sábado, dezembro 24, 2011

O que diz o Alcorão sagrado sobre o corpo-humano e a criação!


2. O coccis

O cóccis é o ultimo osso da coluna vertebral. Foi mencionado, em vários hadiths, que este osso é a origem dos humanos e a semente pelo qual eles serão ressuscitados no dia do juízo final também foi dito de que esta parte não se decompõe na terra. 1-Abu Huraira, relatou que o Profeta(SAAS) disse: “Todo filho de Adão será comido pela terra exceto o cóccis do qual ele foi criado e do qual será ressuscitado.” (Relatado por Al Bukhari Annassaí, Abou Daud, Ibn Majah eAhmad).
2- Também foi relatado por Abu Huraira, que o Profeta (SAAS) disse: “ Há um osso no filho de Adão que a terra nunca comerá.” Perguntaram: “Qual deles? Profeta de Allah” O Profeta respondeu: “É o cóccis.” Relatado por Al Bukhari e Malek.
Os hadithes anteriores são claros e contém os seguintes fatos:

1-Humanos são criados a partir do cóccis.

2-O coccis não se decompõe na terra.

3-No dia do juízo começará a ressurreição pelo osso coccis.


A realidade científica

Passos da formação do feto
A divisão celular e o crescimento continua de tal forma até que ocorra a formação do disco embrionário, o qual contém duas camadas:

• Epiblasto externo: contém o citotrofoblasto que fixa o embrião na parede do útero que permite sua nutrição do sangue e secreções das glândulas da parede uterina.

• Hipoblasto interno: Através deste o feto é formado com a vontade de Deus todo poderoso. No décimo quinto dia a linha primitiva aparece na parte dorsal do embrião com um final pontudo denominado nó primitivo.

O lado pelo qual a linha primitiva aparece é conhecido como o dorso do disco embrionário. Da linha primitiva todos os tecidos e órgãos do feto são formados da seguinte forma:
• Ectoderma: dá origem à pele e ao SNC (sistema nervoso central)
• Mesoderma: origina os mm (músculos) de tubo digestório, os mm esqueléticos o sistema circulatório, o coração, os ossos, sistemas sexual e urinário ( com exceção da bexiga), os tecidos subcutâneos, o sistema linfático, o SLPEEN e o córtex.

• Endoderma: revestimento (forro) do s. digestório, o s. respiratório, órgãos do s. digestório ( ex: fígado, pâncreas), a bexiga, glândula Tireóide, o canal auditivo.

Depois disso, a linha primitive e o nó primitivo torna-se magro e transforma-se na zona sacral, na última vértebra, para que o cóccix seja formado.
Concluindo, a linha primitive e o nó primitivo representam o cóccix que o profeta (SAAS) nos falou (1).

A Má formação do feto é a prova de que o coccis possui as células mães para todos os tecidos do organismo humano:
Após a criação e formação do feto (a partir) da linha primitiva e nó primitivo, estes localizam-se (REISIDE) na última vértebra do sacro (o coccis) e mantém suas características. Se estes forem removidos de alguma forma, começarão a crescer similarmente ao crescimento do feto e darão ao feto um tumor (Teratoma) caracterizado por um feto defeituoso com órgãos formados (mãos e pés com unhas). Por tanto, o sacro contém células mães que provam o que o profeta (SAAS) disse sobre a ressurreição dos humanos pelo cóccis no dia do juízo final.

Conclusão: o cóccis contém a linha primitiva e o nó primitivo que são capazes de crescerem originando as três camadas que darão origem ao feto: ectoderma, mesoderma, endoderma que formarão todos os órgãos como o cirurgião demonstrou previamente ao abrir o tumor mencionado que formou órgãos bem formados tais como dentes, cabelo.

Os humanos podem ser recriados pelo cóccis graças ao nó primitivo e linha primitiva contidas nele (of the overall potential) (2).

Com isso o cóccis não pode se decompor:
Pesquisas descobriram que a formação e organização celular do feto é exercida pelo nó e linha primitiva e que antes da formação de ambas nenhuma célula conseguiria se diferenciar. Uma das pesquisas mais famosas que provou este fato foi descoberta pelo cientista alemão Hans Spemann.

Após ter feito seus experimentos baseado na linha primitiva e nó primitivo, certificou-se de que estes organizam a criação do feto, então decidiu chamá-los de “organizadores primários. Ele cortou (uma) esta parte de um feto e a implantou em outro no primeiro estágio embrionário ( 3ª a 4ª semana). Como resultado, formou-se um segundo feto no corpo do hospedeiro devido à influência e organização exercida pelas células localizadas ao redor das células do hospedeiro no implante.

O cientista alemão iniciou suas pesquisas nos anfíbios, implantando os organizadores primários em um segundo feto, no qual surgiu um segundo embrião. A implantação do corte dos organizadores primários foi em outro feto da mesma idade debaixo da camada do Epiblasto e surgiu um segundo disco embrionário (embryonic anlage).

Em 1931, quando Spemann triturou (CRUSHED) os organizadores primários e os implantou, o esmagamento não afetou o experimento, mais uma vez um segundo disco embrionário cresceu.(creio q seja isso pela minha interpretação).

Em 1933, Spemann e outros cientistas conduziram o mesmo experimento mas desta vez os organizadores primários foram ”fervidos” mostrando que as células não foram afetadas. Em 1935,

Speman ganhou o Prêmio Nobel pelo seu descobrimento sobre os Organizadores Primários (3).

O dr Othman Al Jilane e o Sheikh Abdul Majid Azzandani realizaram alguns experimentos no mês de Ramadan de 1423 na casa do Sheikh Azzandani em Sanaa.

Uma de duas vértebras de 5 coccis foram queimadas nas pedras utilizando uma pistola de gás por 10 minutos até que ocorra a combustão total ( os ossos ficaram vermelhos e depois pretos).

Colocaram as peças carbonizadas em caixas esterilizadas e as levaram ao mais famoso laboratório de Sanaa (Al Olaki laboratory). O Dr Al Olaki, professor de histologia e patologia na Universidade de Sanaa, analisou as partes e descobriu que as células não foram queimadas e sobreviveram ao fogo ( apenas os músculos, tecidos adiposos e células da medula óssea foram queimadas enquanto às células ósseas dos coccis não foram afetadas) (4).
Escrito por Dr Othman Al Jilani

Referências:
(1)Primitive Streak During the development usually on day 15, a thickened linear band of Epiblast known as the primitive streak appears caudal in the midline of the dorsal aspect of the embryonic disc

It is clearly visible as narrow groove with slightly bulging regions on either side KEITH L. MOOR. The Developing Human, page 54 Human Embryology, 4th edition, page 69

(2)Teratoma: Contain representative cells from all three embryonic layers (Ectoderm, Mesoderm, Endoderm) and containing hair, teeth, muscle, glands… The precise origin of teratoma probably from migrating totipotential cells found in proximity to the hensens node in the early embryo.The peak incidence is in the third and fourth decades.

1-SHO practice of surgery page 102

2- Sabiston-text book of surgery 16th edition page

(3)Human embryology 4th edition page 196

(4)Summary of research work presented by Dr Othman Aljilani in the 7th conference of scientific miracles in The Koran and The Sunna (Dubai 2004)

http://islam.com.br/inicio/artigos/o-que-diz-o-alcorao-sagrado-sobre-o-corpo-humano-e-a-criacao

ERA UMA VEZ EM ANDALUZIA


Por Dr. Abdellatif Charafi

Este artigo pretende ser uma viagem no tempo a um período muito especial da história mundial: do nono ao décimo terceiro séculos, na Andaluzia, e mais especificamente em Córdoba, onde um milhão de pessoas viviam na maior cidade da Europa, o centro cultural daquela época. Não havia separação rigorosa entre o estudo científico, a sabedoria e a fé. O Oriente estava separado do Ocidente, e nem os muçulmanos dos judeus ou cristãos. Na verdade, foi lá que o Renascimento começou e de lá se expandiu.

