quinta-feira, março 21, 2013

As mulheres serão a maioria no inferno?

Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus) Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus, o Beneficente e Misericordioso) - JUMA MUBARAK .

As mulheres serão a maioria no inferno? “O melhor de entre vós, é aquele que trata melhor a sua mulher”. At- Tirmidi..

Primeira reflexão: Quem nasceu nos anos anteriores a década de sessenta, lembrar-se-á de que a maior parte das nossas mães eram analfabetas, mas verdadeiras donas de casa. Os poucos empregos existentes, eram absorvidos pelos homens, responsáveis pelo sustento das famílias. Recuemos uns séculos atrás, para compreendermos a situação em que as mulheres se encontravam, não só nos nossos países de origem como em toda a parte do mundo, incluindo nos agora considerados desenvolvidos. Em Portugal, a situação das mulheres não fugia à regra, onde os mais velhos se lembrarão de que se dizia que “a mulher não tinha alma”! No ano passado, a polícia Portuguesa recebeu cerca de 30.000 queixas relacionadas com a violência doméstica e anualmente mais de 30 mulheres morrem nas mãos dos companheiros agressores. As notícias são tão banais que já não chamam a atenção. Todas as notícias que envolvam muçulmanos, mesmo nos confins do mundo, são motivo de considerações injustas contra o islão. A situação é idêntica noutros países, apesar do desenvolvimento verificado nas últimas décadas.

Infelizmente ainda há países que continuam na situação de atraso e de pobreza, onde a escolarização ainda não é um direito para todos.

Segunda reflexão: A religião islâmica é a que mais cresce em todo o mundo. Não é uma religião nova. Ser muçulmano, é submeter-se ao Deus Único.

Foram assim todos os nossos Profetas, nomeadamente, Adam (Adão), Ibrahim (Abraão), Mussa (Moisés), Daúde (David), Sulemain (Salomão), Yayhá (João Baptista), Issa (Jesus) e Muhammad (Que a Paz de Deus esteja com eles).

Deus, o único conhecedor do futuro, refere acerca do crescimento do islão: “Quando te chegar o socorro de Deus e o triunfo. E vires entrar gente, em massa, na religião de Deus. Celebra, então, os louvores do teu Senhor, e implora o Seu perdão, porque Ele é Remissório”. Cur’ane 110: 1 a 3.

Outra das várias evidências da profecia do crescimento do islão: “Na noite de Miraj, Mussa Aleihi Salam, chorou quando se encontrou com Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). Ao ser-lhe perguntado porque estava chorando disse: “Ó meu Deus, Tu enviaste este jovem Mensageiro depois de mim, cujos seguidores serão mais a entrarem no paraíso do que os meus”. Bukhari e Muslim.

A propósito da primeira reflexão, já por várias vezes algumas irmãs me escreveram, lamentando o facto de se sentirem descriminadas, por serem colocadas em posição inferior ao do homem. Não aceitam ficar só em casa a “remendar” as roupas” e a cozinharem para os maridos e para os filhos, porque acham que têm também capacidade para fazerem muito mais para o melhoramento das condições da família, para o desenvolvimento da comunidade e do país onde residem.

Quanto à segunda reflexão, assistimos diariamente a vários ataques vindos de todos os quadrantes, falando mal dos muçulmanos e denegrindo o islão.

Sentem uma inveja imensa ao verem o islão a crescer não só pelos nascimentos, mas também pelas conversões que se vão verificando em toda a parte do mundo. Os ataques agarram-se ao conceito errado de que “o islão descrimina as mulheres”, para propagandear todo o tipo de maldades contra os muçulmanos.

Aos insultos, o muçulmano não se pode defender com insultos, porque isso contrariaria os ensinamentos que o nosso Profeta nos deixou. Por analogia, podemos seguir o hadice: “Um dos pecados mais graves, é quando um homem insulta os seus próprios pais. Alguém perguntou: “ Acaso iria  alguém insultar os seus próprios pais?” Respondeu: “ Sim, é quando um homem maldiz ao pai de alguém e este replica com o mesmo; é quando um homem maldiz a mãe de alguém e este replica com o mesmo.”

O tema desta semana vem a propósito de um documento que chegou às mãos de um irmão Brasileiro, convertido ao islão, ex-bispo Auxiliar de Brasília Distrito Federal, da Igreja Católica Apostólica Brasileira. O documento é um ataque feroz, com traduções e interpretações incorretas dos versículos do Cur’ane e dos hadices, intitulado “Os 10 principais preceitos do Alcorão que oprimem e insultam as mulheres”. Quem não conhece a essência do islão, poderá ser induzido em erro, ainda mais porque está habituado a ler e a ouvir toda a informação deturpada difundida pelas rádios e televisões.

Verdade seja dita, alguma culpa nossa, pela atuação violenta de alguns, pela posição errada de alguns teólogos e pela ignorância de muitos de nós que não sabemos sequer os princípios básicos da nossa religião. Se os nossos colegas da escola ou do serviço nos interpelarem acerca dos principais temas do islão, não saberemos responder. “Buscai o conhecimento, nem que tenhais de se deslocar à china!”. É uma exortação do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), não só para os homens, mas também para as mulheres.

Num dos 10 argumentos o articulista refere que o islão trata tão mal as mulheres que até as destina ao inferno, citando o seguinte: “O Profeta disse, “olhei para o Paraíso e encontrei pessoas pobres compondo a maioria dos habitantes do paraíso; e eu olhei para o Inferno e vi que a maioria dos habitantes eram mulheres.”

O hadice completo que nos interessa reter e compreender, é o seguinte: O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Eu estava no Portão do  Paraíso e vi que a maioria das pessoas que entraram, foram os pobres, enquanto os ricos eram retidos nas portas para prestação de contas, mas os companheiros do fogo, foram ordenados para serem levados para o fogo. Eu estava no portão do fogo e eu vi que a maioria (generalidade) das pessoas que entraram eram mulheres”. Bukhari 62:124.

Deus incentiva os Seus servos, homens e mulheres, para praticarem boas ações, para que na vida eterna possam residir no paraíso: “Em troca, os tementes serão conduzidos, em grupos, até ao Paraíso e lá chegando, abrir-se-ão as suas portas e os seus guardiães lhes dirão: “Que a Paz esteja convosco! Qão excelente é o que fizeste! Entrai pois! Aqui permanecereis eternamente”. Cur’ane 39:73.

Agora vamos tentar compreender porque é que o Profeta disse aquelas palavras? Anas bin Malik (Radiyalahu an-hu) relatou que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) referiu (acerca do sinal da hora - dos tempos que advirão antes do final do mundo), que o conhecimento irá decrescer, a ignorância irá prevalecer sobre o mundo, o adultério será uma constante, as mulheres irão aumentar e os homens vão diminuir tanto que um homem irá cuidar de 50 mulheres” Bukhari 3:81. Outro hadice refere: “um homem será seguido por 40 mulheres que procurarão nele refúgio (proteção), devido a escassez de machos e abundância de fêmeas. Bukhari 24:495.

Já nos momentos actuais, constata-se de que o número de mulheres existentes no mundo é superior em relação aos homens. Seria possível Deus ser injusto com as mulheres, condenando-as a serem a maioria no inferno? Se termos em conta que até ao final do mundo a disparidade entre as mulheres e os homens vai aumentar, atingindo a quantidade de mulheres uma proporção enorme, é natural chegar-se à conclusão por esse facto, de que no inferno as mulheres poderão vir a ser em maior número do que os homens. Mas também haverá outro momento em que as mulheres serão a maioria no paraíso.

O Anjo Jibrail (Aleihi Salam), informou ao Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) de que há vários graus no inferno e que o último grau é destinado ao Umah do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) que cometeram pecados graves e que vão morrer sem pedirem perdão. Com esta notícia, o Profeta ficou tão angustiado que foi para casa muito triste, ficando fechado no seu quarto durante dias, a orar e a chorar pelo seu povo presente e do futuro (in origem da noite de Miraj).

Homens e mulheres que cometerem pecados, entrarão no inferno, para serem purificados. Como as mulheres serão a maioria que os homens, haverá no início mais mulheres do que homens a serem purificados no inferno. Mas depois de saírem e quando forem admitidos ao paraíso, as mulheres no paraíso passarão a ser em maior número do que os homens. Assim as mulheres superarão os homens tanto no inferno como no paraíso, mas em épocas diferentes.

Todos os hadices que não estejam de acordo com os versículos do Cur’ane, não podem ser considerados como válidos. Há muitos ditos atribuídos ao Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), considerados fracos ou falsos. Para se interpretarem corretamente alguns hadices, é necessário conjugar-se dois ou mais ditos do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), para se compreender a mensagem que ele pretendeu transmitir.

