sábado, julho 04, 2020

Nossa Postagem de Número 1000 - Os Dez Mandamentos Alcorânicos

Prezados Irmãos,

Saúdo-vos com a saudação do Islão, "Assalam alaikum", esforço dos crentes por estender o amor e a tolerância entre as pessoas, seja qual for o seu idioma, crença ou sociedade.

Os comentaristas do Alcorão referiram-se aos três versículos seguintes da Sura Al-An'am (6: 151-153) como "Os Dez Mandamentos do Alcorão”.

Em nome de Deus, Beneficente, Misericordioso. «Dize: Vinde, para que eu vos prescreva o que vosso Senhor vos proibiu: Nada associeis a Ele; sede bondosos com os vossos pais; não mateis os vossos filhos, por temor à pobreza - Nós vos sustentaremos, tão bem quanto aos vossos filhos; não vos aproximeis das obscenidades, tanto pública, como privadamente; e não mateis, senão legitimamente, o que Deus proibiu matar. Eis o que Ele vos prescreve, para que raciocineis. (151).

E não vos aproximeis da riqueza do órfão, senão com (um objectivo) que seja melhor, até que ele atinja a maturidade; dai a medida total e peso total com equidade - não sobrecarregue nenhuma alma com mais do que ela pode suportar; sempre que falardes, falai com justiça, mesmo que se trate de um parente próximo; e cumpri todos os vossos compromissos com Deus. É isso que Ele vos ordena, para que possais compreender (152).

E (dize-lhes que) de facto, este é o Meu caminho recto: segui-o e não sigais outros caminhos, que vos desviarão do caminho d'Ele. É isso que Ele ordena para que vós possais temer (153)».

Os versículos acima citados foram chamados de “Os Dez Mandamentos do Alcorão”, porque cada um dos três versículos terminou com Deus dizendo: “Eis o que Ele vos prescreve, para que raciocineis” (6: 151); “É isso que Ele vos ordena, para que possais compreender” (6: 152); e “É isso que Ele ordena para que vós possais temer” (6: 153).

Os Dez Mandamentos do Alcorão são divididos entre os três seguintes versículos: O primeiro versículo (6: 151) contém os cinco mandamentos a seguir (abreviados):

1. Não atribuais parceiros a Deus (Shirk);

2. Sede bondosos com os vossos pais;

3. Não mateis os vossos filhos, por temor à pobreza;

4. Não vos aproximeis das obscenidades, tanto pública, como privadamente;

5. Não mateis, senão legitimamente, o que Deus proibiu matar.

Esses cinco requisitos destinam-se a estabelecer os valores morais dos indivíduos para alcançar a sabedoria.  O segundo versículo (6: 152) contém os seguintes quatro mandamentos:

6. Não toqueis na riqueza do órfão, excepto para melhorar;

7. Dai a medida total e peso total com equidade;

8. Falai com justiça, mesmo que se trate contra um parente próximo;

9. Cumpri todos os vossos compromissos com Deus.

Estas são as avaliações morais básicas que um parceiro pode ter para lidar com os outros: “É isso que Ele vos ordena para que possais compreender”.

O terceiro versículo (6: 153) consiste no seguinte último mandamento:

10. Segui o Meu caminho recto e não segui outros caminhos.

Isso significa que os nove mandamentos anteriores constituem o caminho reto de Deus para Ele. Ele ordena que os crentes sigam o Seu divino caminho reto, e não seguir outros caminhos, que se desviem do Seu caminho. Para atingir esse objetivo, o crente deve sempre estar consciente de Deus em tudo o que está fazendo ou pretende fazer: “É isso que Ele ordena que façais para que possais permanecer conscientes d'Ele”.

Por: M. Yiossuf Adamgy

sexta-feira, abril 17, 2020

ALLAH AS SHAFÍ - QUE DÁ A CURA

Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Allah)Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Allah, o Beneficente e Misericordioso).

lhamdulillah! Louvores para Allah, Criador de tudo o que existe na terra e nos céus, Senhor do Oriente e do Ocidente. Louvado é Allah - As Shafi, que criou a saúde, a doença e a cura para a doença. Allah é a Fonte de todas as curas. Bênçãos para o Mensageiro da Misericórdia, que foi enviado com o mais sublime carácter. A Paz do Allah esteja com todos os crentes. Amin.

A doença é um sintoma que preocupa toda a humanidade, desde o mais pobre até ao mais rico. As doenças causadas por patologias internas ou resultantes de ferimentos externos, causam dores e desconforto físico. As depressões causadas pelo medo, pelas reações emocionais e tristeza profunda, são também doenças que nos levam ao isolamento e que afetam o relacionamento familiar e social. A nossa fé é testada na felicidade e na desgraça.

