguinte
versículo do Alcorão Sagrado: «... Jamais castigamos (um povo), sem antes termos enviado um Mensageiro». (Alcorão Sagrado17:15).
E todos os Profetas e Mensageiros vieram pregando a mesma religião, a submissão a Deus (o Islame), conforme diz Deus no Alcorão Sagrado: «Prescreveu-vos a mesma religião que havia instituído para Noé, a qual te revelamos, a qual havíamos recomendado a Abraão, a Moisés e a Jesus, (dizendo-lhes): observai a religião e não discrepeis acerca disso...». (Alcorão Sagrado 42:13).
"Para Deus a religião é a submissão voluntária a Deus (o Islame)...". (Alcorão Sagrado 3:19). 

Qual a Diferença entre Profeta (Nabi) e Mensageiro (Rassul) ?
· ·Profeta (Nabi): É aquele que recebeu a orientação Divina para confirmar o que um outro Mensageiro transmitiu, sem trazer com ele uma mensagem nova. Mensageiro (Rassul): É aquele a quem é transmitida uma Mensagem ou Livro Sagrado, contendo uma nova recomendação. Todo o Mensageiro é um Profeta, mas nem todos os Profetas são Mensageiros. O Alcorão menciona os nomes de 25 Profetas que são:
-Adam (Adão);
-Idris (Enoc);
-Nuh (Noé);
-Hud (Heber);
-Saléh;
-Ibrahim (Abraão);
-Lut (Lot);
-Ismail (Ismael);
-Ishaq (Isaac);
-Yaqub (Jacó);
-Yussif (José);
-Xuaib (Jetro);
-Aiyub (Jó);
-Zul-kafil (Ezequiel);
-Mussa (Moisés);
-Harun (Araão);
-Daud (Davi);
-Sulaiman (Salomão);
-Ilias (Elias);
-Aliassa (Eliseu);
-Yunus (Jonas);
-Zacaria (Zacarias);
-Yáhia (João Batista);
-Issa (Jesus);
-Muhammad. (Que a paz esteja sobre eles) .
Citam-se alguns versículos em que eles são mencionados: «Tal foi o Nosso argumento, que proporcionamos
a Abraão (para usarmos) contra o seu povo, porque Nós elevamos a dignidade de quem Nos apraz. Teu Senhor (ó Muhammad) é Prudente, Sábio. Agraciamo-lo com Isaac e Jacó, que iluminamos, como havíamos iluminado anteriormente Noé e a sua descendência, Davi e Salomão, Jó e José, Moisés e Aarão. Assim, recompensamos os benfeitores. E Zacarias, Yáhia (João), Jesus e Elias, pois todos eles se contavam entre os virtuosos. E Ismael, Eliseu, Jonas e Lot, cada um dos quais preferimos sobre os seus contemporâneos». (Alcorão Sagrado 6:83-86).
«Sem dúvida que Deus preferiu Adão, Noé, a família de Abraão e a de Imran, aos seus contemporâneos». (Alcorão Sagrado 3:33).
«E enviamos ao povo de Ad o seu irmão Hud, o qual lhes disse: ó povo meu, adorai a Deus, porque não tereis outra divindade além d’Ele...». (Alcorão Sagrado, 11:50).
«E (recorda-te) de Ismael, de Idris (Enoc) e de Dulkifl...». (Alcorão Sagrado 21:85). «E ao povo de Samud enviamos o seu irmão Sáleh...». (Alcorão Sagrado, 11:61).
«E enviamos ao povo de Madian o seu irmão Xuaib (Jetro)...». (Alcorão Sagrado, 11:84). Destes, alguns Profetas como Idris e Ezequiel (que a paz esteja sobre eles), o Alcorão limita-se a mencionar os seus nomes; de outros, como Ismael, Isaac e Jonas (que a paz esteja sobre eles), relata-se um resumo de sua história. Entre eles, há também aqueles cuja história veio detalhada, como ocorre com Abraão, Moisés, José
e Jesus (que a paz esteja sobre eles). «Inspiramos-te (Muhammad), assim como inspiramos Noé e os Profetas que o sucederam ...». (Alcorão Sagrado, 4:163). «Na verdade, Muhammad não é o pai de nenhum de vossos homens, mas sim o Mensageiro de Deus e  derradeiro dos Profetas; sabei que Deus é Omnisciente». (Alcorão Sagrado, 33:40).
Aparece nos ditos do Profeta Muhammad (que a paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), que o número
total de Profetas enviados para os diferentes povos, em épocas diversas, é de 124.000 e o Alcorão nos relata que Deus nos informou os nomes de alguns deles apenas:
"E enviamos alguns Mensageiros, que te mencionamos, e outros, que não te mencionamos; e Deus falou a Moisés diretamente». (Alcorão Sagrado, 4:164).
Há no Alcorão 6 capítulos que levam o nome de Profetas, que são: Yunus (Jonas), Hud, Yussuf (José), Ibrahim (Abraão), Nuh (Noé) e Muhammad (p.e.c.e.).
No Alcorão, 5 profetas foram qualificados como fortes, pelo que suportaram da maldade de seus povos, e pelo que legaram de grandes feitos no campo da pregação. E eles estão citados neste versículo: «Recorda-te de quando instituímos o pacto com os Profetas: contigo, com Noé, com Abraão, com Moisés, com Jesus, filho de Maria, e obtivemos deles um solene compromisso». (Alcorão Sagrado, 33:7.)
Qual deve ser a postura do muçulmano, quanto àqueles Profetas cujos nomes não foram mencionados no Alcorão e que tenham vindo antes do Profeta Muhammad (p.e.c.e.)?
Caso ele tenha vindo antes do Profeta Muhammad (p.e.c.e,), nós nem afirmamos que tenha sido um Profeta, nem negamos. Porque, caso tenha sido realmente um Profeta, e nós negarmos, estaremos negando um pi-
lar da fé e, consequentemente, estaríamos saindo do Islame. Caso afirmássemos que ele tivesse sido um Profeta e ele não tivesse, estaríamos cometendo um pecado.
Por isso adotamos esta postura. E caso essa pessoa tenha vindo após o Profeta Muhammad (p.e.c.e.), afirmamos categoricamente que ele não é um Profeta, porque o último Profeta enviado para toda humanidade foi o Profeta Muhammad (p.e.c.e.).
Os Profetas são homens iluminados, escolhidos por Deus dentre o seu povo, para transmitirem a Sua Mensagem e servirem de exemplo e modelo de retidãoe para serem seguidos e imitados por nós.
Deus nos facilitou o caminho e evitou que o ser humano tivesse que adquirir este conhecimento através somente do seu esforço pessoal. «Realmente, tendes no Mensageiro de Deus um excelente exemplo para aqueles que esperam contemplar Deus, deparar-se com o Dia do Juízo Final, e invocam Deus frequentemente». (Alcorão Sagrado, 33:21). «Tivestes neles um excelente exemplo, de quem confia em Deus e no Dia do Juízo Final». (Alcorão Sagrado, 60:6).
Os Profetas não têm divindade alguma, pois esta pertence única e exclusivamente a Deus. «Os Seus Mensageiros retrucaram: Existe, acaso, alguma dúvida acerca de Deus, Criador dos céus e da terra? É Ele que vos convoca para perdoar-vos os pecados, e vos tolera até ao término prefixado! Responderam: Vós não sois senão uns mortais, como nós; quereis afastar-nos do que adoravam os nossos pais? Apresentai-nos, pois, uma autoridade evidente! Os Seus Mensageiros lhes asseveraram: Não somos mais do que mortais como vós; porém, Deus agracia quem Lhe apraz, dentre os Seus servos, e ser-nos-ia impossível apresentar-vos uma autoridade, a não ser com a anuência de Deus. Que os fiéis se encomendem a Deus!» (Alcorão Sagrado, 14:10-11).
M. Yiossuf Adamgy
Diretor da Revista Al Furqán.