Abdullah Ibn Massud (Radiyalahu an-hu), foi um eminente Sahaba (companheiro) do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam). Devido aos seus conhecimentos religiosos e ao seu carácter, foi-lhe atribuída a incumbência de dar fatwa (veredicto), ainda no tempo do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam). Tinha muito cuidado em relatar os ditos (hadices). Sempre que pretendia fazê-lo, tremia de medo.

Ele e os restantes Sahabas (Radiyalahu an-huma), tinham muito cuidado ao transmitirem algum dito (hadice), pois lembravam-se constantemente das palavras de Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), quando referiu: “Aquele que atribuir algo a mim e que na realidade eu não tenha dito aquilo, ele que ocupe o seu lugar no inferno”. 

Aisha (Radiyalahu an-ha) referiu que certa noite, o seu pai Abu Bakr (Radiyalahu an-hu), não conseguia dormir, pois virava-se para um lado, ou virava-se para o outro. Na manhã seguinte pediu para lhe trazerem os hadices que tinha compilado e que os entregara a Aisha para guardar. Assim que a compilação lhe foi entregue, queimou-a por completo. Depois explicou os motivos: “Esta coleção continha muitas narrativas sobre o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), as quais eu tinha ouvido de outras pessoas. Depois da minha morte, se algum dos hadices não fosse verdadeiro, então eu responderia perante Deus.”

A melhor descrição acerca do relacionamento entre marido e mulher, é referida no Cur’ane: “Elas são as vossas vestimentas e vós sois as vestimentas delas”. 2:187. É a protecção, o apoio e o conforto mútuo. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “O melhor de entre vós, é aquele que trata melhor a sua mulher”. At-Tirmidi.
 
Aos que nos lançam ofensas, criticando o islão, a pergunta óbvia que devemos fazer é a seguinte: “Se o islão é assim tão mau, qual o motivo de ela ser procurada e abraçada por milhares e milhares de crentes de outros credos e até mesmos de ateístas?” Alguns que se reverteram ao islão, referiram que não encontraram respostas dos seus anseios através das suas anteriores crenças. Estudaram várias religiões, em especial as que compõem o tronco comum do Profeta Abraão (que a Paz de Deus esteja com ele). E referiram que todos os caminhos, confluíam para o islão. Lá ilaha ilalah - “Não há outra divindade senão Deus”.

Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41. "Wa ma alaina il lal balá gul mubin" "E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem". Surat Yácin 3:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Deus, Senhor do Universo!”. 10.10.

Abdul Rehman Mangá

21/03/2013

abdul.manga@gmail.com

domingo, março 17, 2013

A Mulher no Islão - Condição da Mulher

A condição da mulher no Islão é sem dúvida um dos pontos que mais geram discussões, controvérsias e divergências muito principalmente entre os não muçulmanos, mas também entre alguns muçulmanos. Este ponto tornou-se muito dramático para muitas Comunidades em minoria pelos mais diversos países espalhados pelo mundo. 

A mulher representa, pelo menos em teoria, a metade da sociedade humana. Constituindo o que há de mais belo nessa sociedade, especialmente no campo sentimental, podendo ser considerada a causa principal da própria existência da humanidade, depois naturalmente da sua própria criação por Deus, Todo-poderoso. 

A mulher é um alicerce importante, tanto da família quanto da comunidade. Por isso o Islão libertou a mulher, ajudando-a a ganhar posições dignas, quer como esposa, mãe e antes disso como filha. 

Segundo os ensinamentos do Alcorão, o papel da mulher na sociedade é tão vital como o do próprio homem e ela não é superior nem inferior, mas apenas diferente. 

O estatuto da mulher foi elaborado no Islão para serem garantidos todos os direitos e deveres recíprocos em relação à sociedade. 

Os direitos e as responsabilidades de uma mulher são iguais aos do homem, mas não são necessariamente idênticos. Igualdade e identidade são dois conceitos bastante diferenciados. Esta diferença é compreensível porque o homem e a mulher não são idênticos, mas foram criados iguais. Esta distinção entre igualdade e identidade é de grande importância. 

A igualdade é desejável e justa, mas a identidade não o é. As pessoas não são criadas idênticas, mas são criadas iguais. Com esta distinção na ideia, não há lugar para imaginar que a mulher seja inferior ao homem. Não há fundamento para argumentar que ela é menos importante do que ele, precisamente porque os seus direitos não são identicamente os mesmos. Se o seu estatuto fosse idêntico ao do homem ela não passaria simplesmente de um duplicado dele, o que não é. O facto de o Islão dar direitos iguais – mas não idênticos – mostra que a toma na devida consideração, admitindo e reconhecendo a sua independente personalidade. 

Não é a voz do Islão que difama a mulher com sendo um produto de Satanás ou a semente do demônio  Nem o Alcorão coloca o homem como o senhor dominador da mulher que não tem poder de opção mas que tem de se render à dominação. Nem foi o Islão que introduziu a questão de a mulher ter ou não ter alma. Nunca na história do Islão, algum muçulmano duvidou do estatuto humano da mulher ou de ter alma e outras boas qualidades espirituais. 

Ao contrário de outras crenças, o Islão não culpa somente Eva pelo pecado original. O Alcorão esclarece que ambos, Adão e Eva, foram tentados, que ambos pecaram e que o perdão de Deus lhes foi concedido a ambos depois do seu arrependimento. 

Construir a família é a mais séria edificação no âmbito da sociedade e da nação e da consolidação desta edificação depende a salvação da sociedade e a dignidade de uma nação. Sendo que a mulher é a pedra angular desta importantíssima edificação. 

Qualidades da mulher

As qualidades reconhecidas à mulher são: a paciência, a perseverança, a coragem, a abnegação, o amor, a solidariedade, a resignação, a obediência, a determinação apropriadas a cada momento. Todas estas qualidades, para alem de outras, manifestaram-se por parte das mulheres muçulmanas desde os primeiros anos do Islão. 

Em muitas ocasiões as suas opiniões foram respeitadas e seguidas por se verificarem acertadas e oportunas, mesmo em situações de extrema delicadeza e gravidade. 

Condição da mulher antes do advento do Islão 

Nos primórdios da civilização humana, a posição social da mulher era quase nula e inexpressiva no campo da moral e das leis, excepto na civilização do Antigo Egipto, a qual fora a única na história remota que permitiu à mulher ocupar um lugar legitimado pelo reconhecimento dos governantes e do povo. Contudo, a civilização do Antigo Egipto desapareceu, bem como as suas leis, muitos séculos antes do advento do Islão. 

NA ÍNDIA:
No código de MANI (maniqueísmo), a mulher não possuía direitos independentes dos direitos do pai ou do marido ou do filho. Se o pai, esposo ou o filho morressem todos, tornava-se obrigatório que a mulher pertencesse a um homem da linhagem do marido dela. Mais que isso: a mulher não tinha o direito à vida, pois deveria ser incinerada com o esposo falecido, no mesmo dia e no mesmo crematório. É a chamada SATI. Inclusivamente a mulher era utilizada como oferenda aos deuses.
Em algumas tradições (pensamentos) da Antiga Índia, contava-se que “ Nem a morte, nem o inferno, nem o veneno, nem as serpentes e nem o Fogo são piores do que a mulher”. 

NO CÓDIGO DE HAMURABI:
A mulher contava-se entre as reses da propriedade de um homem. Se algum homem matasse uma filha de outro homem, por exemplo, era obrigado pelo Código de Hamurabi a entregar-lhe uma filha sua, a qual podia ser morta ou tornar-se propriedade do pai da vítima e que este poderia poupar-lhe a vida e fazê-la sua propriedade. 

NA ANTIGA GRÉCIA:
A mulher era privada de toda e qualquer liberdade e de todos os direitos. Não tinha o direito de herdar. Aristóteles censurava os espartanos pela sua tolerância em relação às mulheres, tendo inclusive atribuído a decadência de Esparta, à liberdade concedida às mulheres.
A mulher era proibida de sair de casa; estava privada do direito de instruir-se (estudar). Estava-lhe vedada qualquer participação pública. Era tão desprezada que a chamavam “obra de Satanás”.
Perante a legislação em vigor, a mulher igualava-se a um objecto qualquer, pois era vendida e comprada em mercados específicos. Na Antiga Grécia a excepção era Esparta, onde a mulher desfrutava de uma situação um pouco melhor, devido à ocupação dos homens nas guerras, sendo que as mulheres eram então necessárias para executarem algumas tarefas ao contrário de Atenas. 