Quando formos afligidos por doenças, recorremos aos hospitais para os médicos nos auscultarem e prescreverem medicamentos adequados. Mas devemos ter a convicção de que não ´são os médicos ou os medicamentos que irão curar os nossos sofrimentos. Tenhamos a confiança de que a cura virá através da vontade de Allah, porque foi ele que criou a doença e também a cura para cada doença. O Profeta Muhammah (Salalahu Aleihi Wassalam) referiu: “Não existe doença que Allah tenha criado, sem que Ele, o Altíssimo, também tenha criado o seu tratamento. O Cur’ane é uma cura para as doenças e uma orientação para atenuar os problemas da humanidade. “E Nós enviamos o Cur’ane, que é uma cura e uma misericórdia para aqueles que acreditam”. Cur’ane 17:82.

O Capítulo de Abertura do Cur’ane, o Surat Fátiha, também chamado de Ash-Shifá e Ar-Ruqyah (a cura e o remédio), é um valioso meio para a nossa cura. Abdul Malik Ibn Umair (Radiyalahu an-hu), referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “No Surat Fatiha, existe uma cura para todas as doenças”. Os três últimos capítulos do Cur’ane, contêm versículos milagrosos para nos protegerem da doença, do medo, do mau olhado e da depressão. Aisha (Radiyalahu an-há) relatou: “Quando o Profeta de Allah pretendia ir dormir, todas as noites recitava o Surat Ikhlas, Surat al-Falaq e o Surat an-Nas e depois soprava sobre as palmas das mãos e passava-os pelo rosto e pelo todo o corpo onde as mãos podiam alcançar. E quando ele ficou doente, ele pedia-me para assim fazer para ele”. Bhukari 71: 644.

As doenças graves, o desequilíbrio emocional e o desconforto provocado pela dor, podem colocar a nossa fé em causa. “Certamente que vos poremos à prova mediante o temor, a fome, a perda de bens, das vidas…” Cur’ane 2:155. O sofrimento um dia terminará. Mas enquanto nos faz companhia, não vale a pena revoltarmo-nos contra tudo e todos, inclusive contra o Criador de todas as coisas. Nada nos resolve, antes pelo contrário, lamentar e perguntar: “Porque eu?”. Com a paz, a tranquilidade e a paciência, devemos procurar encontrar soluções para as nossas doenças, pensando sempre que nada é eterno. A recordação de Allah, o nosso Criador e Prote]ctor, alivia o nosso sofrimento porque “Na verdade, a lembrança de Allah (dhikr - invocando-O, recitando o Seu nome), fazem o coração encontrar a tranquilidade e a satisfação”. Cur’ane 13:28. 

Disse o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam): ”… O crente que for afligido por qualquer dano, causado por doença ou por qualquer outro inconveniente, Allah irá remover os seus pecados, como uma árvore que perde as suas folhas”. Bukhari 70:564. Os que têm fé em Allah e na Vida Futura, suportam melhor a dor, o sofrimento e a doença. Encontram em Allah, o bálsamo necessário para a dor do corpo e para a tranquilidade do espírito.

Ibrahim (Aleihi Salam) disse ao seu pai idólatra: “(Foi Allah) Quem me criou e é Ele que me guia. E é Ele que me alimenta e me dá de beber. E quando estou doente, é Ele que me cura. E é Ele que fará com que eu morra e depois me trará à vida. E a Quem eu espero, me perdoará os pecados no Dia da Recompensa”. Cur’ane 26: 78 a 82. SubhanaAllah!

O rancor, a inveja, a ingratidão, o orgulho e outros males equiparados, são doenças dos arrogantes, dos que pensam serem mais importantes que os seus semelhantes, quando na realidade não são nada, a não ser um conjunto de carne, ossos e de líquidos, mas que a Misericórdia Divina lhes deu forma e vida. Eles violaram os princípios da fraternidade e se afastaram do Criador. A estes Allah refere que “…poucos dos Meus servos são agradecidos”. Cur’ane 34.13. 

As doenças do espírito afetam uma parte significativa das pessoas que deixaram de acreditar de que não há outra divindade senão Allah. Têm posses e pensam ser intelectuais. Perderam a fé, vivem desafogadamente e convencidos que tudo lhes pertence, mas na realidade lhes foi dado por empréstimo. Um dia partirão desde mundo tal como vieram, isto é, nus, sem direito a levarem nada para a outra vida, senão acompanhados das suas reais ações. Porque A Allah pertence tudo o que existe nos céus e na terra e para Ele todos retornaremos.