Ao examinar a trajetória do Islam na Andaluzia, o objetivo não é louvar um morto ilustre e sim reintroduzir em nossa vida a afirmação dos valores absolutos e universais do Islam, sem os quais a sociedade inevitavelmente se desintegrará.

O Mito da Conquista Muçulmana da Espanha

Mas de quinhentos anos se passaram desde que o Islam foi erradicado da Espanha. O acontecimento foi comemorado com esplendor na Expo 92, em Sevilha, durante a qual, os organizadores tentaram nos fazer crer que a Espanha teria sido formada por mais de sete séculos de luta continuada contra o Islam. Mas a derrota dos muçulmanos, em janeiro de 1492, significou uma libertação para os espanhóis? O califado muçulmano foi uma colonização da Península Ibérica?

Quando estudamos a expansão muçulmana na Espanha espantamo-nos com a sua velocidade, seu aspecto e um modo geral pacífico e seu componente civilizacional. Os muçulmanos levaram menos de 3 anos (de 711 a 714) e uma batalha (de Guadalete, perto de Cadiz) para se espalharem por toda a Espanha. Em contraposição a isto, o Profeta Mohammad levou 23 anos (de 610 a 632) e 19 expedições para que toda a Arábia aceitasse o Islam. Esta diferença no tempo e nos esforços para conquistar a Arábia e a Espanha para o Islam deve-se a afinidades teológicas assim como a razões sócio-culturais e político-econômicas que atraíram os espanhóis.

A Arábia pré-islâmica era predominantemente politeísta, com pequenas comunidades de judeus e cristãos e o Islam teve de lutar contra um “mundo sem lei” (jahiliyya) para que prevalecesse o monoteísmo. A Espanha pré-islâmica era cristã com importantes comunidades judaicas. Esta diferença, de acordo com Roger Garaudy, não só explica a rapidez da expansão como seu tipo também.

W. Montgomery Watt, em A History of Islamic Spain, afirma:

“É um equívoco comum que a guerra santa signifique que os muçulmanos tenham dado aos seus opositores uma escolha “entre o Islam e a espada”. Em alguns casos foi assim, mas somente quando os inimigos eram politeístas e adoradores de ídolos. Para judeus, cristãos e outros “Povos do Livro”, isto é, monoteístas com escrituras – uma sentença que foi interpretada muitas vezes de forma liberal – havia uma terceira possibilidade, eles podiam tornar-se um grupo protegido, pagando uma taxa ou tributo aos muçulmanos para usufruírem de autonomia interna.”

O caso da Espanha não é, portanto, excepcional e isto se deve à verdadeira essência do Islam.

O Profeta nunca pretendeu criar uma nova religião: “Dize-lhes: Não sou um inovador entre os mensageiros.” (46:9) “Nada te foi revelado que não tivesse sido aos mensageiros antes de ti.” (41:43

Ele veio para lembrar às pessoas a Religião Primordial: “Dizei: Cremos em Deus, no que nos foi revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às tribos; no que foi concedido a Moisés e a Jesus e no que foi dado aos profetas por seu Senhor; não fazemos distinção alguma entre eles e nos submetemos a Ele.” (2:136)

O Islam veio para confirmar as mensagens anteriores, para purificá-las das alterações históricas e para completá-las. Diz o Alcorão: “Porém, se estás em dúvida sobre o que te temos revelado, consulta aqueles que leram o Livro antes de ti.” (10:94)

A comunidade muçulmana era uma comunidade aberta, sem distinção para aqueles que acreditavam na unidade e transcendência de Deus.

Além disso, na Península Ibérica irrompeu uma guerra civil entre os cristãos trinitários, que aceitavam a Trindade e a divindade de Jesus, e os cristãos arianos, que não viam Jesus como Deus e sim como um profeta inspirado por Deus. O Concílio de Nicéia, em 325, convocado pelo imperador Constantino para unificar seu império ideologicamente, impôs o dogma da Trindade e condenou os ensinamentos de Anus de Alexandria, que não aceitava tais dogmas. O conflito surgiu quando, em 709, os cristãos unitários declararam Roderick rei. O arcebispo de Sevilha se opôs a ele e os habitantes da atual Andaluzia (Bétique) se revoltaram contra seu governo. Quando Roderick invadiu a Andaluzia, a população procurou por ajuda. O competente general bérbere, Tariq ibn Ziyad cruzou o estreito de Algeciras, e aconteceu a batalha em Guadalete, próxima a Cadiz. Os bispos de Sevilha e de Toledo se juntaram ao exército muçulmano.

Os camponeses tinham uma vida difícil, eram mal tratados e viviam escravizados. A pobreza, corrupção, ignorância e instabilidade estavam por toda a parte. Mesmo os homens livres se sentiam desprestigiados. Havia muitos descontentes e as pessoas comuns viram os muçulmanos como seus libertadores e lhes prestaram todo o apoio possível. Os judeus, que tinham sido perseguidos por muito tempo sob o governo dos visigodos (por exemplo, um decreto especial de 694 previa a escravização de todos os que não aceitassem o batismo), abriram os portões de várias cidades. A satisfação era tão grande e tão disseminada em todas as classes sociais que durante todo o século 8 não se registrou uma única revolta entre os súditos.

Se imaginarmos uma invasão militar, fica difícil compreender como um pequeno exército pôde atravessar toda a Espanha em menos de 3 anos. O historiador Dozy, em Histoire des Musulmans d’Espagne, descreve o envento como uma “coisa boa para a Espanha”, que produziu uma importante revolução social, libertando o país das amarras que prenderam a região por tantos séculos. Os impostos eram muito menores se comparadas àquelas cobrados pelos governos anteriores. Os muçulmanos promoveram uma reforma da terra, tirando do rico e distribuindo-a igualmente aos camponeses e escravos. Os novos proprietários trabalhavam a terra com orgulho. O comércio, livre das limitações e das elevadas taxas que provocavam o seu estrangulamento,floresceu. Os escravos podiam alcançar sua liberdade através de uma compensação justa, algo que trouxe novas energias. Todas estas medidas, diz Dozy, criaram um estado de bem-estar que justificava a boa recepção que tiveram os muçulmanos.

O grande escritor espanhol Blasco Ibanez, em Dans l’ombre de la cathédrale, fala de uma “expedição civilizacional” chegando do sul e não de uma conquista. Para ibanez, não foi uma invasão imposta pelas armas, era uma nova sociedade cujas raízes vigorosas cresciam por toda a parte. Ao descrever os muçulmanos conquistadores, diz ele: ‘O princípio de liberdade de consciência, a pedra angular da grandeza das nações, era muito caro a eles. Nas cidades em que governaram, eles aceitaram a igreja dos cristãos e a sinagoga dos judeus.’

A História, portanto, mostra que a lenda do muçulmano fanático varrendo a Espanha e impondo o Islam à força da espada é um mito absurdo. A expansão do Islam na Espanha não foi uma conquista militar e sim uma libertação.

O Sentido da Vida na Andaluzia

O sentido da vida e seus objetivos na Andaluzia na época de seu apogeu islâmico, ordenava cada ato do cotidiano, assim como da pesquisa técnica e científica. Gigantes espirituais, como os muçulmanos Ibn Rushd (1126-1198), conhecido no ocidente como Averróes, e Ibn Arabi (1165-1240), ou o filósofo judeu Maimônides (1135-1204), são alguns dos homens que trouxeram mais brilho à mensagem da Andaluzia. Este espírito está por trás de todo progresso científico e técnico das séculos dourados do Islam.

A ciência não foi separada da sabedoria e da fé e nada pode expressar melhor este fato do que o observado por Ibn Rush quando escreve:

“Nossa filosofia não serviria de nada se não fôssemos capazes de ligar estas três coisas conforme tentei fazer em minha ‘Harmonia da Ciência e Religião’:

– A Ciência, baseada na experiência e lógica, para descobrir a razão.

– A Sabedoria, que se reflete no objetivo de toda pesquisa científica para que a nossa vida seja mais bela.

– A Revelação, a do nosso Alcorão, porque somente através da revelação é que conheceremos os objetivos finais de nossa vida e nossa história.”