CÓDIGO DOS ANTIGOS ROMANOS:
Não era muito diferente do Código de Mani. A mulher não tinha o direito à propriedade, pois ela própria era propriedade do homem e por isso não era dona nem das suas roupas! Às vezes, um homem presenteava um amigo com uma mulher (escrava). 

NOS LIVROS ATRIBUÍDOS A MOISÉS:
Determinavam que a filha não herdava do pai dela, se ele tivesse filhos varões. E se não os tivesse, a filha não poderia casar-se com alguém de outro clã, porque ela não tinha o direito de transferir a sua herança para outro clã. 

OS JUDEUS:
Os judeus consideravam a mulher uma maldição, pois ela (Eva) enganou a Adão. Consta no TORAH que “a mulher é mais amarga do que a morte. O homem bom, perante Deus, é aquele que se salva da mulher”.

Depois da queda do Império romano Bizantino, difundiu-se no Oriente Médio de então, a filosofia da pobreza e a crença na impureza do corpo e na impureza da mulher que ficou estigmatizada pela maldição do pecado.

Afastar-se da mulher passou a ser considerado uma virtude! Resultou de tudo isso o “affaire”, do qual se ocuparam muitos teólogos até ao século V D.C, que se interrogavam se a mulher seria somente corpo…ou corpo e espírito?

Predominou a ideia de que a mulher não era dotada de alma e não alcançava a salvação! Exceto a Virgem Maria, mãe de Jesus. 

No ano 586 D.C. os franceses convocaram uma conferência especialmente para debater se a mulher poderia ser considerada HUMANA ou não. Depois de muitas discussões e debates, chegaram à conclusão de que “a mulher era um ser humano que fora criado apenas para servir ao homem”. 

Naquele ano de 586 D.C. o Profeta Muhamad, abençoado seja o seu nome, tinha apenas 15 anos de idade. 

NO MUNDO ÁRABE:
Antes do surgimento do Islão, a mulher de um modo geral era menosprezada e desconsiderada. Fazia parte da herança, dos bens, que passavam de pais para filhos.
Algumas tribos árabes enterravam as meninas à nascença, mesmo vivas (infanticídio), por temerem a desonra. A mulher não tinha o direito de herdar o que quer que fosse, visto que a tradição em vigor na época estipulava que “somente tem o direito de herdar quem empunhava a espada e defendia a tribo”. A mulher não tinha direito algum perante o marido. A poligamia era ilimitada e desenfreada. A mulher não tinha o direito de escolher com quem casar-se.
Antes do Islão, quando um árabe morria e deixava várias viúvas, o filho mais velho tinha o direito, privilégio, de herdar as outras esposas deixadas pelo pai (excluindo evidentemente a mãe), como herdava todos os outros bens. Se o filho quisesse desposar uma das viúvas, bastava-lhe que cobrisse a escolhida com a manta dele, que era o sinal convencionado. 

Nessa época para os árabes, o nascimento de uma rapariga era motivo de mau agouro e muito pessimismo. 

Até ao ano de 1805 D.C. a legislação inglesa, facultava ao marido vender a própria esposa! 

Quando eclodiu a revolução francesa no inicio do séc. XVIII D.C, declarando a libertação do homem da escravidão e da humilhação, não inclui a mulher nessa declaração, porque o Código Civil francês estabelecia que a mulher não era reconhecida para assinar nenhum contrato sem o consentimento do seu tutor, se fosse solteira. Esse mesmo código referia textualmente que legalmente os incapazes eram: a criança, o louco e a mulher….estando em vigor até ao ano de 1938 D.C, portanto a primeira metade do século XX! 

Na antiguidade a mulher era considerada um objecto ou mercadoria que se vendia e se comprava. Foi classificada impura e obra de Satanás, sofreu discriminações inacreditáveis como: não poder comer carne, não poder rir, não poder falar e até usaram nela um cadeado de ferro, o cinto de castidade! 

O Sagrado Alcorão estabelece que é Deus quem dá filhas, como é Ele quem dá os filhos. O Islão vetou o infanticídio, transformando-o em sacrilégio e classificando-o como o mais horrendo dos crimes. 

Surata 6ª AL NA’AM (O Gado)
6:140 “São desventurados aqueles que, néscia e estupidamente matam os seus filhos, na sua cega ignorância e recusaram a si mesmo daquilo com que Deus os agraciou, forjando mentiras a respeito de Deus. Já estão desviados e jamais serão encaminhados.” 

Surata 81ª AT TAQUIR (O Enrolamento)
81:8 “Quando a filha, sepultada viva, for interrogada.”
81:9 “Por que delito foste morta?” 

No meio de tamanhas trevas e de toda essa escuridão que envolvia a condição da mulher em todo o mundo de então, civilizado ou não, uma voz ouviu-se vinda dos céus e pronunciada por Muhammad (assn), voz essa que dava integralmente à mulher os seus direitos, sem qualquer restrições. Voz essa que declarava a mulher totalmente capaz para exercer os seus direitos por completo. 

Há mais de 1427 anos o Sagrado Alcorão, estabeleceu para a mulher direitos jamais conferidos anteriormente a ela, quer por qualquer código ou por alguma religião. 

Da humilhação, o Sagrado Alcorão, elevou a mulher à CONDIÇÃO HUMANA, descendente de Adão e Eva tal como o varão. Totalmente pura e livre do Satanás e nada tinha de abominável. O maior de todos os direitos que a mulher obteve do Sagrado Alcorão foi o de ser considerada inocente e livrada do tal Pecado Original. 

Pois o Alcorão diz que ambos: Adão e Eva, foram vítimas da sedução do Satanás. Ambos mereceram o Perdão Divino, por se terem arrependido e penitenciado. 

Os descendentes de Adão e Eva, quer homens quer mulheres, nada devem e nada têm a pagar pelos erros dos dois. 

Conforme a Surata 2ª versículo 134:
2:134 “ Aqueles são gentes que já se foram. Responsabilizam-se pelo que fizeram e vós pelo que fizestes. Não sereis indagados, responsabilizados, pelo que eles fizeram”. 

Nota importante: As recomendações do Sagrado Alcorão pelos direitos da mulher e para a mulher, não são resultados de quaisquer reivindicações dela própria, nem resultados de movimentos sociais ou feministas, nem de decisões governamentais. São e foram do Desígnio Divino, da ordem emanada do próprio Deus! 

A absolvição de Eva 

O Sagrado Alcorão estabeleceu o princípio de isentar a mulher da responsabilidade dos actos da primeira mulher e mãe de todas: EVA. Isto abrange a mulher e o homem de modo idêntico e por igual. 

Os Velho e Novo Testamentos atribuíram a Eva toda a responsabilidade da desobediência por ela ter comido da árvore proibida, seduzida que foi pela serpente. Vejamos: 

Antigo testamento:
GÊNESIS, 3:6 “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento. Tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido que também comeu”. 

GÊNESIS, 3:12 “Então disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore e eu comi”. 

GÊNESIS, 3:17 “E a Adão disse: Visto que atendestes a voz da tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara que não comesses: maldita é a terra por tua causa.” 

Novo Testamento:
2 Coríntios, 11:3 “ Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam corrompidas as vossas mentes e se apartem da simplicidade e pureza devidos a Cristo”. 

1 Timóteo, 2:14 “E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”. 

Mas o que diz o Sagrado Alcorão sobre isto? Vejamos: 

Surata 2ª, versículos 36 e 37:
2:36 “Satanás levou ambos por engodo, à desobediência que resultou na saída dos dois de onde estavam. Nós (Deus) dissemos-lhes: Descei! Sereis humanos e Satanás, inimigos na terra, tereis permanência e gozo até um período”.
2:37 “Depois, Adão recebeu palavras de seu Senhor, que perdoou-o, porque Deus é Perdoador e Misericordioso”. 

Surata 7ª, versículos 20,21,22,23:
7:20 “Satanás sussurrou a ambos (Adão e Eva) para dar-lhes a conhecer a respeito da sua nudez, o que então lhes havia sido ocultado, dizendo-lhes: o vosso Senhor proibiu-vos esta árvore para não vos tornardes dois anjos ou para não vos tornardes imortais”.
7:21 “E, sob juramento, disse-lhes: eu sou para vós um sincero conselheiro”.
7:22 “Assim ele os guiou traiçoeiramente e quando provaram dos frutos da árvore, revelou-se-lhes a vergonha da sua nudez e tentaram ocultá-la cobrindo-se com folhas de plantas. E o Senhor chamou-os dizendo-lhes: Não vos tinha proibido, Eu, os frutos dessa árvore e não vos tinha dito que Satanás era vosso inimigo declarado?”.
7:23 “Eles disseram: Ó Senhor nosso! Ofendemo-nos a nós mesmos. Se não nos perdoares e se não fores Misericordioso para nós, certamente estaremos perdidos!”. 