Como seguir este Atributo de Allah? Sempre que possível, visitar os doentes que se encontram nos hospitais ou nas suas casas. Os anjos pedem bênçãos para os que visitam e confortam os doentes conhecidos ou desconhecidos. As visitas ajudam o doente a suportar a dor. Os visitantes devem fazer duahs para eles, recomendando-lhes a paciência e fé em Allah Subhanahu Wataala, lembrando-lhes que as doenças são uma forma de expiação dos pecados, como o fogo que queima a ferrugem do ferro e o tornam puro. Providenciar condições para que os doentes necessitados possam recorrer aos cuidados médicos e terem medicamentos. Se não tivemos condições financeiras para isso, recorramos a outros irmãos nossos conhecidos. No Dia do Julgamento, ficaremos surpresos por vermos tamanhas bênçãos que irão ajudar a cobrir as nossas falhas. A promessa de Allah é verdadeira.

Wa ma alaina il lal balá gul mubin" "E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem". Surat Yácin 36:17.

A paz, as bênçãos e misericórdia de Allah estejam com todos.

sexta-feira, abril 10, 2020

Não há compulsão

Ninguém deve ser forçado a acreditar no Islã  Deus o Altíssimo diz no sagrado Alcorão: "Não há compulsão no que diz respeito à religião." (Alcorão Sagrado: 2/25)

Como afirmado no versículo, ninguém pode ser obrigado a viver pela moral islâmica. Transmitir a existência de Deus e a moral do Alcorão a outras pessoas é um dever para os crentes, mas eles chamam as pessoas para o caminho de Deus com bondade e amor e nunca as forçam. Somente Deus é quem guia as pessoas para o caminho certo. Isso está relacionado no seguinte versículo: “Você não pode guiar aqueles que gostaria, mas Deus orienta aqueles que Ele deseja. Ele tem o melhor conhecimento dos guiados. (Alcorão Sagrado 28: 56)

● Liberdade de pensamento e religião são fundamentais

O Alcorão fornece um ambiente em que as pessoas podem desfrutar plenamente da liberdade de pensamento e de religião e permite que as pessoas vivam pela fé e pelos valores em que acreditam. Segundo o Islã, todos têm o direito de viver livremente de acordo com suas crenças, sejam elas quais forem. Quem quiser apoiar uma igreja, uma sinagoga ou uma mesquita deve estar livre para fazê-lo. Nesse sentido, a liberdade de religião, ou liberdade de crença, é um dos princípios básicos do Islã. Sempre existe liberdade religiosa onde quer que os valores morais do Alcorão prevaleçam. 

É por isso que os muçulmanos também tratam judeus e cristãos, descritos no Alcorão como "o Povo do Livro", com grande justiça, amor e compaixão.

Deus o Altíssimo diz no sagrado Alcorão:“Deus não proíbe que você seja bom com aqueles que não lutaram com você na religião ou o expulsou de seus lares, ou de ser justo com eles. Deus ama aqueles que são justos."(Surat al-Mumtahana, 8)

● Competir entre si em fazer o bem

Os muçulmanos que compartilham esses valores básicos acreditam na necessidade de agir em conjunto com cristãos e judeus. Eles, portanto, se esforçam para eliminar preconceitos decorrentes de provocações de incrédulos e fanáticos. Judeus, cristãos e muçulmanos devem se esforçar juntos para espalhar virtudes morais pelo mundo.

Deus afirma explicitamente que a existência de pessoas de diferentes crenças e opiniões é algo que devemos reconhecer e acolher de bom coração, pois foi assim que Ele criou e predestinou a humanidade neste mundo: “Nós designamos uma lei e uma prática para cada um de vocês. Se Deus quisesse, Ele faria de você uma comunidade única, mas queria testá-lo sobre o que aconteceu com você. Então, competem entre si em fazer o bem. Cada um de vocês retornará a Deus e Ele o informará sobre as coisas pelas quais você diferiu." (Surat al-Ma'ida, 48)

Em reconhecimento a esse fato, os muçulmanos têm um amor e compaixão interior por pessoas de todas as religiões, raças e nações, pois os consideram como criaturas de Deus neste mundo e os tratam com um sincero respeito e amor. Essa é a própria base das comunidades administradas pela moral islâmica.