A unidade da tradição abraâmica e a abordagem crítica da filosofia são expressas com a mesma força no trabalho do filósofo judeu Maimônides, que foi contemporâneo de Ibn Rushd. Diante da Torá, na sinagoga, ele disse:

Se para Ibn Rushd o Livro Sagrado não é a nossa Torá e sim o Alcorão, ambos concordamos no que se refere às contribuições da razão e da revelação. São duas manifestações de uma mesma verdade divina. Existe apenas uma contradição quando um é fiel à leitura literal das escrituras, esquecendo-se de seu significado eterno.

Na Andaluzia, o Islam assume uma nova dimensão com Ibn ‘Arabi, apelido de Muhyi al-Din (aquele que dá sua vida pela fé). O que interessava a Ibn ‘Arabi não era o que o homem fala a respeito de sua fé e sim o que esta fé faz por este homem. Diz ele:

Deus é unidade. A unidade do amor, do amante e do amado. Todo amor é um desejo de união. Todo amor, consciente ou inconsciente, é um amor a Deus.
Testemunhe esta presença de Deus dentro de si, da criação de Deus, que nunca cessa. O ato é uma manifestação exterior de fé. O Islam reconhece todos os profetas e mensageiros do mesmo Deus. Aprenda a descobrir em cada homem a semente de um desejo por Deus, mesmo que sua crença ainda seja fraca e algumas vezes idólatra. Ajude a conduzi-lo para a Luz mais completa.

Ibn Rushd esforçou-se para trazer a luz da mensagem universal do Islam, obscurecido pelas tradições, quando definiu a melhor sociedade como ‘aquela onde toda mulher, toda criança e todo homem recebem todos os meios para desenvolver as possibilidades que Deus concedeu a cada um deles.’ O poder de estabelecer isto não será através de uma teocracia, como a dos cristãos na Europa, um poder de cúmplices ou tiranos religiosos : Deus diz no Alcorão, ‘Ele instilou no homem Seu espírito”. Que Ele viva em cada homem!’
Quando indagado sobre as condições de uma tal sociedade, ele respondeu: ‘Uma sociedade será livre e agradável a Deus quando ninguém agir por medo do Prínicpe ou por medo do Inferno, e nem pelo desejo da recompensa deste mundo ou do Paraíso, e quando ninguém disser: Isto é meu.’

O Islam na Andaluzia produziu vários gigantes espirituais que mostraram que não há futuro para a humanidade que não seja dentro dos valores espirituais que emanam da crença na transcendência e unicidade de Deus. Homens como Ibn Massara, de Córdoba (883-931), para quem o homem era responsável por sua própria história; Ibn Hazm, de Córdoba (994-1064), que foi o pioneiro da história comparativa das religiões; Ibn Gabirol, de Málaga (1020-1070), cujo trabalho fundamental foi a síntese da fé judaica e a filosofia de Ibn Massar; Ibn Bajja (1090-1139), que apresentou a filosofia islâmica de uma forma sistemática; Ibn Tufayl, de Cadiz (1100-1185), cujo tema central foi a relação entre a razão e a fé.

Todos esses homens de conhecimento, sabedoria e fé, permanecem como legado de um passado glorioso, quando o verdadeiro Islam foi pregado e praticado; um tempo do belo exemplo de muçulmanos conquistando fama e respeito; um tempo em que estes povos amantes da paz surgiram porque a injustiça estava sendo praticada e deveria ser combatida em nome de Deus com a força que levou um punhado de fiéis à vitória sobre os exércitos dos incrédulos.

O Estilo de Vida em Andaluzia

A Andaluzia foi singular no que se refere às suas realizações tangíveis em todos os campos da vida humana. O ensino foi enfatizado, marcado por uma fascinação pela ciência, literatura árabe e pelo discurso filosófico sobre a razão e a fé. No mundo criado em terras andaluzas, havia uma prosperidade comercial, prosperidade em termos de consumo e de produtividade e intercâmbio. Havia uma riqueza de informação graças às bibliotecas de Córdoba e uma riqueza de pensamento sobre o significado da vida, de Deus e das coisas materiais. E havia poetas que cantavam todas as formas de riqueza.

Limitar-nos-emos a uma breve descrição das conquistas técnicas e científicas, e a um relato mais detalhado da Mesquita de Córdoba porque é um das primeiras expressões monumentais do governo muçulmano e indiscutivelmente um prédio que mais completamente incorpora a imagem da hegemonia muçulmana na Andaluzia.

Conquistas Técnica e Científica

Quando discutimos o progresso científico da Andaluzia, não podemos separá-lo das contribuições de outras grandes civilizações e nem da sabedoria e fé que inspiraram os esforços de todos os pesquisadores andaluzes: a ciência é Única porque o mundo é Único, o mundo é Único porque Deus é Único. Este princípio de tauhid comandou todos os aspectos da pesquisa científica na Andaluza assim como em outras partes do mundo islâmico, em seu período de apogeu. A seguir, algumas conquistas desta filosofia de vida.

A primeira tentativa de vôo aconteceu em Córdoba com Abu Abbas al-Fernass. Al-Zahrawi, nascido nas proximidades de Córdoba, em 936, foi um dos maiores cirurgiões de todos os tempos. Sua enciclopédia de cirurgia foi usada como uma referência na matéria em todas as universidades da Europa por mais de 500 anos. Al-Zarqalli, que nasceu em Córdoba, inventou o astrolábio: um instrumento que é usado para medir a distância das estrelas acima do horizonte. O astrolábio tornou possível a determinação da posição de uma pessoa no espaço e as horas do dia, para navegar e chamar o fiel para a prece no tempo devido.

Al-Idrisi, que nasceu em Ceuta em 1099, e estudou em Córdoba, desenhou mapas para o rei Roger II, da Sicília, onde ele usou métodos de projeção para passar da sombra esférica da terra para o planisfério, que era muito semelhante àquele usado por Mercator 4 séculos mais tarde.

Os métodos de agricultura e irrigação dos muçulmanos da Espanha foram revelados pelo grande engenheiro italiano, Juanello Turriano, que chegou a Andaluzia para estudar técnicas agrícolas e hidráulicas adotadas no século 11, para resolver seus problemas na Itália do século 16.

A Grande Mesquita de Córdoba

Córdoba merece seu título de ‘a noiva das cidades’ e a ‘jóia do século 10′. A cidade das fábricas e lojas, que atraiu muitos exegetas e produziu os seus próprios. Foi a primeira cidade com iluminação pública da Europa. Foi o centro do ensino e da civilização numa época em que os normandos tinham atacado Paris e os vikings tinham saqueado a Inglaterra. Sua obra prima foi a magnífica mesquita, que é a construção mais famosa da Espanha, depois do palácio de Alhambra, em Granada.

As fundações da mesquita foram construídas por Abd al-Rahman I, em 785, num lugar que tinha sido uma igreja cristã. Desde o tempo da conquista, em 711, a igreja era usada tanto por muçulmanos como por cristãos. Os muçulmanos compraram a igreja por causa do crescimento da população e não por uma questão de intolerância religiosa. Entre 832 e 848, ela foi ampliada, e depois em 912, mais tarde em 961, por al-Hakam II, que construiu seu esplêndido mihrab. Al-Mansur, em 987, dobrou o espaço do salão de orações, que passou a dispor de 600 colunas. Em 1236, ela foi atacada quando Córdoba se rendeu a Ferdinando III, de Castela, e inseriu uma capela e, mais tarde, em 1523, quando uma catedral foi construída no coração da mesquita. Conta-se que o rei Carlos V quando viu a nova catedral disse: ‘Se eu soubesse o que era, não teria dado permissão para que se tocasse no antigo, pois vocês fizeram o que existe em muitos outros lugares e desfizeram o que era único no mundo.’

Como podemos ver, apesar da oposição do governo espanhol ao projeto da UNESCO de mudar a catedral como ela é, sem omitir o menor detalhe (como o templo de Abu Simbel no Egito foi mudado), a Mesquita de Córdoba ainda é o reflexo do melhor da arte muçulmana.