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

A Morte no Islam

Todos os Louvores são para Deus, o Senhor do Universo, que criou a vida e a morte, para pôr à prova, quem de nós prática as melhores ações, A Paz e Bênção de Deus estejam sobre o profeta Muhammad, através de quem deus salvou-nos da perdição, tirando-nos da ignorância, guiando-nos para a senda reta, libertando-nos assim do abismo do inferno, e nos colocando no grupo da melhor comunidade que já existiu sobre a terra. E que as Bênção de Deus recaiam sobre os seus companheiros (sahabas) e seus seguidores até o dia do Juízo Final. 

Os ensinamentos relativos a morte, ao morto (mayet) e a família enlutada contidos no Islam, são suficientemente elucidativos para o verdadeiro crente que procura guiar-se convenientemente nessas ocasiões. Durante a vida do Profeta Muhammad (que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele); naturalmente morreram muitas pessoas, entre muçulmanos e não-muçulmanos, uns em campo de batalha, outros por enfermidades, uns deixando tristes os seu familiares e outros que nem familiares tinham, uns que deixaram muitos bens que foram depois distribuídos entre seus herdeiros, e outros que morreram sem deixar sequer o suficiente para suportara as despesas de seus próprios funerais. 

Em todas aquelas circunstâncias, o Profeta Muhammad(que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele); foi sempre o seu guia, orientado-os à luz da Chari’ah (lei islâmica) para que aplicassem em cada situação as medidas corretas dentro do espírito que sempre norteou a sua missão; o de ensinar a todos a viver no mundo de acordo com a vontade de Deus. 

O Profeta Muhammad(que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele); acompanhava-os nos momentos de felicidade e de tristeza, nos casamentos e nos falecimentos, visitava os doentes, prepara a mortalha (cafan) para os defuntos, participava nos funerais, apresentava suas condolências, visitava os túmulos, repartia a herança, instruía os familiares do falecido nos pagamentos da divida deixadas pelo mesmo, procurava o bem estar das viúvas, dos órfãos e da família enlutada, enfim deixou-nos um código completo oral e pratico relativo a morte. 

Nesse código Divino revela-se que cada passo foi tomado em consideração aos sentimentos e emoções naturais e as necessidades humanas, para a família enlutada há uma consolação completa justa, para o morto (mayt), encontramos no código, o respeito e a honra total acima de tudo, o meio para a aquisição da Paz e do sossego eternos, ensinamentos simples e honrosos, e até hoje insuperáveis por qualquer outra civilização do mundo. 

Os Sahabas (companheiros do profeta), aprenderam esse código, aplicaram-no durante a sua vida e transmitiram-no oralmente e na prática aos outros, conservando-se integralmente até hoje nos livros de ahadith (ditos e praticas). 

O Salatul Janaza (oração fúnebre); é um Fardh Kifayah, uma obrigação imposta a todos os muçulmanos presentes, isto é que tomarem conhecimento do falecimento de um muçulmano.