Os valores do Alcorão consideram um muçulmano responsável por tratar todas as pessoas, sejam elas muçulmanas ou não muçulmanas, gentil e justamente, protegendo os necessitados e inocentes e "impedindo a disseminação do mal", e todas as formas de anarquia e terror que removem segurança, conforto e paz.

"Deus não ama a corrupção".(Surat al-Baqara, 205)

Fonte: Mesquita Sumayyah Bint Khayyat

terça-feira, abril 07, 2020

Momentos inspiradores de isolamento no Alcorão Sagrado

Prezados Irmãos,

Saúdo-vos com a saudação do Islão, "Assalam alaikum",(que a Paz esteja convosco), que representa o sincero esforço dos crentes por estender o amor e a tolerância entre as pessoas, seja qual for o seu idioma, crença ou sociedade.

O mundo parece estar quase completamente parado - sem fim à vista. O Coronavírus continua tirando vidas e perturbando as vidas de milhões em todo o mundo — os mais vulneráveis são perdidos, os meios de subsistência são tirados, pois muitos ficam sem emprego, e os bloqueios em todo o país têm muitos em desespero e assustados com o que o futuro pode trazer.

Estar ou sentir-se isolado pode ser mentalmente (e fisicamente) difícil - e pode, facilmente, levar a uma perda de saúde mental e espiritualidade. Num esforço para ajudar a reacender a esperança, a fé e a saúde, nós muçulmanos, devemos - como sempre - recorrer ao Alcorão Sagrado para obter orientação. Aqui estão apenas alguns exemplos do Alcorão Sagrado, quando Deus fornece um exemplo de profundo isolamento ou solidão, e como podemos usar esses exemplos para superar a nossa própria solidão ou isolamento: 

Profeta Jonas (Yunus a.s.) “E, de fato, Yunus era um dos Mensageiros. 

Quando ele fugiu para o navio carregado, ele foi sorteado (para apurar quem seria lançado ao mar) e ele foi dos perdedores. Então o (grande) peixe engoliu-o, enquanto ele se censurava culpado. E se ele não fosse daqueles que exaltam Deus, ele teria permanecido dentro de sua barriga (do peixe) até o Dia em que serão ressuscitados”.[Alcorão, 37: 139-144].

Nesta passagem do Alcorão, a história do Profeta Yunus é explicada - tendo sido engolido por um peixe grande (ou baleia), Yunus estava definhando dentro da barriga, pelo que lhe parecia uma eternidade. A parte mais importante dessa passagem, no entanto, é quando o Alcorão declara: "se ele não fosse daqueles que exaltam Deus, ele teria permanecido dentro de sua barriga até o dia em que serão ressuscitados". Isso é um lembrete para todos nós - nunca devemos esquecer Deus, mesmo em nossos momentos mais sombrios ou solitários - e só então podemos ser ajudados e salvos por Ele. 

Maria (Maryam) “Então ela [Maryam] concebeu-o e isolou-se com ele num lugar remoto (para esconder a gravidez). E as dores do parto levaram-na ao tronco de uma tamareira. Ela disse: ‘Tomara que eu tivesse morrido antes disto e ficasse completamente esquecida!’. Então, uma voz por baixo dela a chamou: ‘Não te aflijas! Sem dúvida, o teu Senhor providenciou debaixo de ti um riacho. E agita em tua direção o tronco da tamareira; cairão sobre ti tâmaras frescas, maduras. Então, come, bebe e refresca os teus olhos (ao veres o filho). E se vires vir alguém (te questionando), diz: 'Na verdade, fiz um voto de silêncio ao Misericordioso, por isso não falarei hoje com pessoa alguma'”. [Alcorão, 19: 22-26].

A história de Maryam, mãe do Profeta Jesus (Issa a.s.), sempre será uma inspiração para todos - e o Alcorão lembra-nos que mesmo ela, nos seus momentos de parto, sentiu as dores e o desespero de estar sozinha. Embora a comunidade à sua volta a castigasse por seu filho, Maryam permaneceu forte e com plena fé - mostrando que também nunca devemos desistir de esperança, mesmo que o mundo inteiro pareça estar dando as costas para nós.

Profeta José (Yussuf a.s.)