O problema prático enfrentado pelo arquiteto da Mesquita de Córdoba para a construção de seu vasto salão para uma grande comunidade, foi levantar o teto do oratório a uma altura proporcional à extensão do prédio, com a finalidade de dissipar qualquer sentimento depressivo que é sentido quando se entra num parqueamento subterrâneo. As antigas colunas das ruínas do prédio não foram suficientes. Era necessário complementá-las e foi sugerido o exemplo de Damasco, com arcadas de dois níveis. Mas o modelo de Córdoba tem um aspecto realmente surpreendente: as arcadas superiores e inferiores não são parte da parede mas foram reduzidas a pilares e arcos sem qualquer alvenaria intermediária. As arcadas superiores que amparam o teto estão sob os mesmos pilares das arcadas inferiores. Este conceito, sem precedente na história da arquitetura e única na Mesquita de Córdoba é um verdadeiro desafio para o peso e inércia das pedras.

As curvas das duas séries de arcadas elevam-se como palmeira – galhos de um mesmo tronco que repousam sobre uma coluna relativamente delgada, sem parecerem pesadas demais. As arcadas com suas pedras trabalhadas, de várias cores, expressam tal força que dissipam qualquer idéia de peso. Esta expressão em termos estáticos de uma realidade que vai muito além do plano material deve-se ao contorno das arcadas. As inferiores são projetadas na forma de semicírculos, enquanto que as superiores são mais abertas e semicirculares.

Muitos arqueólogos sugeriram que a composição dos arcos usados pelo arquiteto de Córdoba foi inspirada no aqueduto romano de Mérida. no entanto, existe uma diferença fundamental entre as duas construções. O arquiteto romano respeitou a lógica da gravidade, o apoio de uma edificação deve ser proporcional ao seu peso e assim, os arcos superiores devem ser mais leves do que os elementos que as apoiam. Para o arquiteto cordobês – e de um modo geral para toda a arquitetura islâmica, esta regra não funciona. Por que?

Para responder a esta pergunta devemos nos abstrair de considerações técnicas e prestarmos atenção à expressão simbólica do espaço na oração muçulmana, que foi o fator mais importante que o ‘Mestre’ de Córdoba teve que se preocupar. O objetivo não era alcançar uma façanha arquitetônica e sim criar um novo tipo de espaço que parecesse respirar e se expandir a partir de um centro onipresente. Os limites de espaço não têm qualquer função: as paredes do salão de orações desaparecem por trás de uma floresta de arcadas. Sua repetição rigorosa (havia 900 delas na mesquita original) dão um impressão de extensão sem fim.

Interior da Mesquita

Aqui, e espaço é delimitado não por suas fronteiras e sim pelo movimento das arcadas, desde que isto possa ser descrito como movimento. Esta expansão que é tão poderosa na verdade é imóvel. Titus Burckhardt a descreve como sendo ‘uma arte lógica, objetivamente estática mas nunca antropomórfica.’

Devemos a al-Hakam II o maravilhoso mihrab, a obra prima da arte de Córdoba, assim como às várias cúpulas que ficam por trás dele, inclusive suas subestruturas de arcadas entrelaçadas. O nicho deste mihrab, que é muito profundo, é circundado em sua parte superior por um arco que é como uma aparição e uma fonte de luz, de onde as curvas parecem se dilatar como o peito respirando o ar do infinito. Segundo a mais elevada espiritualidade muçulmana, a beleza é um dos “sinais” que evocam a Divina Presença. A incrição acima da sinfonia de cores, em escrita cúfica, proclama a Unicidade de Deus.

O mihrab da Mesquita de Córdoba

A Mesquita de Córdoba é a personificação da mensagem universal do Islam. Mohammad Iqbal em seu poema À Mesquita de Córdoba, escreveu:

Ó! Sagrada Mesquita de Córdoba,

Templo de todos os amantes da arte.

Pérola da verdadeira fé

Santificando o solo andaluz,

Como a própria Sagrada Meca.

Uma beleza tão gloriosa

Só se encontra na terra

No verdadeiro coração muçulmano.

Quem Matou o Islam em Andaluzia?

O ensino filosófico e científico da Andaluzia atravessou os Pireneus e foi irrigar as secas pastagens da vida intelectual européia. Estudantes da Europa ocidental frequentavam as bibliotecas e universidades criadas pelos muçulmanos na Espanha, o que veio a mudar de modo decisivo a mente européia. Não há exagero em se dizer que a civilização ocidental deve sua regeneração à energia intelectual liberada pelo dínamo que foi o Islam. O período de regeneração, que começou em Florença, Itália, no século 16, ficou conhecido como Renascimento. Ele foi o resultado direto de um outro renascimento que começou na universidade de Córdoba, no século 9. Esta verdade de nossa história torna-se mais clara quando aprendemos como ouvir a música que emana das pedras de Córdoba. Há, no entanto, uma diferença fundamental entre os dois ‘renascimentos’: o primeiro que, em Córdoba, foi baseado na fé e tinha a consciência da universalidade do divino; o outro, que começou em Florença, foi um movimento contra Deus com seu projeto fundamental de secularização de todos os aspectos da vida.

As razões que levaram à morte do renascimento cordobês gerado pelo Islam pode ser compreendido melhor pela referência às causas de seu sucesso. O Islam devia seu sucesso espetacular inteiramente aos ensinamentos do Alcorão e dos exemplos (sunnah) do Profeta Mohammad (saw). O vigor ativo do sistema foi neutralizado logo que os muçulmanos relegaram o Alcorão à condição de um tratado de dogmas e a Sunnah tornou-se um mero sistema de leis e uma concha oca sem qualquer significado vivo. Em seu Muqaddima, Ibn Khaldoun condena os métodos de educação praticado por alguns dos fuqaha’ da Andaluzia, quando, segundo ele, ao invés de ajudar o estudante a ‘compreender o conteúdo do livro no qual ele está trabalhando’, eles o forçam a ‘decorá-lo’.

A escola maliquita de pensamento (madhhab) foi tão predominante na Andaluzia a ponto de nenhum outro madhahib ter sido ensinado, bastando conhecer de cór o Muwatta’, de Imam Malik e seus comentários para que um renomado exegeta se tornasse um faqih. Este fechamento da porta do ijtihad (julgamento independente) que teria sido condenado por Imam Malik se ele tivesse presenciado, foi estimulado pela maioria dos governantes de Andaluzia porque significava obediência incondicional ao poder estabelecido. Isto levou a uma degeneração intelectual, o tratamento daqueles gigantes espirituais citado antes comprova isto melhor. Ibn Massar foi forçado a se exilar; Ibn Hazm foi expulso de Maiorca; os livros de Al-Ghazali foram queimados; a biblioteca universal de al-Hakam II foi lançada ao rio; Ibn Tufayl e Ibn Rushd foram expulsos; e Ibn Arabi também. Todos estes atos não foram praticados por cristãos e sim por companheiros muçulmanos! Nada mais foram do que sinais de que esta grande estrutura representada pelo Islam, que tinha resistido a muitas tempestades, tinha alcançado um estágio em que sua vitalidade interior tinha sido minada gradativamente e uma poderosa rajada a tinha extirpado do solo no qual tinha prosperado durante séculos.

Os primeiros conquistadores muçulmanos da Espanha tinham uma missão que tornava impossível para eles serem egoístas, cruéis ou intolerantes. O momento em que perderam seus sucessores, seu espírito desconfiado substituiu sua unidade de propóstio. Em um determinado momento, a Andaluzia chegou a ter doze dinastias muçulmanas. Este foi o sinal do colapso. A sociedade muçulmana começou a representar uma ordem social decadente, incapaz de um crescimento dinâmico e sem capacidade para uma resistência efetiva. Sob tais circunstâncias, é difícil para qualquer sociedade sobreviver a uma ameaça externa mais séria. O governo muçulmano na Península Ibérica começou a afundar por conta da traição dos diversos príncipes muçulmanos, até Granada cair nas mãos dos Cruzados, no dia 2 de janeiro de 1492.