No Salatul Janaza, o ato específico é o Duá para o morto, que confere grandes recompensas a quem o prática e inúmeros benefícios ao morto, e também é uma forma de prestarmos a nossa ultima homenagem para o morto. 

Entre alguns costumes banidos pelo islam esta o de chorar, lamentar e demonstrar pesar excessivo pelos mortos. Os ensinamentos do Islam sobre a morte é de que ela não é a aniquilação do individuo, que o elimina da existência, e sim que é uma passagem de uma vida para outra’e por mais que se possa lamentar, nada trará os mortos de volta à vida ou modificara o decreto de Deus, Altíssimo. Aquele que crê deve receber a morte, do mesmo modo como recebe qualquer outra calamidade que possa atingi-lo, com paciência e dignidade, repetindo o versículo alcorânico: ‘’Somos de Deus e a Ele retornaremos.’’ (2:156) 

A certos atos de se prantear os mortos que são terminantemente proibidos para os muçulmanos, não se permite ao muçulmano usar faixas de luto, desfazer-se de adereços ou modificar as suas vestes habituas para representar o pesar e a tristeza, como por exemplo, o uso de roupas negras (ou de qualquer outra cor, a qual a intenção seja representar o luto), como sinal de luto é proibido pelo islam, mesmo no caso de uma viúva por seu marido. Em contra-partida, entretanto, a esposa deverá observar um período de luto (‘iddah) de 4 meses e 10 dias, em memória de seu finado esposo por lealdade aos sagrados laços do casamento, esse período é considerado uma extensão de seu anterior e não é permitido a ela receber novas propostas de casamento durante esse período. Caso contrario o luto não pode ser maior do que 3 dias. 

O Luto é uma demonstração sublime de tristeza e magoa que afeta alguém, homem ou mulher, pela morte de outro, como conseqüência das suas relações naturais, no Islam o luto é regulamentado, e o luto por um período maior do que 3 dias, seja por quem for, foi rigorosamente proibido pelo Profeta Muhammad (que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele); com a exceção da mulher a quem foi conferido o direito de guardar um período maior pela morte de seu marido como foi mencionado acima. 

As condolências de acordo com a sunnah do Profeta Muhammad (que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele); ‘’As condolências são dadas aos familiares enlutados dentro de três dias e três noites depois do falecimento.’’

E fórmula usada é: "Possa Deus dar-vos recompensa abundante e grande consolo, e concessão d e perdão para o falecido." 

O qual a resposta deve ser: ‘’Que Deus ouça a vossa prece, e tenha piedade de nós e vós.’’ 

Os costumes comuns na realização da reunião, durante a qual o alcorão é recitado nas três noites a seguir a morte, e do arranjo da celebração do luto e reuniões especiais no dia da morte, ou no terceiro dia depois dela, ou no quadragésimo dia, ou no aniversário da morte, são todos proibidos e praticas de inovação que o povo tem introduzido, e não tem qualquer base no alcorão, na sunnah do Profeta, ou na prática do Sahabas, evidentemente não é proibido fazermos ‘’duás’’ (preces), todos os dias pela alma dos de nossos parentes já falecidos, de modo simples, sem reuniões ou celebrações espalhafatosas. 

A visita das sepulturas é louvável, o profeta Muhammad(que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele); costumava visitar as sepulturas e recomendava aos seus companheiros que fizessem o memso a fim de se lembrarem da sua morte com uma lição. 

A visita (ziarat) das sepulturas foi instituído com o fim de nos dar lições, de nos fazer meditar sobre o nosso fim, enternecer os nossos corações, para que possamos fazer preces em favor do falecido, pois a melhor prenda que um vivo pode dar a um morto é o duá (prece) e o pedido de perdão (isthighfar) que por ele faz à Deus. 


A pessoa que visita a sepultura deve dizer: ‘’ A Paz esteja contigo, ó crentes muçulmanos que morais aqui, nós estaremos, se Deus quiser, reunidos convosco. Rogamos a Deus que a nós e a vós conceda o bem-estar e o perdão.’’ 


Ë recomendado orar pelo perdão e clemência de Deus para os mortos, contudo é absolutamente proibido desejar que o morto responda sr orações de alguém, ou invocar o seu auxilio, ou solicitar a intercessão, acariciar o tumulo, com as suas mãos, andando em volta deles, e praticas similares de superstição, também são proibidos, todas estas ações são abomináveis e heréticas, as quais conduzem a idolatria e a negação da absoluta unicidade de Deus. 


Para aquele que deseja visitar as campas deve saber que a sua visita deve estar enquadrada pelos limites prescritos no Islam: 

Não circundar ;

não se inclinar em sinal de respeito ;

não se prostrar ;

não beijar os túmulos, jazigos ou qualquer parte deles ;

não pedir absolutamente nada ao defunto, seja ele quem for o tumulo, pois isso é haram(ilícito) e idolatria ;

não ornamentar as campas ;

depois de visitar as campas, não sair recuando para evitar dar as costas ao tumulo, como forma de respeito; 

não colocar comidas ou bebidas junto as campas; não realizar festas de comemoração (da morte) junto as campas,

evitar todas as formas de (Bid’ats) inovações. 

O Islam ensina que as sepulturas devem ser simples, infelizmente, nos nossos dias, contra a Chari’ah Islâmica, verificamos que na maior parte dos casos, não há grande diferença entre um cemitério islâmico e outro não-islâmico, a não ser o da cruz sobre o tumulo. 