O Sagrado Alcorão, foi até mais além e em alguns versículos atribuiu o pecado unicamente a Adão. 

Surata 20ª, versículos 120, 121.
20:120 “Satanás atraiu Adão e disse-lhe: Ó Adão, queres que te indique a árvore da imortalidade e um reino eterno?”.
20:121 “E ambos (Adão e Eva) comeram da árvore. Suas partes pudicas ficaram expostas e puseram-se a cobrir os seus corpos com as folhas do paraíso. Adão desobedeceu ao seu Senhor e foi enganado”. 

Deste modo, o Sagrado Alcorão livrou a mulher da maldição que os teólogos das outras religiões anteriores ao Islão a ela atribuíram. Não responsabilizando-a pelo pecado cometido, nem pelo castigo da expulsão do paraíso. 

Os direitos da mulher no Sagrado Alcorão 

O fundamental é reconhecer o direito da mulher por ser realmente um direito e não como qualquer atendimento às reivindicações, ou por ser de alguma ideologia ou por circunstâncias de alguma necessidade específica da administração estatal. O Islão libertou a mulher e dignificou-a, assegurando a ela uma posição de acordo com sua estatura como mãe, esposa e filha. 

O Sagrado Alcorão fez da mulher um dos dois elementos basilares da humanidade, que Deus contemplou, destinando-lhe o direito de ter o seu espaço na Terra. 

Surata 4ª, versículo 1:
4:1 “Ó Humanidade! temei o vosso Senhor que vos criou de um único ser do qual criou a sua companheira e de ambos fez descender inumeráveis homens e mulheres…” 

Surata 49ª, versículo 13:
49.13 “Ó Humanidade! Nós vos criamos em dois sexos: masculinos e feminino e vos fizemos povos e tribos para que vos conheceis e relacionais. O mais digno perante Deus é aquele que é o mais piedoso. Deus é Omnisciente e Integradíssimo”. 

Como ser humano, a mulher tem o direito de trabalhar e auferir uma remuneração pelo seu trabalho. É direito da mulher escolher o seu esposo. Pois a mulher é exactamente igual ao homem. 

Surata 3ª, versículo 195:
3:195 “ E o Senhor os atendeu e lhes disse: Jamais deixarei perder a obra de qualquer de vós, seja homem ou mulher, pois procedeis uns dos outros.” 

O Profeta Muhammad (abençoado seja seu nome) disse: 

“Os seres humanos igualam-se como os dentes de um pente. Não se diferencia um árabe de não-árabe, nem o grande em relação ao pequeno, nem um homem de uma mulher, senão pela piedade. As mulheres são irmãs dos homens”. 

O Código Islâmico (Shariah) colocou o homem e a mulher num único plano, quer no tocante ao casamento, na livre manifestação do pensamento, nas transacções comerciais de compra e venda e também na sujeição às penalidades. 

O Islão livrou Eva da estigma do pecado de ter comido e induzido Adão a fazê-lo da árvore proibida e determinou que a culpa fosse partilhada por ambos. 

O Islão igualou a mulher ao homem como capaz na sua fé e religiosidade e na sua devoção a Deus e que entrará no paraíso, exactamente como o homem, pelo que fizer e praticar o bem. Sendo a mulher igual ao homem perante Deus, a recompensará com o magnifico benefício pelos seus feitos. 

Surata 57ª, versículo 18:
57:18 “ Na verdade os caridosos a as caridosas que emprestam espontaneamente a Deus, serão retribuídos a dobrar e obterão uma generosa recompensa”. 

Surata 4ª, versículo 124:
4:124 “E os que praticam boas acções, sejam homens ou mulheres e sejam crentes entrarão no Paraíso e não serão prejudicados, no mínimo que seja”. 

Surata 16ª, versículo 97:
16:97 “ Quem praticar o bem, seja homem ou mulher e crente em Deus, concederemos uma vida agradável e premiaremos com uma recompensa de acordo com a melhor das suas acções”. 

O Islão concedeu à mulher o direito de desenvolver o trabalho missionário no seio da comunidade. 

Surata 9, versículo 71 – 72:
9:71 “ Os crentes e as crentes são protectores uns dos outros; e ordenam o bem e proíbem o mal; e observam a oração e pagam a “zakat”; e obedecem a Deus e ao Seu Mensageiro. Por isso tudo, Deus será misericordioso para eles; e na verdade Deus é Poderoso e Sábio”.
9:72 “ Deus prometeu aos crentes a às crentes jardins sob cujas ramadas correm os rios, onde viverão eternamente em magnificas moradas, nos jardins do Éden; e a complacência de Deus é ainda maior do que isso. Tal é o magnífico benefício”. 

E o Sagrado Alcorão ainda reforça este princípio com os seguintes versículos: 

Surata 33, versículo 35:
33:35 “Quanto aos muçulmanos e às muçulmanas, aos crentes e às crentes, aos piedosos e às piedosas, aos verazes e às verazes, aos humildes e às humildes, aos caridosos e às caridosas, aos jejuadores e às jejuadoras, aos recatados e às recatadas, aos que invocam Deus, homens e mulheres, saibam que Deus lhes tem destinado o Seu perdão e uma magnífica recompensa”. 

Surata 3, versículo 195:
3: 195 “E o Senhor os atendeu e lhes disse: “Jamais deixarei perder a obra de qualquer de vós, seja homem ou mulher, pois procedeis uns dos outros..”. 

Deus elegeu mulheres, assim como elegeu homens. 

Surata 3, versículos 33-42-43:
3:33 “ Na verdade, Deus escolheu Adão e Noé, a família de Abraão, e a família de Imran acima de todas as criaturas do mundo”.
3:42 “ E lembra-te quando os anjos disseram: Ó Maria! Na verdade, Deus escolheu-te acima das mulheres de todas as nações”.
3:43 “ Ó Maria! Sê obediente ao teu Senhor, prostra-te e curva-te com os que se curvam na adoração”. 

O Islão estabeleceu a igualdade entre homens e mulheres incentivando-os a estudar e a instruir-se. O Profeta Muhamamad (ASSN) disse: “ A busca do saber é dever de todo muçulmano e muçulmana”. 

O Islão estabeleceu igualdade nos direitos conjugais. 

Surata 2, versículo 228:
2:228 “ ..E elas, as mulheres têm direitos sobre eles, como eles os têm sobre elas, condignamente”. 

Se o esposo se desviar do cumprimento dos seus deveres para com a esposa, esta tem o direito de levar o caso ao conhecimento do juiz e dizer que o seu esposo contrariou a Shariah (Lei islâmica). Comprovado o caso, o juiz sentencia obrigatoriamente a favor da esposa. 

O fundamental no Islão ao se referir ao homem e à mulher, é a unidade da origem, com a devida e necessária atenção quanto às diferenças naturais e biológicas, quer nas características físicas quer na funções orgânico-fisiológicas do sexo. 

Deus criou o homem e a mulher para desempenharem funções específicas e às vezes distintas, habilitando cada qual com uma estrutura orgânica e geneticamente apropriada para as suas peculiares tarefas. Por isso o homem e a mulher não são iguais de modo absoluto. 

Direitos sociais da mulher no Islão 

1- Direito de estudar
O Profeta Muhammad (assn) disse: “ O pai que proporciona à sua filha a oportunidade de se instruir (estudar) e der a ela uma educação primorosa, merecerá o paraíso”. 

O Islão incentiva tanto os homens quanto às mulheres a adquirirem saber, estudando. Mais do que incentivar e recomendar, o Islão fez do estudar um dever obrigatório para mulheres e homens. Não há no Islão, quer no Alcorão ou na Sunnah, nenhuma referência, nenhum texto, mesmo indirectamente, que proíba ou restrinja a mulher de estudar. 

2- Direito de trabalhar
As actividades permitidas à mulher no Islão, são exactamente as que são permitidas aos homens, sem qualquer discriminação. 

Todavia a função de “cabeça de casal” deverá ser inevitavelmente destinada a um dos cônjuges. 

Não existe no Islão nenhuma barreira e nenhum impedimento entre a mulher e qualquer trabalho honesto, decente e adequado. 