Quando Abu Abdullah, o último rei de Granada olhou para Alhambra pela última vez, vieram lágrimas aos seus olhos. Neste momento, sua mãe, Aisha, disse: ‘Abu Abdullah chora como uma mulher por um reino que não soube defender como um homem’. Mas nossa história deve desempenhar uma função mais inspiradora e orientadora do que ficar remoendo o passado. Quando olhamos essas maravilhas e todos os palácios deixados em Andaluzia, imaginamos: Certamente houve muita injustiça e opressão. Como Abu Dharr disse a Mu’awiya: ‘Ó Mu’awiya! Se você estiver construindo este palácio com seu próprio dinheiro é extravagância, e se for com o dinheiro do povo é traição.’ Não devemos glorificar nosso passado e nossos ancestrais sem fazer caso de seus erros. Nosso estudo da história do Islam deve ser mais objetivo e não uma simples justificativa de todos os atos praticados por aqueles que nos prececederam.

Conclusão

Precisamos lutar para que a tragédia da Andaluzia não se repita. Não devemos nos dirigir às nossas crianças com: Era uma vez a Palestina…, Era uma vez a Bósnia… Precisamos de um verdadeiro Renascimento Islâmico que nos conduza ao Islam eterno e universal. Um Islam que seja o apelo constante para a resistência a toda opressão, porque exclui qualquer submissão que não seja à vontade de Deus e mantém o homem responsável pela realização do mandamento divino na terra. Um Islam, nas palavras de Roger Garaudy, cujos princípios sejam:

1. No campo econômico: Só Deus possui,

2. No campo político: Só Deus ordena,

3.No campo cultural: Só Deus sabe.

Só assim responderemos a este chamado vivo: sem imitar o ocidente e nem imitar o passado.

Referências:
The Holy Qur’an, traduzido e comentado por Abdullah Yusuf Ali.
Ibn Rushd, On the Harmony of Religion and Philosophy, trans. by George F. Hourani, 1960.
Roger Garaudy, ‘For an Islam of the XXth Century’, Relato apresentado na 1a. Conferência Internacional de Muçulmanos da Europa, Sevilha, 18-21/7/85.
Roger Garaudy, L’ Islam, en Occident, Editions l’Harmattan, 1987.
Khola Hassan, The Crumbling Minaret of Spain, Ta- Ha Publishers, Londres, 1988.
Livreto sobre a Torre de Calahora, em Córdoba, 1988.
Ali Shariati, And Once Again Abu Dharr, trans. por Laleh Bakhtiar e Hussain Salih, The Abu Dharr Foundation, Teerã, 1985.
Titus Burckhardt, Art of Islam, World of Islam Festival Trust, Londres, 1976.
J. D. Dodds (ed), Al-Andalus, The Art of Islamic Spain, The Metropolitan Museum of Art, New York, 1992.
W. Montgomery Watt, A History of Islamic Spain, Edinburgh University Press, Edinburgh, 1967.
(Atualmente, o autor é um Pesquisador Associado, na Escola de Estudos Matemáticos, da Universidade de Portsmouth. Ele obteve seu PhD em Matemática Computacional no Wessex Institute of Technology, Southhampton, e um BSc em Matemática Pura na Ecole Normale Supérieure of Rabat, Marrocos.)

Disponível em:
http://sbmrj.org.br/Historia-andaluzia.htm

Os Nobres Companheiros do Profeta (RA)

Definindo os Companheiros do Profeta (radiallahu ‘anhum).
O significado linguístico do termo Sahaabah (companheiro) deriva da palavra Suhbah (amizade), que sugere acompanhamento e estreita associação. No entanto, no Islam, a definição legal do termo sahaabah (companheiro) se refere a qualquer um que tenha se encontrado com o Profeta (sallallaahu ‘alaihi wa sallam) em vida, mas depois de ele ter recebido a missão de profeta e acreditado nele como Profeta e então ter morrido na condição de muçulmano. Portanto, de acordo com esta definição, pode-se considerar um companheiro aquele/aquela que conheceu o Profeta (saw), por um longo período ou não.

Também, de acordo com esta definição, os Jinn (gênios) que se encontraram com o profeta (saw) e acreditaram nele, também são considerados companheiros, assim como todos os anjos que se encontraram com o Profeta (saw).

Excluídos dessa definição estão aqueles que viram o Profeta (saw) em sonho ou que encontraram o Profeta (saw) mas não acreditaram em sua missão, mesmo que tenham abraçado o Islam depois de sua morte. Também estão excluídos aqueles que se encontraram com Mohammad (saw) antes de ele receber a missão de Profeta, porém já acreditavam em sua (futura) missão como profeta. 

São exemplos, Buhaira, o monge que se encontrou com Mohammad (saw) em Sham, na Síria, quando ele ainda era um menino. Também excluídos estão aqueles que abraçaram o Islam durante a vida do Profeta (saw), mas nunca o viram. E também estão excluídos aqueles que se encontraram com o Profeta (saw) depois de ele receber a missão como Profeta, acreditaram nele como Profeta, porém mais tarde renegaram a religião e morreram como infiéis. No entanto, aquele que retornou para o Islam (de novo) ainda é considerado um companheiro, mesmo que não tivesse encontrado o Profeta uma segunda vez.

Formas de se Confirmar Corretamente Quem é Um Companheiro do Profeta (saw)
Al-Haafidh ibn Hajar Al-Asqalaani (rahimahullah) disse que são cinco as maneiras de se confirmar corretamente quem é um Companheiro do Profeta (saw):

1. Aquele que é Suhbah (companheiro, amigo) do Mensageiro de Allah (saw) ficou amplamente conhecido de todas as gerações de muçulmanos, seja pela evidência de um texto no Alcorão ou pela evidência de hadices autênticos extensamente narrados (mutawaatir).

2. Aquele que é Suhbah (companheiro, amigo) do Mensageiro de Allah (saw) ficou conhecido e firmemente estabelecido através de todas as gerações de muçulmanos pela evidência de hadices autênticos que não foram narrados amplamente como os hadices da primeira categoria (hadeeth mash-hoor).

3. Aquele que é Suhbah (companheiro, amigo) do Mensageiro de Allah (saw), ficou firmemente estabelecido por um dito autêntico de um já conhecido Companheiro. Por exemplo, seu dito: “Fulano é um Companheiro (do Mensageiro de Allah). Ou seu dito: “Eu e fulano estávamos com o Mensageiro de Allah (saw)”.

4. Aquele que é Suhbah (companheiro, amigo) do Mensageiro de Allah (saw), ficou firmemente estabelecido por um dito autêntico de um conhecido Taabi’ee (isto é, um muçulmano de uma geração após a dos Companheiros, que encontrou um ou mais Companheiros e morreu como muçulmano.

5. Aquele que é Suhbah (companheiro, amigo) do Mensageiro de Allah (saw), ficou firmemente estabelecido por um dito autêntico de um Companheiro sobre ele mesmo, desde que atendidas as duas condições abaixo:

1. Seu ‘Adaalah (bom caráter) foi firmemente estabelecido.

2. Foi firmemente estabelecido que ele morreu durante o tempo de Mohammad como Profeta (saw)

O Bom Caráter dos Companheiros do Profeta (saw)

O significado linguístico de ‘Adaalah (bom caráter) é ser consciente, escrupuloso. No entanto, a definição legal de ‘Adaalah no Islam se refere àquele que protege sua religião, sempre se comporta de maneira virtuosa, evita aceitar os maneirismos que desagradam as pessoas bem comportadas de seu tempo e lugar (desde que isto não acarrete abandonar qualquer coisa da sunnah ou entrar em bid’ah). E também se refere àquele que fica longe, longe dos pecados maiores assim como dos menores e até de alguns atos permissíveis.

As pessoas de Ahl-us-Sunnah-wal-Jamaa’ah concordam que todos os Sahaabah (Companheiros do Profeta) tinham um bom caráter (ra). E isto porque Allah, o Mais Elevado, os escolheu para serem os companheiros de Seu Profeta (saw). E as pessoas de Ahl-us-Sunnah-wal-Jamaa’ah usam como prova do bom caráter de todos os Companheiros as muitas evidências do Alcorão e da sunnah autêntica.