O Duá é um ato unanimemente aceito, pois consta explicitamente no Alcorão e no hadith e ninguém pode conscientemente recusa-lo, o Salatul Janaza em sé também é um duá e o Profeta Muhammad (que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele); considera a sua realização como um dos deveres de um muçulmano para com outro. 

‘’O que devemos fazer a favor de outro morto a todo momento, consoante a capacidade e possibilidade individual, é o que lhe trará beneficio e Sawab(recompensa), são os ibdah’s e atos virtuosos como por exemplo o duá,(prece), o istighfar(perdão) em favor do morto, o Tilawat do Alcorão (individualmente), a oferta de Sawab a ele em qualquer dia, a prática da caridade e do hajj por ele e etc..., com a esperança de que isso chegue a ele na sua vida de Barzakh (a vida intermediaria entre esta vida e a outra.’’ (Hassanain Muhammad Makhluf; Mufti do Egito- já falecido) 

Além do duá e das obras atrás mencionados, outras narrativas do hadith, vêm esclarecidas outras ações benéficas das quais um morto pode beneficiar-se, como é o caso do Hajj, da Umra e da caridade que praticados e se queira dedica-los em sufrágio á alma de alguém. 

As narrações aqui mencionadas são pontos unânimes em que não transparecem quaiquer dúvidas, pois estão esclarecidos no hadith, que é o critério que deve se seguido depois do Alcorão.

Quanto a recitação do Alcorão para o beneficio de um morto, é incontestavelmente uma prática estranha e não consta no Alcorão e nem no hadith, isto é não foi recomendado nem praticado pelo Profeta Muhammad (que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele); e nem pelo seus Sahabas (companheiros), que são o critério da verdade. 

‘’De entre as boas ações (que fez nesta) que vão se juntar (beneficiar) ao crente depois de sua morte, constam: 

O Ilm(conhecimnto) que ensinou e expandiu;

Um filho piedoso que deixou;

A herança em exemplares do Alcorão que deixou;

Uma Mesquita que construiu;

Uma estalagem para viajantes que construiu;

Um canal de água que fez correr;

A caridade durante a sua vida e enquanto gozou de saúde, praticou com a sua riqueza.’’ (Dito do profeta Muhammad; que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele). 

‘’Quando o ser humano morre, cessam todas as suas ações exceto em três casoso, se em vida tiver deixado:

Sadaka Jariah; obras de utilidade pública;

Ilm benéfico;

Um filho piedoso, que constantemente faça duá a seu favor.’’ (Dito do profeta Muhammad; que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele).

A VIDA APÓS A MORTE

A Morte 

Antes de iniciar a falar da morte propriamente dita, vamos observar o sono que, na verdade, se assemelha demais à morte, tanto que os sábios muçulmanos a chamam de "a morte pequena". Deus diz no Alcorão Sagrado: 

"Deus recolhe as almas, no momento da morte e, dos que não morreram, ainda, (recolhe) durante o sono. Ele retém aquelas cujas mortes tem decretadas e deixa em liberdade outras, até um término prefixado. Em verdade, nisto há sinais para os sensatos." (39ª Surata, versículo 42) 

Por esse versículo podemos verificar que Deus recolhe as nossas almas durante o sono, retornando-a ao nosso corpo, caso ainda não tenha chegado a hora da nossa morte, fazendo com que reassumamos as nossas funções nesta vida.

Como os Muçulmanos Vêem a Morte?

Os muçulmanos crêem que a presente vida é apenas uma prova e preparação para o próximo reino da existência. Os artigos básicos da fé incluem: O Dia do Juízo Final, a Ressurreição, o Paraíso e o Inferno. Quando um muçulmano morre, ele ou ela é lavado/a usualmente por um membro da família, enrolado num tecido limpo branco, e enterrado com uma simples prece, preferivelmente no mesmo dia, Os muçulmanos consideram isso um dos atos finais que podem fazer por seus parentes, e uma oportunidade para se lembrarem da sua breve existência aqui na terra. O Profeta Muhammad ensinou que três coisas podem continuar auxiliando uma pessoa mesmo depois da morte: a caridade que ela fez, o conhecimento que ela transmitiu e as orações que são feitas por um filho virtuoso pela alma dos pais. Diz Deus no Alcorão: ''Toda alma provará o gosto da morte...'' 

Todo ser criado por Deus experimentará o sabor da morte.

"Toda alma provará o sabor da morte e, no Dia da Ressurreição, sereis recompensados integralmente pêlos vossos atos; quem for afastado do fogo infernal e introduzido no Paraíso, triunfará. Que é a vida terrena, senão um prazer ilusório?" (3ª Surata, versículo 185) 

"Tudo quanto existe na terra perecerá. E só subsistirá o Rosto do teu Senhor, o Majestoso, o Honorabilíssimo." (55ª Surata, versículos 26-27) 

A hora em que o ser humano morre se dá no exato momento em que foi decretado por Deus, o Altíssimo, sem se antecipar nem adiar em nada. 