“E algumas mulheres da cidade comentavam: ‘A esposa do governador prendeu-se apaixonadamente ao seu servo e tentou seduzi-lo. Certamente, vemo-la em evidente erro ... . Então, quando ela se inteirou de tais falatórios, convidou-as à sua casa e lhes preparou um banquete, ocasião em que deu uma faca a cada uma delas (para cortar fruta); de seguida, disse (a José): Apresenta-te perante elas! E quando o viram, extasiaram-se, à visão dele, chegando mesmo a ferir as suas próprias mãos, e disseram: Glória para Deus! Este não é um ser humano; não é senão um anjo nobre. Então ela (a esposa do governador) disse: ‘Eis aquele por causa do qual me censuráveis; e eis que tentei seduzi-lo contra a vontade dele, mas ele resistiu. Porém, se não fizer tudo quanto lhe ordenei, juro que será encarcerado e será um dos vilipendiados. Disse (Yussuf): Ó Senhor meu! É preferível o cárcere ao que me incitam; porém, se não afastares de mim as suas conspirações, poderei ceder a elas e serei um dos néscios’. E o seu Senhor o atendeu e afastou dele as conspirações delas; na verdade, Ele é o Ouvinte, Sábio”. [Alcorão, 12: 30-34].

A história do Profeta Yussuf (a.s.) é uma das mais conhecidas - recusando os avanços da bela esposa do governador Al-Aziz, um dos ministros-chefes do antigo Egipto, Yussuf prefere ser jogado na prisão do que aceitar cometer um pecado. O Profeta Yussuf (a.s.) ainda pede a Deus, dizendo: "Se Tu não afastasses de mim o plano delas, eu poderia inclinar-me para elas e, portanto, ser um dos ignorantes" - o que significa que mesmo ele tinha medo de suas próprias tentações, e olhou para Deus e Deus salvou a ele e a sua fé. E isso continua sendo uma parte importante para todos os crentes - às vezes uma forma de prisão, isolamento ou solidão é o que é melhor para nós, afinal Deus é o único que pode nos salvar dos pecados e vícios deste mundo.

Devemos sempre lembrar a nós mesmos que Deus sabe melhor, mesmo se sentirmos que estamos numa prisão deste mundo.

Hajar (Hagar a Escrava Egípcia de Sara que coabitou com Ibrahim AS)

Na verdade, as colinas de As-Safa e Al-Marwa fazem parte dos rituais (estabelecidos) de Deus; e, quem peregrinar à Casa (Hajj), ou cumprir a Umrah, não cometerá pecado algum em percorrer a distância entre elas. E quem fizer espontaneamente além do que for obrigatório, saiba que Deus é Retribuidor, Sábio.” [Alcorão, 2: 158] ... “Ó Senhor nosso! estabeleci parte da minha descendência num vale inculto perto da Tua Sagrada Casa, para que, ó Senhor nosso, observem a oração; faz com que os corações das pessoas se inclinem afetuosamente para eles, e agracia-os com os frutos, afim de que Te agradeçam”. [Alcorão, 14:37].

Estes versículos do Alcorão Sagrado aludem à história de Hajar, a esposa do Profeta Abraão (Ibrahim a.s.), quando ela estava sozinha no deserto, procurando freneticamente água. A sua fé e determinação foram aprisionadas para sempre na corrida entre as duas colinas, realizada durante Hajj e Umrah. A explicação, ou tafsir, é a seguinte (The Study Quran, Seyyed Hossein Nasr, 2015): “Safa e Marwah são duas colinas próximas à Caaba, entre as quais os peregrinos passam ou "se apressam" sete vezes, uma prática que, segundo o relato islâmico tradicional, é dita voltar à história de Hajar e Ismael.

Depois que Ibrahim (a.s.), seguindo o Mandamento de Deus, os trouxe para aquele lugar e os deixou lá (Gênesis 21), Hajar correu, freneticamente, de uma colina para outra sete vezes, a fim de procurar água para Ismael. Chamado de Sa'i, esse movimento está no meio do percurso entre caminhar e correr. Embora essa tenha sido a ação de Hajar, os Muçulmanos consideram parte dos rituais da Peregrinação, porque se originou com Ibrahim (a.s.), que construiu a Caaba com Ismael (a.s.) depois que este se tornou adulto e a prática foi continuada pelo Profeta Muhammad (s.a.w.)”.

A história de Hajar, quando ela é deixada sozinha, sem nenhum conforto físico, permanece uma recordação importante para todos nós sobre a importância da fé e da determinação - não importa o quão isolados possamos nos sentir, nunca devemos desistir de nossa fé em relação a Deus e a Sua misericórdia.

Pessoas da Caverna

“Ou pensas, acaso, que os Companheiros da Caverna e a Inscrição formam algo extraordinário dentre os Nossos sinais? Recorda de quando um grupo de jovens se refugiou na caverna, dizendo: Ó Senhor nosso! Concede-nos a Tua misericórdia (especial), e reserva-nos um bom êxito no nosso assunto! Então, adormecemo-los na caverna durante anos. Depois, despertamo-los, para assegurar-Nos de qual dos dois grupos sabia calcular melhor o tempo que haviam permanecido ali.