O facto de haver um grande número de mulheres trabalhando em países não-muçulmanos, não está relacionado a presumíveis obstáculos que teriam sido criados pelas leis islâmicas. Está relacionado na verdade às diferenças entre uma sociedade e outra no tocante a estágios e ciclos. 

A mulher tem o direito de trabalhar, direito este assegurado pelo Islão. 

A mulher muçulmana pode realizar negócios comerciais sem a tutela ou a procuração do pai ou do esposo, desde que ela observe escrupulosamente e estritamente a boa educação islâmica. 

À mulher cabe total liberdade de gerir o pecúlio dela, sem autorização do esposo, o qual não tem o direito de tutelar o patrimônio de sua esposa, salvo quando for da expressa e espontânea vontade dela. 

Surata 4, versículo 32:
4:32 “ Não ambicioneis aquilo com que Deus agraciou uns, mais do que aquilo com que agraciou outros, porque aos homens corresponderá aquilo que ganharem; assim também as mulheres terão aquilo que ganharem. Rogai a Deus que vos conceda a Sua graça, porque Deus é Omnisciente.” 

À mulher é assegurado, no Código Islâmico, o direito de mesmo depois de casada de conservar o nome da família do pai dela, isto é: o uso do sobrenome da família paternal dela. 

As mulheres muçulmanas exerciam actividades comerciais nos mercados e nas feiras, vendiam alimentos, tratavam dos enfermos, leccionavam a grandes e pequenos ensinando a ler e a escrever. 

Alguns exemplos de trabalho feminino na época do Profeta: 

RAFIDA: Era uma enfermeira, ministrava remédios aos doentes, tratava dos feridos e recebia honorários pelo seu trabalho. 

AL CHAFAE AL ADAUIAH: Lecionava mediante um salário, a outras mulheres, ensinando-as a ler e escrever. 

ZAINAB BINT JAHCH: Era exímia no ofício de tricotar, ganhando o seu sustento nessa actividade. 

KUAYBA BINT SAED: Era médica e exercia a sua profissão. 

3- Direito de herdar
O Islão concedeu à mulher, como mãe, como esposa e como filha o direito à herança. O Profeta Muhammad (assn) disse: “Igualai entre os vossos filhos quando lhes fizerdes doações. Se tivesse que privilegiar alguém, privilegiaria as filhas. Quem privar alguém da herança a que tem direito, Deus o privará da brisa do paraíso”. 

4- Direitos políticos
O Profeta Muhammad (ASSN) possibilitou a adesão política (Bi Ah), das mulheres verbalmente, isto é sem o aperto de mãos, comuns entre os homens. Isto sucedeu por ocasião da tomada pacífica da cidade de Meca. 

Desta forma evidencia-se a gentileza do Profeta para com as mulheres, dando-lhes a primazia de se envolverem politicamente, assumindo os seguintes compromissos: 

- De nada associarem a Deus: O único, O Uno;
- De não roubarem;
- De não prevaricarem (não cometerem adultério);
- De não matarem as suas filhas (infanticídio);
- De não mentirem, criando farsas ou infâmias;
- De não desobedecerem a Deus nem ao Apóstolo. 

Tudo isto está contido na Surata 60, versículo 12:
60:12 “ Ó Profeta, quando as crentes se apresentarem a ti jurando fidelidade, afirmando-te que não atribuirão parceiros a Deus, a não roubarem, a não prevaricarem (adultério), a não matarem os seus próprios filhos, a não caluniarem, e a não te desobedecerem no que constituir-se em direito reconhecido, aceita então a adesão delas e pede a Deus que lhes perdoe, porque Deus é Indulgente e Misericordioso.” 

Nos textos islâmicos nada consta que prive a mulher da sua capacidade para exercer actividades políticas qualquer que seja, desde que enquadradas no espírito da “Chariah.” 

 

1- O importante no Islão, é reconhecer os direitos da mulher por serem mesmo de direito. 

2- A moral do tratamento dado à mulher pelo Sagrado Alcorão, constitui-se nos Estatutos Permanentes da Mulher, da qual depende o bem-estar da família e da sociedade (nação). 

3- Um importante avanço foi alcançado dentro das constituições modernas, no tocante aos direitos da mulher, depois da 1ª e 2ª Guerras Mundiais quando a mão-de-obra masculina foi subtraída dos sectores de produção (fábricas, indústrias, etc.), para ser empregada nos campos de batalha. Houve por isso necessidade de se recorrer à mão-de-obra feminina, a fim de que não se paralisassem as actividades económicas e industriais. 

Nessa altura há muito que o Código do Sagrado Alcorão assegurara à mulher os seus direitos pelo direito e no próprio interesse da mulher. Consequentemente para o interesse dos povos e da própria humanidade. 

4- Em determinadas partes do mundo a mulher obteve alguns direitos, após a era industrial propriamente dita. Contudo essa conquista foi o resultado de uma luta árdua e prolongada em defesa dos direitos femininos, até então negados, negligenciados e às vezes usurpados. 

5- Já a mulher muçulmana, esteja onde estiver, é detentora de direitos e deveres criados e estabelecidos pelo Próprio Deus, há mais de catorze séculos, baseados na justa igualdade e proporcionalidade equilibrada. 

6- A equidade ideal entre os dois sexos e a justiça perfeita entre os interesses de ambos efectivam-se quando o convívio entre os dois dentro da sociedade, transcorrer conforme os princípios da cooperação e da distribuição das tarefas e não sob o individualismo que gera a discórdia e as disputas por vantagens e reivindicações. 

Alguma das Mulheres que se distinguiram na história islâmica 

Khadija Bint Khuailed
O primeiro coração que palpitou pelo Islão e resplandeceu com sua luz foi o de uma mulher: Khadija! O Arcanjo Gabriel disso ao Profeta (ASSN): “ Transmita à Khadija a saudação, a paz, de Deus”. Khadija respondeu: “ A Deus e de Deus é a paz. Sobre Gabriel minha paz.” Ninguém entre todos muçulmanos, homens e mulheres, mereceu tamanha distinção e honraria, vindas de Deus! 

Sobre Khadija, Muhammad (ASSN) disse: “ Ela teve fé em mim quando os demais me desacreditaram, acreditou no que eu dizia quando os outros desmentiram-me, apoiou-me com os seus recursos quando as pessoas privaram-me e dela Deus me deu descendência e das outras esposas não.” 

O primeiro segredo que o Profeta confidenciou foi à esposa dele, Khadija, quando recebeu de Gabriel a primeira revelação Divina, e ela disse a Muhammad (ASSN): “ Alegra-te, querido esposo e sê firme. Por Deus, em cujas mãos está a minha alma, espero que sejas o Profeta desta nação.” 

No início, quando Muhammad (ASSN) recebia a visita do arcanjo Gabriel e ficava com dúvidas, se se tratava de um anjo ou de um demónio, Khadija fez uma experiência: despiu-se das suas vestes exteriores e o anjo desapareceu! Então ela disse ao Profeta: “ Sê firme e alegra-te! Por Deus que é um anjo e não um demónio.” 

Muhammad (ASSN) disse, depois da morte de Khadija: “ Deus não deu nenhuma esposa mais virtuosa do que Khadija”. 

Fátima (Al Zahráe)
A filha que o Profeta mais amou. Era que mais se parecia com Ele, física e moralmente. O Profeta denominou-a “ A Mãe do próprio Profeta”. À Fátima, o Profeta (ASSN) disse: “ Deus zanga-Se quando você se zanga e alegra-se quando você se alegra”. Aichah, a esposa mais jovem de Muhammad (ASSN) disse, referindo-se à Fátima: “ Não conheci ninguém mais nobre do que Fátima, excepto o pai dela”. O Profeta dizia dela: “ Fátima é parte de mim, entristece-me tudo que a entristece e alegra-me tudo que a alegre”. Sempre que o Profeta (ASSN) avistava Fátima a aproximar-se, levantava-se para recebê-la e beijava a mão dela. 

Aichah
Foi a esposa mais jovem que Muhammad (ASSN) desposou, tinha cerca de 16 anos de idade. Sabia ler e escrever, numa época em que poucos homens, especialmente os companheiros (Sahaba) do Profeta, sabiam-no. 

Aichah relatou mais de 2.000 tradições orais proferidas pelo Profeta Muhammad (ASSN), nas mais variadas questões, onde são tratadas injunções legais, exortações morais e normas educativas e os princípios nos quais se baseia tanto em assuntos teólogos quanto rituais, tendo sido a par de Abu Hurairah, os que mais relataram e retransmitiram as tradições do Profeta. 