"Não é dado a nenhum ser morrer sem a vontade de Deus; é um destino prefixado. E a quem desejar a recompensa terrena, conceder-lhe-emos; e a quem desejar a recompensa da outra vida, conceder-lha-emos, igualmente; também recompensaremos os agradecidos." (3ª Surata, versículo 145) 

"Cada nação tem o seu termo e, quando se cumprir, não poderá atrasá-lo nem adiantá-lo uma só hora." (7ª Surata, versículo 34) 

"Se Deus castigasse os humanos, por sua iniquidade, não deixaria criatura alguma sobre a terra; porém, tolera-os até ao término prefixado. E quando o seu prazo se cumprir, não poderão atrasá-lo nem adiantá-lo numa só hora." (16ª Surata, versículo 61) 

"Ó fiéis, que vossos bens e os vossos filhos não vos alheiem da recordação de Deus, porque aqueles que tal fizerem, serão desventurados. Fazei caridade de tudo com que vos agraciamos, antes que a morte surpreenda qualquer um de vós, e este diga: Ó Senhor meu, porque não me toleras até um término próximo, para que eu possa fazer caridade e ser um dos virtuosos? Porém Deus jamais adiará a hora de qualquer alma, quando ela chegar, porque Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis." E de nada valerá todos os nossos esforços em tentar fugir ou impedir a morte, porque ela nos alcançará aonde quer que nos encontremos e se dará no exato momento destinado por Deus, independente da nossa vontade, quer queiramos ou não." (63ª Surata, versículos 9-11) 

"Nós vos decretamos a morte, e jamais seremos impedidos." (56ª Surata, versículo 60) 

"Dize-lhes: Sabei que a morte, da qual fugis, sem dúvida vos surpreenderá; logo retornareis ao Conhecedor do cognoscível e do incognoscível, e Ele vos inteirará de tudo quanto tiverdes feito?" (62ª Surata, versículo 8) 

"Onde quer que vos encontrardes, a morte vos alcançará, ainda que vos guardeis em fortalezas inexpugnáveis..." E não nos foi dado o conhecimento de quando iremos morrer nem aonde. Este conhecimento é exclusivo de Deus o Altíssimo.'' (4ª Surata, versículo 78) 

"Em verdade, Deus possui o conhecimento da Hora, faz descer a chuva e conhece o que encerram os ventres maternos, Nenhum ser sabe o que ganhará amanhã, tampouco nenhum ser saberá em que terra morrerá, porque (só) Deus é Sapiente, Inteiradíssimo!" (31ª Surata, versículo 34) 

Quando chega a hora da morte o anjo da morte aparece para o crente numa forma bela dando-lhe a boa notícia do perdão de Deus para com ele. E para o descrente e o hipócrita, numa forma assustadora, anunciando a eles a ira de Deus para com eles. E então se dá a retirada da alma da pessoa pelos anjos da morte. 

"Ele é o Soberano absoluto dos Seus servos, e vos envia anjos da guarda para que, se a morte chegar a algum de vós, os Nossos mensageiros o recolham, sem negligenciarem o seu dever." (6ª Surata, versículo 61) 

A morte da alma se dá pela sua separação do corpo humano. No entanto, ela permanece inteira, não se desintegra, como ocorre com o nosso corpo físico quando somos enterrados.

Na hora da morte o diabo aparece para algumas pessoas, a fim de tentar levá-las para o inferno, aparecendo para o morto na figura de seus pais ou de pessoas próximas e queridas a ele, dizendo para que siga outra religião que não o Islam que ele será salvo. No entanto, caso ele aceite, nesse momento encontrar-se-á entre os desventurados. Por isso que o muçulmano sempre após as suas orações fazem Duás (súplicas, pedidos) a Deus para que Ele não nos faça passar por essa prova. 

"(Que dizem:) Ó Senhor nosso, não desvieis os nossos corações, depois de nos teres iluminado, e agracia-nos com a Tua misericórdia, porque Tu és o Munificente por excelência." (3ª Surata, versículo 8)

O Que Acontece No Túmulo Após Sermos Enterrados?

"Deus afirmará os fiéis com a palavra firme na vida terrena, tão bem como na outra vida; e deixará que os iníquos se desviem, porque procede como Lhe apraz." (14ª Surata, versículo 27) 

Quando morrermos, ficaremos num local ou estado chamado Barzack, que na língua árabe significa uma barreira, um obstáculo ou uma partição. É um local ou estado intermediário entre esse nosso mundo e o mundo definitivo, onde ficaremos após o julgamento do Dia do Juízo Final.

"A fim de eu praticar o bem que negligenciei! Pois sim! Tal será a frase que dirá! E ante eles haverá uma barreira, que os deterá até o dia em que forem ressuscitados." (23ª Surata, versículo 100)

Nós acreditamos que determinadas pessoas sofrerão o castigo no túmulo por assim merecerem. Esse castigo é sofrido tanto pela alma como pelo corpo. Mesmo aquelas pessoas que não foram enterradas por terem morrido queimadas, afogadas, ou coisas similares, caso estejam entre as pessoas merecedoras do castigo no túmulo sofrer-lo-ão.

Vida Após A Morte

A questão de haver vida após a morte não pode ser compreendida sob a ótica da ciência, já que esta é concernente apenas à classificação e análise dos dados da razão. Além disso, o homem tem-se ocupado com as investigações e pesquisas científicas, no sentido moderno do termo, somente nos poucos últimos séculos, conquanto esteja familiarizado com o conceito da vida depois da morte, desde tempos antigos. 

Todos os Profetas (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre eles), conclamaram seus povos para adorarem a Deus e crerem na vida após a morte. Imprimiam tanta ênfase na crença quanto à vida após a morte, a ponto de a mais leve dúvida a esse respeito significar a negação de Deus e fazer com que todas as outras crenças ficassem sem sentido. O próprio fato de que todos os profetas de Deus apresentaram essa questão metafísica, tanto confidencial quanto uniformemente, sabendo-se que o intervalo havido entre as suas épocas foi de milhares de anos, serve de prova de que a fonte do seu conhecimento da vida após a morte, como foi proclamado por todos eles, é a mesma, isto é, a revelação divina. 