Narramos-te a sua verdadeira história: Eram jovens, que acreditavam em seu Senhor, pelo que os aumentamos em orientação. E robustecemos os seus corações; e quando se ergueram, disseram: Nosso Senhor é o Senhor dos céus e da terra e nunca invocaremos nenhuma outra divindade em vez d'Ele; porque, com isso, proferiríamos extravagâncias. Este nosso povo adora outras divindades, em vez d'Ele, embora não lhes tenha sido concedida autoridade evidente alguma para tal. Haverá alguém mais iníquo do que quem forja mentiras acerca de Deus?” [Alcorão, 18: 9-15].

Embora este seja apenas um pequeno trecho da história mais longa do Povo da Caverna no Alcorão, isso sempre será um dos mais inspiradores dos milagres e da beleza de Deus. Mais tarde, o Alcorão declara: “E (uns dizem) eles permaneceram na sua caverna por trezentos anos, e (outros) aumentaram nove (309 anos do Calendário lunar)”. [Alcorão, 18:25]... (E se os houvesses visto), terias acreditado que estavam despertos, apesar de estarem dormindo, pois Nós os virávamos, ora para a direita, ora para a esquerda, enquanto o seu cão dormia, com as patas estendidas, na entrada da caverna. Se os tivesses visto, terias retrocedido e fugido, e ter-te-ias enchido de medo deles”. (Alcorão,18:18).

As pessoas da Caverna emergiram de seu sono com mais fé e conhecimento em torno da adoração a Deus, apesar do sono longo e assustador que durou centenas de anos.

O que podemos tirar disso é uma melhor compreensão da paciência e da fé - muitas vezes o que não gostamos na vida é o que é melhor para nós, pois Deus é o Melhor de todos os Planejadores.

Devemos lembrar que, apesar dos períodos de isolamento, desespero ou solidão, sempre teremos Deus - que é tudo o que precisamos na vida.

— «Todos os nossos males vêm de não podermos estar sós. Daí, o jogo, o luxo, a dissipação, o vinho, as mulheres,a ignorância, a maledicência, a inveja, o esquecimento de si mesmo e de Deus».

segunda-feira, março 30, 2020

Prepare-se sua Mente para o melhor - Comvida20

Queridos, a partir de hoje vamos parar de promover o nome do vírus da pandemia, da doença!  Utilizem o “comvida-20” como remédio eficaz da PNL. Antivírus para cura: *COMVIDA-20*. " criamos o antivírus “comvida-20”, que combaterá as trevas íntimas, as dores da alma, as loucuras do egoísmo, da vaidade e da perversão e todas as doenças.

O “comvida-20” o nome dado para que todos vibrem e se imunizem fortalecendo as suas resistências interiores.

O “comvida-20” será a base de renovação, onde ao pensar nele, você estará se higienizado, e consequentemente os que estiverem ao seu lado, e consequentemente os ambientes e os objetos ao redor.

Não queiras entender tudo, apenas falem, respirem e exalem o antivírus “comvida-20”.
...Expulsem qualquer temor, fobia, estresse, medo ou sensação de ansiedade e desprovimento.

Relaxem e aproveitem o momento de profunda transformação, onde o salto quântico das mentes será irrevogável.

*A partir do recebimento desta mensagem, não falem mais do vírus,( citar o nome) mas do seu antivírus,* *substitua no seu dicionário íntimo por “comvida-20”.* . Sejam médicos das vossas almas. Sejam governantes dos vossos passos.

*Todos os dias, o “comvida-20” terá um ápice de maior irradiação.*

Plasmem o pensamento com o antivírus *comvida-20*, que é energia de proteção, de amor, de saúde. Lancem esse mantra para todos na sua casa.

Diz Allah SW no Alcorão Sagrado: 

Jamais acontecerá calamidade alguma, senão com a ordem de Deus. Mas, a quem crer em Deus, Ele lhe iluminará o coração, porque Deus é Onisciente. Alcorão sagrado Surta 64 Aya 11.

Ele foi Quem infundiu o sossego nos corações dos fiéis para acrescentar fé à sua fé

Ele foi Quem infundiu o sossego nos corações dos fiéis para acrescentar fé à sua fé.

A Deus pertencem os exércitos dos céus e da terra, porque Deus é Prudente, Sapientíssimo. Alcorão sagrado Surta 48 Aya 4.