Fonte: sbmrj.org.br  

sexta-feira, dezembro 23, 2011

MODERAÇÃO NA VIDA E NO CULTO A DEUS -SEGUNDA PARTE


Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus) Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus, o Beneficente e Misericordioso)

O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “A modéstia não traz nada, exceto o bem; está escrito no livro da sabedoria de que a modéstia traz seriedade; a modéstia traz serenidade”. Ibn Umar (Radiyalahu an-hu) disse que a modéstia e o crente, estão os dois juntos. Se um deles for removido, então o outro é também removido. Bhukari, no livro Al Adab Al Mufrad. 

O Cur’ane é um verdadeiro código de vida. Incentiva-nos à moderação nos dois caminhos, que se complementam: a adoração a Deus e ao preenchimento das nossas necessidades mundanas. “Taha, não te revelamos o Cur’ane para que te mortifiques.” Cur’ane 20:1. Segundo Anas (Radiyalahu an-hu), um grupo de crentes, foi inteirar-se das práticas religiosas realizadas pelo Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam). Depois de serem informados, e sabendo que seria impossível igualá-lo, nomeadamente por ele ter os pecados passados e futuros perdoados por Deus, mesmo assim, queriam fazer de tudo para se aproximarem das referidas virtudes.

a) Um deles, disse que vai jejuar toda a vida sem interrupção; 

b)Outro que se irá manter todas as noites em oração, pelo resto da vida; 

c)O terceiro que se absterá do relacionamento com mulheres e jamais se casará. 

Depois de saber destas intenções, o Profeta disse-lhes: “Eu sou o que mais teme a Deus e mais devoto, mas mesmo assim, observo o jejum facultativo num dia e deixo no outro e me levanto à noite para orar, mas depois me deito para descansar e também me caso. E quem se recusar a seguir este meu exemplo, não faz parte do meu umah”. (Bukhari e Muslim).

A moderação, em todos os aspectos, deve ser uma constante na vida de um crente. Fazer longos baianes e khutbas (semões), é incomodo para quem está a ouvir. O crente acaba por ficar cansado, perde a concentração e a mente acaba por navegar em “águas turvas”. Devemos seguir o exemplo do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). Abu Abdullah Jaber Ibn Sámura (Radiyalahu an-hu) referiu: “Ocasionalmente me juntava ao Profeta para as orações; tanto as orações como os seus sermões, eram de duração moderada”. Muslim. As orações nocturnas são recomendadas e muito benéficas para aumentarmos a satisfação de Deus.

Mas como o corpo necessita de descanso, devemos encontrar o equilíbrio necessário para nos aguentarmos firmes e concentrados. Disse o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam): “Se alguém sentir sono durante a oração, que se deite, até o sono passar. Se fizer a oração com sono, não saberá se está pedindo perdão a Deus, ou se maldizendo.” 

Relato de Aisha (Radiyalahu an-há) em Bhukari e Muslim. Ainda sobre o assunto, o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), certa vez encontrou uma corda amarrada dentro da Mesquita. Foi informado que pertencia à Zeinab (Radiyalahu an-ha), para se apoiar nas orações quando sentia fadiga. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), mandou desamarrar a corda e disse: “Cada um que faça as suas súplicas quando se sentir ágil; porém, quando estiver cansado, que descanse. Relato de Anass (Radiyalahu an-hu) – Bukhari e Muslim.

Há muçulmanos “idi-istas”, que durante o ano, só fazem as orações dos dois dias de Ide, porque são feriados, dias festivos. Outros, “JUMA-istas” só vão às orações semanais de Juma (sextas-feiras). Existem também os “RAMADANistas”, que depois de jejuarem o mês inteiro, esquecem todas as promessas feitas e recomeçam a trilhar os maus caminhos. E outros, durante a vida nada fizeram para agradar a Deus e quando lhes bate a hora da despedida, se apressam e se multiplicam em orações obrigatórias e voluntárias e começam a praticar muita caridade. Se durante a sua vida, um homem der um dirhram como sadaqah (caridade), é melhor do que dar cem dirhrams como sadaqah no momento da sua morte”. Narrado por Abu Said al-Khudri – Bukhari

Allah, nosso Senhor e Protetor, com a sua infinita Misericórdia, pode perdoar o Seu servo, mesmo que ele se volte no momento da morte, antes do ultimo suspiro. Jaber (Radiyalahu an-hu) referiu que Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Todo o servo de Deus será ressuscitado de acordo com o estado de fé em que morreu”. Muslim. 

Mas nunca devemos deixar para mais tarde o pedido de perdão, porque inesperadamente, a morte pode alcançar-nos. O mais virtuoso é aquele que ao longo da sua vida, de forma regular e consistente, foi cumprindo, diariamente, com as orações e com o resto das obrigações religiosas. Disse o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam): “…O mais agradável para Allah são as acções feitas de forma contínua, mesmo que sejam pequenas...”. Bhukari 76:469 e Muslim 04:1710.

Talha Bin Ubaidullah (Radiyalahu an-hu), referiu: “Um homem de Nadj, com o cabelo despenteado, veio ter com o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) e ouvimos a sua voz, mas não compreendemos o que ele estava a dizer, até ele se aproximar. Soubemos que ele estava fazendo perguntas sobre o Islão. O Profeta disse: “Você deve efetuar perfeitamente 5 orações diárias, nas 24 horas do dia e da noite. 

O homem perguntou: “Existem mais outras orações para além destas?” Foi-lhe respondido: “Não, mas se você quiser efetuar as orações voluntárias, da sua livre e espontânea vontade”. E o Profeta disse ainda: “Terás de observar o jejum do mês de Ramadan”. O homem perguntou: “Há mais jejuns?”. Respondeu-lhe: “Não, mas se você quiser, poderá efectuar jejuns facultativos”. Depois o Profeta disse: “Terá de pagar o Zakat (A caridade obrigatória)”. 

O homem perguntou se existem outros pagamentos a efetuar, para além do Zakat?”. O Profeta respondeu-lhe: Não, a não ser que queiras dar mais esmolas voluntariamente”. E depois o homem se retirou dizendo: “Por Deus, eu vou fazer isso e nem mais do que isso”. O Profeta depois comentou: “Se o que ele disse é verdade, então será bem sucedido (lhe será concedido o paraíso)”. Bhukari 2:44 e Muslim 01:07.

Para complemento das obrigações prescritas, podemos escolher livremente algumas pequenas ações facultativas, para serem realizadas diariamente, de forma regular, como por exemplo:

a)- Fazer o Taihatul Uzú, uma oração de dois ciclos, sempre que acabarmos de fazer as abluções. Esta ação conduziu Bilal (Radiyalahu an-hu) ao paraíso;

 b)- Após cada oração fard (obrigatória), fazer o zikr (louvar a Deus), recitando:
- 33 x Subhána Allah;
- 33 x Al-hamdulillah
e 34 x Alhahú Akbar;

c)- De manhã, recitar o surat Yacin; d)- à noite recitar o surat Mulk (Tabaraka lazi) . Estas ações, apesar de ocuparem escassos minutos na vida de um crente, poucos o efectuam.

"Wa ma alaina il lal balá gul mubin" "E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem". Surat Yácin 3:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Deus, Senhor do Universo!”. 10.10.

Façam o favor de ter um bom dia de Juma,

Cumprimentos

Abdul Rehman Mangá

15/12/2011

quinta-feira, dezembro 22, 2011

A RECONCILIAÇÂO E O PERDÃO - Primeira Parte.

Allah SW ama os Reconciliadores
"Bem aventurado aquele que perdoa, procurando a reconciliação”.Implora o perdão a Deus, porque Ele é Indulgente, Misericordiosíssimo”. Cur’ane 4.106.

O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse:  1)- “Se não tivésseis cometido faltas, Deus, o Altíssimo haveria criado outro povo que as teria cometido e ato contínuo, teria pedido perdão e Deus o teria perdoado”. Relato de Khaled Ibn Zaid (Radiyalahu an-hu) em Muslim.

2)- “Todos os filhos de Adam (Aleihi Salam), são pecadores, mas o melhor dos pecadores é aquele que se arrepende”. Tirmidhi.