Sabemos, também, que todos esses profetas de Deus sofreram grande oposição de seus povos, principalmente por causa da colocação de que há vida após a morte, pois seus povos julgavam ser isso impossível. Porém, apesar da oposição, os profetas granjearam muitos seguidores sinceros. A questão que se levanta é: o que fez esses seguidores esquecerem as crenças, as tradições e os costumes de seus ancestrais, além de correrem o risco de serem totalmente alienados de sua própria comunidade? 

A resposta simples é: eles fizeram uso das suas faculdades mentais e dos seus corações, e perceberam qual era a verdade. Por acaso, perceberam eles a verdade através da consciência perceptiva? Não foi assim, já que a experiência perceptiva da vida após a morte é impossível. Realmente, Deus concedeu ao homem, além da consciência perceptiva, a racional, a estética e a moral. São essas consciências que guiam o homem no que diz respeito às realidades que não podem ser verificadas através dos dados sensoriais. 

É por isso que todos os profetas, de Deus, quando conclamavam seus povos para acreditarem em Deus e na vida após a morte, apelavam para as consciências estética, moral e racional do homem. Por exemplo, quando os idólatras de Makka negaram até mesmo a possibilidade de haver vida após a morte, o Alcorão expôs a fraqueza das suas posições, apresentando argumentos bastante, lógicos e racionais em seu favor: 

"E Nos propõe comparações e esquece sua própria criação, dizendo: Quem poderá recompor os ossos quando já estiverem decompostos? Dize: Recompô-los-á Quem os criou a primeira vez, porque é Conhecedor de todas as criações... Porventura, Quem criou os céus e a terra não será capaz de criar outros seres semelhantes a eles? Sim! Porque Ele é o Criador por excelência, Onisciente!" (36ª Surata, versículos 78-81). 

Numa outra ocasião, o Alcorão diz, claramente, que os incrédulos não têm nenhuma base sólida para negarem a vida após a morte. Essa negação acha-se baseada em puras conjecturas: 

"E dizem: Não há outra vida além da terrena. Vivemos e morremos e não nos aniquilará senão o tempo! Porém, com respeito a isso, carecem de conhecimento e não fazem mais do que conjecturar. E quando lhes são recitados Nossos lúcidos versículos, seu único argumento é dizer: Ressuscitai nossos pais se sois verazes!" (45ª Surata, versículos 24-25). 

Certamente, Deus vai ressuscitar todos os mortos. Todavia, Deus tem o Seu próprio plano para as coisas. Virá o dia em que todo o Universo será destruído e novamente os mortos serão ressuscitados para comparecerem perante Deus. Esse dia será o princípio da vida que jamais findará, e nesse dia toda e qualquer pessoa terá a retribuição de Deus a quem fizer jus, de acordo com o que ele ou ela fizer de bom ou de mal. 

"Os incrédulos dizem: Nunca nos chegará a hora! Dize- lhes: Sim, por meu Senhor! Chegar-vos-á, do Conhecedor do incognoscível, de Quem nada escapa, nem mesmo do peso de um átomo, quer seja nos céus ou na terra, ou (nada há) menor ou maior que isso que não esteja registrado no Livro lúcido. Isso para certificar os fiéis, que praticam o bem, que obterão indulgência e magnífico sustento. Mas, aqueles que lutam contra os Nossos versículos, sofrerão um castigo e uma dolorosa punição." (34ª Surata, versículos 3-5).

A explanação que o Alcorão fornece acerca da necessidade de haver vida após a morte é aquela que a consciência moral do homem exige. Na verdade, se não houver vida após a morte, a própria crença em Deus torna-se irrelevante; ou até mesmo se alguém acreditasse em Deus, Este seria um Deus injusto e indiferente, uma vez que, tendo criado o homem, não Se preocupou com a sua sorte. Com certeza, Deus é Justo. Ele punirá os tiranos cujos crimes são incontáveis: matança de centenas de pessoas inocentes, criação de grandes corrupções na sociedade, escravidão de numerosas pessoas para servirem a seus caprichos etc. 

O homem, tendo um curto período de vida neste mundo e, também, este mundo físico não sendo eterno, as punições ou as recompensas iguais às más ou boas ações das pessoas não são possíveis aqui. O Alcorão declara muito enfaticamente que o Dia do Juízo Final deverá vir e que Deus decidirá sobre a sorte de cada alma de acordo com o registro das suas ações. 

O Dia da Ressurreição será o dia em que os atributos da justiça e misericórdia de Deus se manifestarão em toda a sua plenitude. Deus derramará Sua misericórdia sobre aqueles que sofreram por Sua causa na vida deste mundo, e creram que uma eterna bem-aventurança estaria à sua espera. No entanto, aqueles que injuriarem a generosidade de Deus, não ligando a mínima para a vida vindoura, estarão no estado mais miserável que houver. Fazendo uma comparação entre eles, o Alcorão diz: 

"Acaso, aquele a quem temos feito uma boa promessa e que, com certeza a alcançará, poderá ser equiparado àquele a quem agraciamos com o gozo da vida terrena? Aliás este, no Dia da Ressurreição, contar-se-á entre os que serão julgados." (28ª Surata, versículo 61). 