Curiosamente as tradições relatadas por Aichah eram consideradas as mais precisas e de maior credibilidade. 

Aichah participou na batalha de Badr, contra os idólatras de Coraich, carregando odres de água para dar de beber aos combatentes muçulmanos, no que era ajudada por Om Salim e muitas outras mulheres. 

O Profeta tratava a sua esposa com carinho e bom humor, dedicando-lhe tempo e atenção, como se pode verificar no seguinte episódio: um certo dia o Profeta apostou uma corrida com a sua esposa Aichah, tendo ela vencido. O Profeta disse-lhe: “ Esta por aquela”, referindo-se a uma outra em que Ele teria vencido. 

Numa outra ocasião, Abu Bakr, pai de Aichah, foi à sua casa e encontrou duas jovens cantando e batendo num instrumento musical de percussão (bombo). Era dia de Ide (festa religiosa no Islão), Abu Bakr censurou a filha por permitir esta manifestação. O Profeta estava por perto e disse-lhe. “ Deixe-a. Todo o povo comemora as suas festas e hoje é a nossa festa”. 

Sumaya Bint Khubbat
Morreu como mártir por sua fé e adesão ao Islão, tendo sido a primeira mulher-mártir em defesa da causa do Islão. Era esposa de Yasser e mãe de Ammar. 

Naciba Bint Ka´eb
Foi uma das mulheres que juntamente com 73 homens assinaram o pacto de Ákabah com o Profeta Muhammad (ASSN). A outra foi Asma ´E Bint Amru, mãe de Moaz Bin Jabal. 

Na batalha de Uhud, Naciba participou, no início dando água aos combatentes e assistindo aos feridos. No entanto os muçulmanos sofrerão pesadas perdas e bateram em retirada. Apenas dez homens permaneceram defendendo a pessoa do Profeta. Naciba, de espada em punho, lançou-se na defesa do Profeta (ASSN), o qual disse: “ Quer olhando à minha direita ou à minha esquerda, eu via Naciba lutando para me defender. 

Naciba sofreu treze ferimentos sem parar de lutar na defesa do Profeta, enquanto lhe dizia: “ Peça a Deus para sermos seus companheiros no paraíso”. 

Safiya Bint Abdul Muttaleb
É tia do Profeta (ASSN) por parte do pai. Na batalha do Khandak (Ahzab), encontrava-se ela entre as mulheres e as crianças, que foram abrigados na fortaleza de “Bani Hariça”. 

Safiya avistou um cavaleiro judeu aproximando-se da fortaleza. Empunhou então uma trave e com ela enfrentou aquele judeu, matando-o. 

Antes disso, quando em Uhud, foi morto o irmão dela, o valoroso Hamza cujo corpo foi mutilado, quiseram impedi-la e assim poupa-la de ver o corpo do irmão mutilado. 

Mas ela disse ao próprio filho Al Zubair: “ Diga ao Apóstolo de Deus que resignamo-nos pelo que sofremos em defesa da religião de Deus. Resignar-me-ei e buscarei forças em Deus, para suportar a dor da perda do meu irmão Hamza”. 

Fátima, esposa de Abu Taleb
Defendeu com todas as suas forças, o Profeta Muhammad (ASSN), sobrinho do esposo dela. Depois da morte do esposo, continuou a defender o Profeta, seguindo-o na Hégira para Medina. 

Quando ela morreu, Muhammad (ASSN) enrolou o seu corpo com a sua túnica a servir de mortalha e desceu com o corpo dela à sepultura, tendo ficado muito tempo ao lado do corpo a orar. Os muçulmanos disseram-lhe: “ Não te vimos a fazer isto a ninguém excepto a ela.” Ao que Ele respondeu: “ depois de Abu Taleb, ninguém foi tão generoso e solidário a mim com ela o foi.” 

Om Salamáh
Esposa do Profeta, cujo conselho ele seguiu, por ocasião do tratado de Hudaibiyah e obteve bons resultados, dando o exemplo vivo de se respeitar o pensamento da mulher, confiando na sua visão e considerando a sua opinião. 

Certa vez Om Salamáh dissera ao Profeta: “ Ó Apóstolo de Deus, não vimos O Altíssimo Deus no Sagrado Alcorão, quanto à Hégira das mulheres”. 
Deus então revelou o versículo 195 da Surata 3:
3:195 “ E o Senhor os atendeu, e lhes disse: Jamais deixarei perder a obra de qualquer de vós, seja homem ou mulher; procedeis uns dos outros; quanto àqueles que abandonaram e foram expulsos de seus lares, e sofreram danos por Minha Causa, e combateram e foram mortos, na verdade Eu absolvê-los-ei das suas más acções, e os introduzirei nos jardins abaixo dos quais correm rios, como recompensa de Deus; sabei que Deus possui a melhor das recompensas”.

FONTE: “Condição da Mulher na Religião Muçulmana” – Prof. Mohamad Abou Fares - 

Qual é a posição das mulheres no Alcorão e nos Aha-dith (pl. de Hadith)!


Qual é a posição das mulheres no Alcorão e nos Aha-dith (pl. de Hadith)? É muito interessante comparar aqui-lo que é dito no Alcorão acerca das mulheres com aquilo que surge acerca delas na literatura de alguns Ahadith. E não me estou a referir aqui aos Ahadith de outras fontes, mas àquela que é conhecida como Sihah Sitta (i.e. as seis fontes mais autênticas dos Ahadith). Espero que os nossos Ulema reflictam sobre a diferença entre a forma como o Alcorão vê as mulheres e a perspectiva que alguns Ahadith têm delas. Muitas das angústias das mulheres muçulmanas terminarão, se nos guiarmos pelo Alcorão em vez de seguirmos estes Ahadith. 

As mulheres perderam nos Ahadith aquilo que haviam conquistado no Alcorão. Actualmente, se o mundo pensa que o Islão trata as mulheres de forma extremamente injusta, tal deve-se ao facto de seguirmos esses Ahadith, em vez de nos guiarmos pelo Alcorão, no que respeita às mulheres. Na fase pré-islâmica, as mulheres ti-nham o mais baixo dos estatutos sociais e o Alcorão elevou-o consideravelmente, algo que o nosso Ule-ma nunca se cansou de referir. Mas no espaço de algumas décadas após a revelação do Alcorão, as mu-lheres voltaram a descer à sua condição pré-islâmica, no seio de uma sociedade ferozmente dominada pelos homens. E tal foi alcançado recorrendo aos Ahadith como fator de legitimação. 

Aqueles que narraram os Ahadith nunca pararam um momento para pensar no quanto os mesmos contra-dizem o Alcorão, uma vez que eles serviam, de forma exímia, o seu propósito social. O Alcorão facultou ideais e valores, mas a sociedade foi incapaz de ascender a esse nível, tendo, pelo contrário, arrastado o Islão ao seu próprio nível, pelo que os Ahadith serviam melhor os seus interesses. 

Quando o Islão estava confinado à península arábica, era diferente, mas a partir do momento em que se disse-minou por paragens longínquas, a zonas do Império Romano, ao Império Sassânida (Irão), à Ásia Central, etc., regiões muito díspares na sua cultura, valores religiosos e ética social, foi perfeitamente natural que o Islão se tenha adaptado às necessidades dessas sociedades. Todos os juristas (fuqaha') afirmam que até a Chari'ah integra bastante das adati árabes (leis consuetudinárias). Não era fácil evitar todos estes valores culturais e práticas consuetudinárias que existiam nas sociedades não-árabes quando os povos destas regiões se converteram ao Islão. O estatuto das mulheres nestas regiões não era muito diferente daquele que tinham na Árabia pré-islâmica; quando nos convertemos a uma religião que teve origem longe da nossa própria zina, não pomos automaticamente de parte os nossos valores culturais e ética social própria. 

Da mesma forma, é sabido que o Islão se disseminou de forma abrangente, ampla e mais rapidamente do que a compilação das leis da Chari'ah nas diferentes escolas. Com efeito, surgiram várias escolas da Chari'ah (madahibi) nas diferentes zonas pelas quais o Islão se disseminou. Mesmo antes de os árabes terem conseguido apreender o significado pleno do Islão e ajustar as suas vidas a novos valores e ideais, ele já se tinha espalhado por várias zonas do mundo, até à China. A verdade é que o Islão se disseminou por estas regiões a uma velocidade alucinante. 