21 Emulai-vos, pois, em obter a indulgência do vosso Senhor e o Paraíso, cujas dimensões igualam as do céu e da terra, reservado para aqueles que cede a quem Lhe apraz, porque é Agraciante por excelência.

22 Não assolará desgraça alguma, quer seja na terra, quer sejam a vossas pessoas, que não esteja registrada no Livro, antes mesmo que a evidenciemos. Sabei que isso é fácil a Deus. Alcorão sagrado Surata 57 Aya 21 , 22.

A paz esteja convosco.

terça-feira, março 24, 2020

NÃO AMALDIÇOE O CORONAVÍRUS COVID-19


  • Pois, este minúsculo vírus trouxe de volta a humanidade.
  • Trouxe de volta as pessoas ao seu Criador e à sua moral.
  • Fechou bares, boates, bordéis, cassinos.
  • Reduziu as taxas de juros.
  • Reuniu famílias.
  • Travou o comportamento obsceno.
  • Travou de as pessoas comerem animais mortos e proibidos.
  • Até agora, transferiu um terço das despesas militares para a assistência médica.
  • Países árabes proibiram de fumar a "Shisha" vulgo "Narguilah".
  • Coronavírus está empurrando as pessoas a fazer preces.
  • Mina os ditadores e os seus poderes.

Os humanos agora estão adorando ao Criador, em vez de progresso e tecnologia. Está forçando as autoridades a olhar para as suas prisões e os prisioneiros. Está ensinando aos seres humanos como proceder ao espirrar, ao bocejar e ao tossir, como foi ensinado pelo Profeta Muhammad SAWS há mais de 1441 anos.

O coronavírus está nos fazendo ficar em casa, vivendo uma vida simples e agradecermos ao Criador, por nos acordar para a realidade e por nos dar a oportunidade de pedir o perdão e a ajuda do Criador.

HÁ UMA GRANDE LIÇÃO PARA AQUELES QUE RACIOCINAM.
Fonte: Whatsap: Mensagem de um ex-deputado do Egito

SERENIZE SEU CORAÇÃO

"Não é frieza, é confiança. É reverência ao Poder do Criador".

Quando Ele "fala" , faço minha parte e me calo..."Inimigos externos" pra mim são sinais que devo deixar as lutas materiais de molho para dialogar mais tempo com os "inimigos internos" como o medo, o egoísmo, a desesperança, o apego, a raiva, os julgamentos severos... e outros tantos.

O tempo não é de procurar culpados, nem teimosias imaturas e pirracinhas infantis, e sim de confiar, faxinar por dentro, equilibrar...Os sinais estão muito claros, e para mim, o momento atual não foi tão imprevisto assim.

Tem um ditado popular que fala que "pelo andar da carruagem" , já se sabe o que vem dentro".E com a humanidade não é diferente. Do jeito que estamos nos distanciando do outro e de nós,a possibilidade de uma " balançada " já era prevista para muitos de nós.

E a hora do" balanço" chegou. Cabe a nós mantermos os cuidados, a obediência sensata, a calma e esperar passar. Porque vai passar. Ficar se debatendo é lutar na areia movediça.
Não é nada fácil ? Não , não é! Mas esse é o verdadeiro Empoderamento ( para mim).Poder sobre sua mente,seus sentimentos, sobre o que lhe cabe, e nada mais! Nós não temos controle de nada. E talvez seja isso que esteja apavorando mais o homem....talvez!

As lições estão sempre sendo disponibilizadas pelo Universo...só não aprende quem não sentar no banquinho da humildade , olhar pra dentro e reorganizar as gavetas da alma...

Não reclame tanto por ficar um tempinho em casa. Agradeça! Muitos não tem nem casa pra ficar ...tem coisas muito" piores "por aí!

(Texto de Luciene Rosa)

domingo, março 22, 2020

O que os Muçulmanos (os submissos à Vontade de Deus) podem alcançar na Era do Coronavírus?

Prezados Irmãos,

Saúdo-vos com a saudação do Islão, "Assalam alaikum", (que a Paz esteja convosco), que representa o sincero esforço dos crentes por estender o amor e a tolerância entre as pessoas, seja qual for o seu idioma, crença ou sociedade.

Alguém poderia argumentar que, entre coisas como enfatizar a compaixão, dar esmolas e atenção às necessidades dos pobres e incapacitados, o Islão pode oferecer um sentido especial do julgamento que estamos a enfrentar. Os bairros estão trancados, as fronteiras são fechadas e as escolas e os locais de trabalho são encerradas - essas são rupturas sísmicas à labuta usual da vida moderna que nos atingiu em cascata, de maneiras novas e profundas.