Muitas pessoas são orgulhosas e por isso, sentem dificuldades em pedir desculpas, mesmo reconhecendo que cometeram erros ou magoaram o seu semelhante. Parece que sentem um nó na garganta quando têm de dizer a palavra mágica da reconciliação: “desculpa-me”. Para alguns, é mais fácil pedir perdão a Deus do que ao seu semelhante. E porquê?. Porque pensam que não estão na presença de Deus e por isso não se sentem constrangidos. Ao pensarem assim, não estão a ser sinceros e dificilmente Deus aceitará os seus pedidos. E Deus sabe melhor!. O melhor crente, é aquele que pede desculpas antes do seu semelhante o pedir.

Estamos sempre a tempo de pedir perdão aos nossos irmãos, procurando a reconciliação, em especial a familiar, antes que a morte nos apanhe. Abu huraira (Radiyalahu an-hu) referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Não é permitido a um crente deixar de falar com outro crente, por um período acima de três dias. Se passarem 3 dias, ele deve procurar com quem se zangou e saúda-lo. Se o outro responder a saudação, ambos partilharão a recompensa.

Mas se não retribuir a saudação, então este carregará o fardo do seu pecado e quem tiver cumprimentado, estará livre do pecado”. Relato de Abu Daud. Bem aventurado aquele que é ofendido, mas que toma a iniciativa de se dirigir ao seu irmão de fé, para “quebrar o gelo” da discórdia. As simples palavras “Assalamo

Aleikum” provocam um efeito mágico de reconciliação, fazendo com que os dois recomecem a falar, obtendo assim a Misericórdia de Deus. Al Bara Ibn Azib (Radiyalahu an-hu) referiu: “O Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Se dois muçulmanos se encontrarem e se cumprimentarem, apertando mãos, louvando e pedindo a Deus para lhes perdoar, eles serão perdoados”.Suna Abudawd 41/5192.

Ainda acerca da reconciliação entre dois irmãos de fé, recordemos o seguinte hadice narrado por Huraim (Radiyalahu an-hu): o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse que as ações das pessoas são apresentadas todas as semanas nas segundas e quintas feiras. Todo o serve crente ser-lhe-á garantido o perdão, exceto aquele que conservar o rancor perante o seu irmão, até se voltarem para a reconciliação”. Muslim 32/6224. Também referido no Maliks Muwatta 47.4.17. Sobre  este hadice, recordo que o Profeta tinha por hábito jejuar às segundas e quintas feiras e por isso, alguns crentes também efectuam jejuns facultativos nos referidos dias.

A mentira é um ato reprovável por Deus. No entanto quem mentir com a finalidade de conciliar pessoas que andam de costas voltadas, não será considerado um mentiroso. Chamemos de “mentira doce”, que também é utilizado entre casais, com a única finalidade de se reconciliarem. Humaid B.Abd al Rahman b. Auf reportou que a sua mãe Umm Kulthum ouviu o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) dizer:

“Não é mentiroso aquele que tenta a reconciliação entre as pessoas e fala bem, a fim de evitar controvérsias. Ibn Shihab referiu que esta isenção (de falar mentira doce) não foi concedida em qualquer circunstância, mas somente em três situações:

a) Na batalha;
b) procurando a reconciliação entre pessoas;
c) e as palavras do marido para com a mulher e as palavras da mulher para com o marido (de forma distorcida, mas com a finalidade de reconciliação entre eles). Muslim 32:6303.

In Sha Allah, continua no próximo Juma.

Cumprimentos

Abdul Rehman Mangá - Maputo - Moçambique - África Austral  - 22/12/2011

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Etiquetas Para se Buscar o Conhecimento Islâmico

Buscar o conhecimento é dever de todos os Crentes -SAAS
Palavras de Aconselhamento » Devoção e Piedade
O conhecimento religioso é a herança dos Profetas. Os sábios são os seus herdeiros. Quando uma pessoa adquire conhecimento religioso, ela obtém uma parte dessa herança. É por isso que a busca do conhecimento islâmico é um dos atos mais nobres que uma pessoa pode fazer.

Um buscador deste conhecimento deve, portanto, adornar-se com a mais nobre conduta, e apresentar as melhores condutas. As várias etiquetas que um aluno deve observar podem ser divididas em cinco grandes categorias – já que alguns destas etiquetas se referem à relação do aluno com o seu Senhor, outras etiquetas se referem a sua atitude para com os sábios, orientar suas relações com seus professores, regular sua conduta com seus companheiros, e outras etiquetas que regulam a relação consigo mesmo.

Vamos abordar uma série de etiquetas que vêm em cada uma dessas cinco grandes categorias.

Etiqueta Pertencente à Relação do Estudante com o Seu Senhor:

1. O aluno deve ser sincero com Allah em suas intenções para a busca do conhecimento. Não deve procurar o conhecimento islâmico por fama ou status.

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Não adquiras conhecimento a fim de competir com os sábios, disputar com os ignorantes ou para que as pessoas fiquem te olhando (para sentir orgulho). Quem faz isso estará no fogo”. [Sunan Ibn Majah nº: 259 - declarado como hadîth bom (hasan) pelo shaikh Albani].

2. O estudante não deve transgredir os limites estabelecidos por Allah.

Allah disse (significado em português): “E que, dentre os homens e os seres animais e os rebanhos, há-os, também, de cores variadas? Apenas, os sábios receiam a Allah, dentre Seus servos. Por certo, Allah é Todo-Poderoso, Perdoador”. [Surah Fâtir 35: 28].

Quanto mais a pessoa cresce em conhecimento, mais humilde ela se torna diante do seu Senhor.

Malik Ibn Dinar disse: “Quem não adquire o conhecimento que restringe sua conduta, então o conhecimento que adquiriu não possui nenhum benefício para ele”.

3. Um estudante do conhecimento religioso deve se sentir forte com relação aos ensinamentos de sua fé. Deve sentir-se preocupado suficiente para promover o que é correto e proibir o que está errado.

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “O Islam é Sinceridade”. Nós perguntamos: “Para quem, ó Mensageiro de Allah?”. Ele disse: “A Allah, Seu Livro, Seu Mensageiro, aos líderes dos muçulmanos e para o muçulmano comum”. [Sahih Muslim nº: 82].

4. O aluno deve aceitar o que Allah tem estabelecido nas escrituras quanto às regras religiosas e os ensinamentos. Ele não deve dar preferência as suas opiniões pessoais sobre os ensinamentos citados no Alcorão e na Sunnah.

Allah disse (significado em português): “Ó vós que credes! Não vos antecipeis a Allah e a Seu Mensageiro. E temei Allah. Por certo, Allah é Oniouvinte Onisciente”. [Surah Al-Hujurât 49: 1].

Etiquetas Pertencentes à atitude do Estudante para o Sábio

1. O estudante deve mostrar respeito e deferência (respeito) para com os sábios, e ele deveria implorar a misericórdia e perdão de Allah sobre eles em suas orações.

2. O estudante deve se concentrar nos pontos fortes dos sábios e ignorar suas falhas.

3. O estudante deve sempre pensar o melhor sobre os sábios. Nunca deve menosprezar nenhum deles por conta de uma opinião que ele possa ter feito. Devemos assumir que a opinião do sábio exposta é porque ele acreditava ser o certo e acreditava ser aquilo que agrada a seu Senhor. Um sábio que exerceu o seu julgamento e foi correto nele receberá uma dupla recompensa. Um sábio que exerceu o seu julgamento e cometeu um erro receberá de seu Senhor uma única recompensa.

O estudante deve suplicar a Allah para recompensar os sábios por aquilo que fizeram de correto e perdoá-los por seus erros e deficiências.

Etiquetas Pertencentes à Relação do Estudante com seus Professores

1. O estudante deve ter o cuidado tanto quanto ele pode para selecionar professores conhecidos por sua piedade, humildade e compromisso religioso.

Ibn Sirin em relação a esse assunto disse: “Este conhecimento é da religião. Tenha cuidado de quem você toma a religião”.