O Alcorão também declara que esta vida terrena é uma preparação para a vida eterna após a morte. Mas aqueles que a negam tornam-se escravos de suas paixões e de seus desejos, e zombam das pessoas virtuosas que são cônscias de Deus. Tais pessoas somente perceberão a sua estupidez quando chegar a sua hora de morrerem, e desejarão que lhes seja dada mais uma chance neste mundo; todavia, será em vão. O seu estado miserável na hora da morte, o horror do Dia do Juízo e a eterna bem-aventurança, que será garantida aos fiéis sinceros, estão admiravelmente mencionadas nos seguintes versículos do Alcorão Sagrado: 

"Quando a morte surpreender algum deles, este dirá: Senhor meu, manda-me de volta (à terra), a fim de eu poder praticar o bem que eu negligenciei! Pois sim! Tal será a frase que dirá! E ante eles haverá uma barreira que os deterá até o dia em que forem ressuscitados. Porém, quando for soada a trombeta, nesse dia não haverá mais linhagem entre eles, nem se consultarão entre si. Quanto àqueles cujas ações pesarem mais serão os bem- aventurados. Em troca, aqueles cujas ações forem leves serão desventurados e permanecerão eternamente no Inferno.'' (23ª Surata, versículos 99-104). 

A crença na vida após a morte não só garante o sucesso no mundo do além, mas, também, faz com que este mundo seja mais cheio de paz e de sucesso, tomando os indivíduos mais responsáveis e mais cumpridores de suas obrigações em suas atividades. 

Pensemos no povo da Arábia: jogatina, vinho, feudos tribais, pilhagens e assassinatos eram as suas principais normas, quando não tinham nenhuma crença na vida após a morte. Porém, tão logo aceitaram a crença em Um só Deus e na vida após a morte, transformaram-se na mais disciplinada nação do mundo. 

Abandonaram seus vícios, ajudaram-se uns aos outros nas horas da necessidade e resolveram todas as suas disputas na base da justiça e da igualdade. Semelhantemente, a negação da vida após a morte tem as suas conseqüências não apenas no mundo do além, mas, também, neste mundo. Quando uma nação, como um todo, a nega, todos os tipos de malignidades e corrupções passam a grassar, desenfreada- mente, na sociedade que mais tarde será destruída. O Alcorão menciona o fim terrível de Ad, de Samud e do Faraó, com certos detalhes: 

"Os povos de Samud e de Ad desmentiram a calamidade. Quanto ao povo de Samud, foi fulminado pela centelha! E quanto ao povo de Ad, foi exterminado por um furioso e impetuoso furacão, que Deus desencadeou sobre eles durante sete noites e oito nefastos dias, em que poderias ver aqueles homens jacentes como se fossem troncos de tamareiras caídos. Porventura, viste algum sobrevivente, entre eles? E o Faraó, os seus antepassados e as cidades nefastas disseminaram o pecado. E desobedeceram ao mensageiro de seu Senhor, pelo que Ele os castigou rudemente. Em verdade, quando as águas transbordaram, levamo-vos na arca, para fazermos disso um memorial para vós, e para que o recordasse qualquer mente atenta. Porém, quando soar um só toque da trombeta, e a terra e as montanhas forem desintegradas e trituradas de um só golpe, nesse dia acontecerá o evento inevitável. E o céu se fenderá, e estará frágil... Então, aquele a quem for entregue o seu registro na destra, dirá: Ei-lo aqui! Lede o meu registro; sempre soube que prestaria contas! E ele gozará de uma vida prazenteira, em um jardim sublime, cujos frutos estarão ao seu alcance. Comei e bebei com satisfação pelo bem que propiciasses em dias pretéritos! Em troca, aquele a quem for entregue seu registro na sinistra, dirá: Ai de mim! Oxalá não me tivesse sido entregue meu registro; nem jamais tivesse conhecido o meu cômputo; oh! Oxalá a minha primeira (morte) tivesse sido a anulação! De nada me servem os meus bens; minha autoridade se me desvaneceu!" (69ª Surata, versículos 4-29). 

Portanto, há muitas razões convincentes para crer na vida após a morte: 

1) Todos os profetas de Deus conclamaram seus povos para acreditarem nela.

2) Toda vez que uma sociedade humana foi construída, tendo essa crença como base, ela passou a ser a mais ideal e pacífica das sociedades, e ficou livre das maldades sociais e morais.

3) A história serve de testemunho: toda vez que essa crença foi rejeitada coletivamente por um grupo de pessoas, apesar dos repetidos alertas dos profetas, o grupo como um todo, foi punido por Deus até mesmo neste mundo.

4) As faculdades morais, estéticas e racionais do homem endossam a possibilidade de haver vida após a morte

5) Os atributos da justiça e da misericórdia de Deus não têm sentido se não houver vida após a morte.

O Homem: Corpo e Alma

O ser humano possui um corpo, com o qual se move e experimenta sensações. E possui uma alma, com a qual percebe, pensa, adquire conhecimentos, ama, odeia, entre outros. A origem do corpo é a terra, esta é uma afirmativa inequívoca, pois o ser humano logo ao morrer, tem o corpo decomposto em seus elementos originais, que não são diferentes dos demais elementos químicos que compõem o solo. Se tomarmos uma amostra de terra fértil e a analisarmos quimicamente, observaremos que a mesma é constituída de vários elementos.