É também interessante realçar que uma série de com-panheiros do Profeta (p.e.c.e.) se espalharam por várias regiões do mundo e, em muitos casos, estes companheiros casaram com mulheres locais, tendo adotado os valores culturais da região, mas, visto que continuavam a ser companheiros do Profeta (p.e.c.e.), eram igualmente fontes de conhecimento islâmico, e aqueles que se convertiam ao Islão seguiam-nos em busca de orientação. A partir desta altura, vários Ahadith foram narrados por estes companheiros, com base nas memó-rias que tinham e no seu entendimento do Islão. Assim sendo, a par da autenticidade dos Ahadith, a sociologia a elas associada torna-se igualmente importante. 

Enquanto o Alcorão foi compilado durante a vida do Profeta (p.e.c.e.) e quando foram notadas algumas va-riações em relação à récita padrão (principalmente devido a dialetos tribais), o Califa Hazrat Osman (r.a.) teve a sabedoria de compilar a versão padrão e destruir todas as outras, tendo-se desta forma preservado o Alcorão das diferenças textuais. Todas as outras cópias do Alcorão foram concebidas com base nesta. 

Os Ahadith, por outro lado, foram compilados dois a três séculos depois da morte do Profeta Sagrado (p.e.-c.e.) e sofreram muitas alterações, devido à passagem do tempo. Embora tenham existido vários narradores e apesar da sua honestidade e integridade, havia grande probabilidade de os textos serem modificados de narrador para narrador, uma vez que estes tinham, inclusivamente, diferentes interpretações e origens culturais. Infelizmente para os Ahadith, a honestidade e integridade dos seus narradores tornaram-se nos únicos critérios, em vez de se valorizar a conformidade com a perspectiva, valores e ideais do Alcorão. 

Por outro lado, havia também aqueles que não hesitavam em criar um Hadith com o intuito de legitimar um qualquer comportamento ou necessidade de algum indivíduo importante e poderoso. Assim sendo, enquanto nunca houve qualquer divergência em relação ao Texto do Alcorão, têm surgido alguns desacordos em relação à autenticidade ou carácter apócrifo de alguns Ahadith. Na verdade, poder-se-iam ter evitado muitos problemas se não tivesse sido aceite um número tão grande de Aha-dith. Foi exatamente por estas razões que o Profeta (p.e.c.e.) desencorajou a compilação destes Ahadith. Mas os Ahadith tornaram-se necessários a nível sócio- cultural e sócio religioso, em circunstâncias muitíssimo diferentes. Estas necessidades eram de tal forma pre-mentes que se desenvolveu uma doutrina segundo a qual, se um Hadith entrasse em contradição com o Al-corão, o Hadith prevaleceria. Muitas leis da Chari'ah tiveram esta orientação por base. Depois surgiram muitas questões relativas ao fato de o Hadith ser fraco (da'if), ser narrado por apenas um ou vários narradores, de existirem diferentes versões da mesma e de os seus narradores (ravi) serem da'if (fracos), entre outras. Parte da literatura sobre os Ahadith está repleta destas contro-vérsias. Acrescenta-se que diferentes facções se basearam em diferentes Ahadith, para legitimar as suas perspectivas. Resumindo, muitas controvérsias se geraram devido a uma sujeição excessiva em relação aos Aha-dith. 

E ainda muitos mais Ahadith foram usados para rebaixar o estatuto das mulheres, na medida em que os ideais e os valores do Alcorão a respeito das mulheres não podiam ser aceites por sociedades que tratavam as mulheres como subordinadas dos homens. Os homens queriam manter a sua superioridade em todas as cir-cunstâncias. Pensavam que tinham poder sobre as mulheres, e muitos versículos do Alcorão eram explicados de acordo com a ética da superioridade masculina. A maioria dos versículos do Alcorão que fala sobre as mulheres não é explicada à luz de outros versículos do Alcorão (a única metodologia fiável para compreender o verdadeiro significado do Alcorão), mas sim com a abordagem dos Ahadith que aviltam as mulheres. 

Gostaria de comparar neste artigo os Ahadith acerca das mulheres com versículos do Alcorão, para demonstrar os quão contraditórios entre si são estes versículos do Alcorão e os Ahadith. O Alcorão refere a igual dignidade de homens e mulheres, e até a história de Adão e Eva é contada de uma forma que não culpa, de forma alguma, Eva por ter comido o fruto da árvore da qual Adão estava proibido de se aproximar. O Alcorão fala acerca da criação dos homens e mulheres a partir de um só nafs (alma), enquanto o hadith afirma que Eva foi criada com base numa costela de Adão. O Alcorão declara que foi Adão quem desobedeceu ao seu Senhor e que agiu com ignorância. Assim, o Alcorão afirma: «E Adão desobedeceu ao seu Senhor e foi contrariado». (20:121). 

Da mesma forma, todo o discurso do Alcorão acerca das mulheres é baseado nos direitos delas, ao passo que, na Chari'ah, graças à literatura dos Ahadith, todo o discurso se centra nos deveres das mulheres e nos direitos dos homens, algo que se percebeu durante o período da jahiliyyah (ignorância). Era demasiado difícil para os homens aceitar a igual dignidade entre homens e mulheres na sociedade feudal em que as regras da Chari'ah foram compiladas. 

O Alcorão atribui igualdade de direitos e de digni-dade a homens e mulheres, mas os textos dos Ahadith estão repletos de Ahadith que contradizem esta perspectiva do Alcorão. Por exemplo, no Bukha-ri, encontramos um hadith que entra em contradição com o versículo 33:35 do Alcorão. O hadith narra o seguinte: 

"O Profeta (p.e.c.e.) exortou as mulheres a serem generosas nas suas oferendas, pois quando vislumbrou as chamas do Inferno, constatou que a larga maioria das pessoas atormentadas eram mulheres. As mulheres ficaram furiosas, tendo-se uma delas levantado de imediato para saber a que razão se devia aquilo. - Porque - respondeu ele - as mulheres resmungam muito e são ingratas para com os seus maridos! Mesmo que os pobres passem a vida a fazer coisas por vocês, basta-vos estar aborrecidas com qualquer coisa para dizerem: 'Nunca me fizeste bem nenhum!' E então as mulheres começaram a tirar as alianças energicamente e atirá-las à capa de Bilal." (Bukhari 1.28, Abu Dawud 439). 

Repare-se no conteúdo e tom deste hadith. Está repleto de uma atitude machista, sendo que, de acordo com este hadith, as mulheres são ingratas para com os maridos. Para ver como esta ideia é contestada, consulte-se o versículo do Alcorão 33:35, que diz: «Para os homens e mulheres que se submetem ao Islão, para os homens e mulheres crentes, para os homens e mulheres obedientes, para os homens e mulheres verdadeiros, para os homens e mulheres que são pa-cientes, para os homens e mulheres que são humildes, para os homens e mulheres que dão para caridade, para os homens e mulheres que fazem jejum, para os homens e mulheres que preservam a sua castidade e para os homens e mulheres que se empenham no louvor a Allah, para todos eles Allah reservou o perdão e uma grande recompensa». 

Veja-se como neste versículo o Alcorão trata da mesma forma homens e mulheres, referindo um igual grau de perdão e iguais recompensas. No hadith atrás narrado, por outro lado, são condenadas ao fogo do Inferno mais mulheres que homens, devido ao facto de serem ingratas em relação aos maridos. O Alcorão não exige em parte nenhuma que a mulher seja obediente ao marido. É ao marido que se adverte para que seja generoso para com a esposa (consultar 2:229) "faz-lhe boa companhia (bi ma'ruf) e trata-a com gentileza" (bi ihsanin). 

Também o vestuário dos homens e mulheres é descrito (libaç) (2:187 Está-vos permitido, nas noites de jejum, acercar-vos de vossas mulheres, porque elas são vossas vestimentas e vós o sois delas. ). De acordo com o Alcorão, homens e mulheres são entre si zawj (parte do casal), tal indicando a existência de igual dignidade, amor e respeito e não obediência ou subordinação. O Profeta (p.e.c.e.) nunca tratou nenhuma das suas esposas como subordinada. Não só se limitava a tratá-las com dignidade, mas também aconselhava-se junto delas com frequência acerca de várias questões, seguindo mesmo os conselhos que elas lhe davam. Com efeito, o conselho de Umm Salma (r.a.) que consistia no sacrifício de um animal em Hudaybiya revelou-se muito positivo. 

“A MULHER É APENAS MEIA TESTEMUNHA?” 