Al-Khatib Al-Baghdadi disse: “Um estudante deve procurar um jurista que é conhecido por ser religioso, que tem uma reputação de boa conduta, bem como a competência”.

2. O estudante deve se comportar humildemente na presença de seu(s) professor(es) e deve mostrar a ele(s) respeito.

Allah disse (significado em português): “Allah elevará, em escalões, os que creêm dentre vós, e àqueles os quais é concedida a ciência. E Allah, do que fazeis, é Conhecedor”. [Surah Al-Mujâdalah 58: 11].

‘Ubadah Ibn As-Samit relata que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Quem não honrar aos nossos mais velhos, ter misericórdia aos nossos filhos e o respeito devido a nossos eruditos, não é um de nós”. [Musnad Ahmad nº: 21693 - Al-Haythami declara que a cadeia de transmissão (isnad) é boa (hasan) em Majma’ Az-Zawâ’id 1/127].

3. Um estudante deve permanecer sob a tutela de seus professores a fim de beneficiar-se da sua conduta e de sua prática. Deve procurar imitar os bons costumes e comportamentos. E deve evitar comportar-se de forma contrária.

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Quem imita um povo se torna um deles”. [Sunan Abi Dawud nº: 4031].

4. O estudante deve sentar-se na presença de seus professores com atenção. Não deve deixar sua mente vagar. Allah disse (significado em português): “Allah não fez em homem algum dois corações [atitudes contraditórias] em seu peito”. [Surah Al-Ahzab 33: 4].

5. O estudante deve suportar pacientemente qualquer tratamento áspero ou severidade que seus professores porventura, por vezes, apresentarem. Ele deve encontrar alguma desculpa para seu comportamento.

6. O aluno deve ser atencioso e educado ao fazer perguntas aos seus professores. De fato, uma das melhores abordagens para a busca do conhecimento é fazer perguntas da maneira correta. Se o professor permanece em silêncio, o estudante não deve pressioná-lo a responder.

Ibn Abbas foi uma vez questionado: “Como adquirir esse conhecimento que você possui?”. Ele respondeu: “Com uma língua questionadora e um coração que discerne”.

7. O estudante deve estar atento, mesmo quando o assunto for algo que ele já possua grande conhecimento sobre. Este é um dos melhores comportamentos que um estudante de conhecimento pode exibir.

‘Ata ibn Rabah disse: “Se ouço um jovem relatar um hadîth, escuto como se não tivesse conhecimento nenhum dele”.

Ele também disse: “Quando vou ouvir um jovem relatar um hadîth, ouço como se eu nunca tinha ouvido a hadîth antes, embora a verdade seja que ouvi (o hadith) antes dele (o rapaz) ter nascido”.

Etiquetas Pertencentes à Relação do Estudante com seus Colegas de Classe

1. Um estudante do conhecimento religioso deve mostrar humildade quando ele está entre seus colegas. Ele nunca deve se comportar com arrogância. Nunca deve definir-se acima deles. Se possuir uma forte memória ou uma rápida compreensão das coisas, deve ter consciência que isso é uma bênção de Allah sobre ele e ele deveria ser grato.

2. Um estudante deve esforçar-se com seus colegas de classe para melhorar seu conhecimento em conjunto. Ele deve beneficiar-se com aquilo que aprendeu, e não deve ser orgulhoso no momento de aprender com eles também.

Al-Khalil Ibn Ahmad foi perguntado como ele chegou a adquirir todo o conhecimento que tinha. Ele respondeu: “Sempre que eu conheci um estudioso, gostava de tomar o conhecimento dele e difundir o conhecimento dele”.

3. O estudante deve desejar para seus colegas de classe o mesmo sucesso que ele deseja para si mesmo. Deve incentivar e ajudar seus colegas de classe, tanto quanto ele puder.

4. Um estudante não deve brincar demasiadamente com seus companheiros. Nunca deve menosprezar qualquer um deles eles ou invejá-los.

Etiquetas Relacionadas à Conduta Pessoal do Estudante

1. Um estudante de conhecimentos religiosos deve colocar aquilo que ele aprende em prática.

Não deve deixar à seguinte aya se aplicam a ele (significado em português): “O exemplo dos que foram encarregados da Tora (judeus), em seguida, não a aplicaram, é como do asno carregado de grandes livros”. [Surah Al-Jumu’ah 62: 5].

Há um hadîth relatando que uma pessoa não vai passará pelo Dia do Juízo, até que ele seja questionado sobre quatro coisas, uma das quais será “o seu conhecimento e como agiu em consequência dele”.

Ash-Sha’bi disse: “Ajudávamos a nossa memorização de um hadîth agindo conforme ele. Ajudávamos a nossa aprendizagem do hadîth com a pratica do jejum”.

Waki Ibn Aj-Jarrah disse: “Se queres lembrar um hadîth, pois bem, atue conforme ele”.

2. O estudante deve introduzir a boa conduta em sua personalidade quando aprende de seus professores.

Malik disse: “Minha mãe costumava colocar o turbante em mim e dizia: “Vá até Rabi’ah e aprenda boas maneiras com ele antes de aprender seu conhecimento”.

‘Abd Allah Ibn Al-Mubarak disse: “Aprendíamos as boas maneiras antes de adquirir conhecimento”.

Também disse: “É como se as boas maneiras fossem dois terços do conhecimento”.

Abû Zakariyyâ Al-‘Anbarî disse: “Ter conhecimento sem boas maneiras é como ter um fogo sem combustível. Ter boas maneiras sem conhecimento é como ter um corpo sem alma”.

3. O estudante deve ser zeloso e paciente em seus estudos. Yahyâ Ibn Abi Kathir disse: “O conhecimento não vem sem esforço físico”.

Ele não deve deixar para depois e adiar a sua aquisição de conhecimento até que tenha tempo livre. Sempre existe algo que irá ocupar a pessoa e sempre haverá uma desculpa. Um estudante deve sempre aspirar a um maior conhecimento e nunca se contentar com o que ele já tem.

Seu lema deve ser a seguinte frase: “Ó meu Senhor! Acrescenta-me em conhecimento”.

4. O estudante deve abordar a tarefa de aprender dando um passo de cada vez. Esta é uma regra geral para a aprendizagem. Um estudante que procura aprender tudo de uma só vez, acaba perdendo tudo. Ele pode aprender um ou dois hadîth de cada vez.

Esta pode ser uma das razões pelas quais Allah desceu o Alcorão gradualmente ao longo de todo o tempo da missão do Profeta, e por que ordenou o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele).

Allah diz: “E (fizemos descer o) Alcorão, fragmentamo-lo (em partes), a fim de o leres aos homens, paulatinamente, com (progressiva) descida”. [Surah Al-Isra’ 17: 106].

5. O estudante deve se esforçar para familiarizar-se com o máximo de conhecimento em seu dia, tanto quanto possa. Ele deve estar familiarizado com todos os campos.

Al-Ghazâlî, no livro Ihyâ’ `Ulûm al-Dîn (1/55) escreveu:

Um estudante não deve negligenciar qualquer disciplina respeitável ou ramo do conhecimento. Ele deve, pelo menos, estar familiarizado com o seu tema geral e seus objetivos. Se sua vida permite, deve fazer um estudo detalhado de tudo isso. Caso contrário, ele deve priorizar, tratando exaustivamente com o que é mais importante e fazer um resumo do resto.

Isso ocorre porque os diferentes ramos do conhecimento aumentam mutuamente e se relacionam entre si.

Um estudioso irá beneficiar de um ramo do conhecimento, logo que sua hostilidade para com ele seja quebrada devido a sua falta de familiaridade com ele. As pessoas são hostis com aquilo que ignoram. Allah disse (significado em português): “E, uma vez que eles não se guiam por ele, dirão: “Isto é uma velha mentira”. [Surah Al-Ahqaf 46: 11].

6. O estudante deve pagar as dívidas que seu conhecimento requer dele. Este deve ser transmitido aos outros. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Transmita de mim nem que seja uma aya”. [Sahih Al-Bukhari nº: 3461].

Fonte: Islamtoday