Se fizermos a mesma experiência, utilizando, desta vez, uma amostra do corpo humano, concluiremos que este se compõe dos mesmos elementos. Os cientistas enumeraram os elementos que compõem o corpo humano, afirmando que o mesmo contém carbono em quantidade suficiente para fabricar nove mil lápis, fósforo suficiente para fazer duas mil cabeças de fósforo, além de ferro, potássio, sal, manganês, açúcar. Todos esses compostos estão presentes na crosta terrestre, quanto à alma, a sua natureza era e continua a ser objeto de controvérsias entre cientistas c filósofos, que não chegaram, ainda, a uma opinião definitiva! O Alcorão, o Livro Sagrado, dá uma resposta à polêmica, considerada um dos seus milagres: 

"Perguntam-te (ó Mensageiro) a respeito do espírito. Responde-lhes: O espírito é assunto exclusivo de meu Senhor e só vos foi concedido (ó seres humanos) uma ínfima parte do saber ." (17ª Surata, Versículo 85) 

A alma é, portanto, do conhecimento exclusivo de Deus, e ao homem não foram dados meios para chegar a este tipo de conhecimento, pois o seu horizonte de conhecimentos é muito limitado, e não conhece sequer a natureza da matéria; como poderia, então, aspirar ao conhecimento de um dos mistérios de Deus? 

Tudo que podemos saber, a respeito do espírito, é que o mesmo, ao ser insuflado no corpo, dá-lhe vida, percepção, consciência, pensamento, saber, vontade, livre-arbítrio, os faz experimentar sentimentos como o amor, o ódio, etc. 

E que o mesmo, ao abandonar o corpo, na hora da morte, o faz transformar-se em matéria inerte, exatamente como as demais materiais. É pelo espírito que o ser humano se diferenciou das demais criaturas do Universo e criou para si um mundo à parte. É por ele que Deus fez os anjos reverenciarem à Adão, e pôs a seu serviço muitas de Suas criaturas, e fez dele o seu legatário na terra. 

"Recorda-te de quando teu Senhor disse aos anjos. Criarei um ser humano de argila, de barro modelável. E, ao tê-lo terminado e insuflado nele de Meu Espírito.'' (15ª Surata, Versículo 28-29) 

Os sábios muçulmanos definem o espírito como uma essência que transcende a matéria e não é susceptível de análise ou decomposição, é a fonte da vida e o que dela decorre.

A Ciência Moderna

Todos os homens, independentemente de sua religião, acreditavam, de uma forma ou de outra, na existência do espírito. Esta era a situação, até que surgiu a ideologia materialista que reinou nos últimos três séculos, negando a dualidade da natureza humana e afirmando, com toda a força, que não há outro mundo além daquele ao alcance dos sentidos, e não há nada além da matéria, e que o espírito é uma utopia.

Esta ideologia ganhou muitos adeptos e contou com militantes entusiastas em todos os lugares, a ponto de apagar qualquer crença religiosa e eliminar todos os ensinamentos divinos, levando consigo as ciências. Mas Deus colocou, a serviço da verdade, sábios, que se dedicaram a desmistificar a verdade e a demonstrar, com provas irrefutáveis, a existência de um mundo espiritual, que os sentidos não alcançam.

O Espírito No Alcorão

Mencionado em muitas passagens do Alcorão e nos mais diversos contextos: 

"Deus recolhe os espíritos na hora da morte e , ainda, (recolhe) os que não morrem durante o sono. Então Ele retém aquele contra o qual decretou a morte, enquanto que libera o outro até um prazo prefixado." (39ª Surata, Versículos 42) 

O Alcorão menciona o espírito que ordena a obscenidade, o espírito que se auto-repreende, o espírito que se compraz, etc... Não se trata de divisões entre os espíritos, mas sim de estado de espírito. Assim, a alma, no caso da predominância das concupiscências o dos instintos naturais, ela se torna propensa ao mal. 

Mas quando a alma é alimentada e educada conforme os ensinamentos e princípios ideais, cria uma auto-consciência, que impulsiona o ser humano para a prática do bem e o afasta do mal. Quando o espírito alcança este nível de consciência e de auto- controle, apraz-se com o bem e detesta o mal.

O Espírito Após a Morte

Ao se separar do corpo, na hora da morte, o Espírito permanece consciente, ouve as palavras de quem visita o seu túmulo e o reconhece, responde à saudação e experimenta a sensação de felicidade do Paraíso ou o sofrimento do Inferno. 

Os sábios muçulmanos são unânimes em afirmar que o ser humano, imediatamente após a morte, é interpelado pelos anjos em seu túmulo: Tenha ele sido enterrado, consumido por algum animal feroz, cremado, transformado em pó ou afogado no mar, será interpelado sobre a sua obra. Ele é recompensado de acordo com ela: O bem pelo bem e o mal pelo mal. A felicidade ou a desgraça recaem sobre ambos, corpo e espírito.

A nossa fé nisso é baseada na informação dada pelo Mensageiro de Deus, e pelo Alcorão Sagrado. O fato de não termos condições de comprová-lo com experiências, ou que esteja além do alcance dos nossos sentidos não é motivo para descrermos do mesmo. A nossa fé, nesse caso, decorre do fato de termos plena convicção de que o Profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) é verídico e de que o Alcorão é a revelação de Deus, é o caso da nossa crença no Paraíso, no Inferno, na Ressurreição e nos demais artigos da fé, classificados como incognoscíveis: 

"Eis o Livro que é indubitavelmente a orientação dos tementes a Deus; que crêem no incognoscível, observam a oração e praticam a caridade com o que lhes agraciamos; que crêem no que te foi revelado (à Muhammad), no que foi revelado antes de ti e estão persuadidos da outra vida." (2ª Surata, Versículo 2-4)

Fonte:http://www.religiaodedeus.net/a_morte_no_islam.htm