De repente, exposto diante de nós, está uma realidade com a qual temos sido tímidos demais para enfrentar: o modo como nós permitimos, passivamente, que as nossas vidas se tornem imersas e emaranhadas - ao ponto de dependência - numa ordem vasta e elaborada de instruções que diminuem a nossa humanidade. Abruptamente, apesar de nossa dependência infantil dessa ordem, somos instruídos a "ficar em casa" com as nossas famílias - e talvez mais detestadamente, com nós mesmos.

Enquanto muitos reagiram à imposição deste purgatório coletivo com angústia e apreensão, 'ficar em casa' é, de facto, uma enorme misericórdia.

Não sabemos por quanto tempo devemos suportar essa sentença - um mês, talvez três -, mas por um tempo, pelo menos, recebemos um "tempo de descanso" para retornar às nossas raízes e semear as planícies áridas de nossos cansados corações com as sementes da oração e da fé. Um tempo para retornar a Deus, contar as Suas bênçãos e valorizar, com pais e filhos, as medidas comuns de graça que compartilhamos. Al hamdulillah (Louvado seja Deus).

Um tempo para penitência e prostração, para dhikr (recordação) e invocação, e para agradecer.

Esse "tempo de descanso" é conhecido na nossa tradição como "khalwa" ou retiro espiritual. Foi praticado por nosso amado Profeta, paz e bênçãos sobre ele, que periodicamente se retirava da sociedade de Makkah (Meca) para retiro espiritual na caverna de Ḥirā, onde a primeira Revelação Alcorânica foi recebida.

O motivo da caverna aparece, novamente, em contexto semelhante na Surat al-Kahf (A Caverna), com os sete 'fityān' (jovens cavalheirescos): “Quando os jovens se refugiaram na caverna, disseram: ‘Ó Senhor nosso! Concede-nos uma misericórdia (especial) da Tua parte e prepara-nos a ter uma orientação recta acerca de nosso caso'.”(Alcorão, 18:10).

O simbolismo da caverna, que está alojado no ventre da terra, ainda é, de alguma forma, acessível (servindo como um refúgio conveniente para procurar retiro do mundo e permanecer próximo a ele) reflete o dualismo da vida espiritual, que tem sido descrito como a "interiorização do exterior".

Este Versículo Alcorânico tem dois conceitos, o retiro (khalwa) e a 'exteriorização do interior' (jalwa). O primeiro conota o retiro espiritual, onde pela oração e invocação interiorizamos e reconciliamos as impressões rebeldes do mundo sobre nós, reduzindo-as à unidade.

O segundo conota um florescimento subsequente do coração em paz com o seu Senhor, uma efusão externa de realidades interiores, iluminadas pelo Divino. Deus diz no Alcorão: "E distancia-te daqueles que tomam a sua religião por brincadeira e divertimento, e aos quais a vida mundana enganou". (6:70).

Desconectados da natureza como somos, o confinamento nos nossos lares vem como uma dispensação atual da caverna - alojada no meio do nosso contexto social, mas totalmente desconectada dela. Estamos em casa com as nossas famílias, nós mesmos e o nosso Senhor - um confinamento de morar com os dons da vida que Deus concedeu, enquanto desconectados das diversões das pessoas rebeldes e das distrações da vida moderna. Com sincera contemplação e oração, talvez a graça e o ser de Deus sejam revelados, mais uma vez, às nossas almas distraídas e auto-absorvidas.

Poderíamos dizer que é providencial, então, que o corona vírus tenha nos visitado este confinamento - este khalwa (retiro) - durante o mês sagrado de Rajab, o começo do nosso rejuvenescimento espiritual anual (até o mês sagrado do Ramadão) e um tempo em que as sementes da oração e devoção são semeadas na esperança de vendo-os florescer. Assim, talvez a nossa postura durante o tempo do corona vírus não deva ser de angústia e resignação, mas de alegria e esperança.

Que o nosso retiro seja um tempo de florescimento humano - de oração e contemplação, leitura e aprendizagem, reflexão e escrita, caridade e ação de esmolas, servindo aos pais, idosos e necessitados, ensinando e brincando com as crianças. E imerjamos de nosso confinamento - um mês, ou talvez três  com a luz de Deus firmemente empoleirada nos nossos corações. In cha Allah (se Deus quiser). 

Obrigado. Wassalam (Paz). - M. Yiossuf Adamgy

Diretor da Revista Islâmica Portuguesa AL FURQÁN