Examinemos mais um hadith que aparenta estar em conformidade com as disposições do Alcorão, mas que, na verdade, não está. O seu autor é Muslim. O hadith é narrado da seguinte forma: 

Conta-se que o Profeta (p.e.c.e.) terá dito: “Não conheço mais ninguém, a não serdes vós, com falta de senso comum e em incumprimento para com a religião, mas desprovendo (simultaneamente) o sábio da sua sabedoria". Ao ouvir estas palavras, houve uma mulher que fez o seguinte comentário: - O que tem o nosso senso comum e a nossa prática religiosa de errado? - Ele observou: - A vossa falta de senso comum é provada pelo fato de o senso comum de duas mulheres equivaler ao de um homem; é essa a prova de que têm falta de senso comum. E há noites (e dias) em que não fazem as vossas orações, e também não cumprem o jejum durante o mês do Ramadão (durante o período menstrual); é esse o vosso incumprimento em relação à religião”. (Muslim, 31). 

Este hadith apresenta várias falhas. O Alcorão não afirma que a mulher não é uma testemunha na sua plenitude, nem que é desprovida de senso comum. E o mensageiro de Allah (p.e.c.e.) nunca diria palavras que denigram as mulheres com quem se aconselhou em alturas difíceis, tal como foi referido atrás. O Alcorão limita-se a declarar que, quando fazemos um empréstimo, devemos fazer registo dele por escrito, com duas testemunhas do sexo masculino, e no caso de estas não estarem disponíveis, deverá optar-se por ter como testemunhas duas mulheres e um homem, para que, no caso de uma se esquecer, a outra se poder lembrar. (2:282 ".Ó fiéis, quando contrairdes uma dívida por tempo fixo, documentai-a; e que um escriba, na vossa presença, ponha-a fielmente por escrito; que nenhum escriba se negue a escrever, como Deus lhe ensinou. Que o devedor dite, e que tema a Deus, seu Senhor, e nada omita dele (o contrato). Porém, se o devedor for insensato, ou inapto, ou estiver incapacitado a ditar, que seu procurador dite fielmente, por ele. Chamai duas testemunhas masculinas de vossa preferência, a fim de que, se uma delas se esquecer, a outra recordará. Que as testemunhas não se neguem, quando forem requisitadas. Não desdenheis documentar a dívida, seja pequena ou grande, até ao seu vencimento. Este proceder é o mais equitativo aos olhos de Deus, o mais válido para o testemunho e o mais adequado para evitar dúvidas. Tratando-se de comércio determinado, feito de mão em mão, não incorrereis em falta se não o documentardes. Apelai para testemunhas quando mercadejardes, e que o escriba e as testemunhas não seja coagidos; se os coagirdes, cometereis delito. Temei a Deus e Ele vos instruirá, porque é Onisciente".)
Este versículo não declara de forma alguma que a mulher tem falta de senso comum. A mulher poderia ser considerada inexperiente, pois naquela época as mulheres não se dedicavam a transações financeiras. A falta de experiência não pode ser equiparada à ausência de senso comum. Igualmente, se as mulheres não podem fazer preces ou praticar o jejum durante a menstruação, como podem ser esses fatos considerados como "incumprimentos à religião"? Esse é um estado de incapacidade, e não de ausência de crença ou empenho. A crença ou religião está relacionada com a nossa alma e com o nosso coração, e não com a nossa condição física. O nosso Profeta (p.e.c.e.) tinha um grande respeito pelas mulheres e pelas suas esposas. É impensável que ele dissesse este tipo de coisas aviltantes acerca das mulheres. Ele amava profundamente Khadija, Fatima e Ayisha (r.a.). Todas estas mulheres eram extremamente inteligentes e grandes defensoras do Islão. Com efeito, eram mais consistentes na sua crença no Islão do que muitos homens. Todo o mundo muçulmano respeita bastante estas mulheres. A verdade é que o Islão deu um estatuto de grande elevação às mulheres e garantiu os seus direitos numa altura em que, em todo o mundo, elas não tinham quaisquer direitos. Com efeito, foi esta tendência de aviltamento das mulheres que se refletiu nestes Ahadith. 

“AS MULHERES NO GOVERNO DÃO AZAR ÀQUE-LES QUE SÃO POR ELAS GOVERNADOS” 

Encontramos outro hadith de Bukhari que é citada com frequência contra o facto de as mulheres se tornarem governantes de países. Com efeito, Bukhari relata três tradições associadas a este episódio, duas das quais se encontram no capítulo sobre "A Carta do Profeta a Chosroe e César". O hadith de Abu Bakra tem o nº 4425. O hadith anterior, o nº. 4424, é relatado por Ibn Abbas, que afirmou o seguinte: "O Profeta de Allah enviou Abdullah Ibn Huzaifa com a sua carta para Chosroe. Quando Chosroe a leu, rasgou-a. Creio que Bin Musay-yab disse: Depois o Profeta rezou a Allah para que os destruísse completamente. O terceiro hadith tem o nº 6639 e é relatado no Bukhari no capítulo que versa sobre "como era o juramento do Profeta", narrando o seguinte: "Quando César morrer, nenhum César lhe sucederá. Quando Chosroe morrer, nenhum Chosroe lhe sucederá." 

Bukhari (4425) fala do seguinte hadith de Abu Bakra: "Allah concedeu-me bastantes benefícios durante a batalha do Camelo, proferindo apenas uma palavra (ou expressão). Quando o Profeta (p.e.c.e.) ficou a saber que os persas tinham escolhido a filha de Chosroe como sua governante, disse: Uma nação que coloca os seus assuntos nas mãos de uma mulher nunca poderá prosperar!" 

Agora é do conhecimento de todos que Abu Bakra relatou este hadith após a batalha do Camelo, na qual participou Hadrat Ayisha (r.a.), tendo como alvo Hazrat Ali (r.a). Este hadith surge apenas na narração de Abu Bakra, que desejava governar uma das províncias e queria agradar a Hazrat Ali. Abu Bakra tinha, como é óbvio, um objetivo quando narrou este hadith. 

A perspectiva que se apresenta é bastante contraditória em relação ao Alcorão, na medida em que este apoia a liderança da Rainha de Sheba (Bilquis), que rejeitou os conselhos dos seus conselheiros homens se estabeleceu a paz com o Profeta Salomão (Sulaiman). Consultar os versículos 32 a 35 do Capítulo 27 "32.Disse mais: Ó chefes, aconselhai-me neste problema, posto que nada decidirei sem a vossa aprovação. 33.Responderam: Somos poderosos e temíveis; não obstante, o assunto te incumbe; considera, pois, o que hás de ordenar-nos. 34.Disse ela: Quando os reis invadem a cidade, devastam-na e aviltam os seus nobres habitantes; assim farão conosco. 35.Porém, eu lhes enviarei presente, e esperarei, para ver com que voltarão os emissários". Quando Bilquis pediu a opinião a um dos seus conselheiros homens sobre se deveria declarar guerra ou paz a Sulaiman, eles aconselharam-na a lutar e a não se render. Mas ela ignorou-os e decidiu estabelecer a paz, defendendo: "Decerto que os reis, quando invadem uma cidade, a arruínam, tornando os seus cidadãos mais nobres nos mais humildes; e assim farão eles." 

Assim se verifica que o Alcorão defende a sabedoria de uma mulher em se abster de lutar e em estabelecer a paz com um governante mais poderoso, salvando o país da ruína. Mas o hadith citado atrás defende exatamente o contrário, afirmando que se uma mulher se tornar governante, tal irá revelar-se desastroso para o país. O hadith sugere então que o Profeta (p.e.c.e.) contradiz a revelação de Allah, o que é inconcebível. A única conclusão é que o narrador tinha as suas próprias razões para narrar o hadith, ou então não compreendia em absoluto aquilo que o Profeta disse. Deixa-se a conclusão a cargo dos leitores. 

Consideram-se ainda mais chocantes os Ahadith que versam sobre as mulheres e que são atribuídos ao Profeta (p.e.c.e.). 

Um desses Ahadith encontra-se no Sahih Bukhari e foi narrado por Sahl ibn Sa'de, da seguinte forma: "Um mau agoiro foi revelado ao Profeta (p.e.c.e.). O Profeta disse: 'Se existe um mau agoiro em qualquer lugar, o mesmo está na casa, na mulher e no cavalo. '" 

Este hadith equipara a mulher a uma casa e a um cavalo. Não pode haver qualquer comparação entre os três. Tanto a casa como o cavalo são, aliás, extremamente úteis para os seres humanos, facilitando-lhes o seu dia-a-dia e as suas deslocações. Uma casa é uma necessidade básica do ser humano e o cavalo era necessário àqueles que viajavam, sendo, por isso, altamente valorizados. Os cavalos eram também usados nas guerras, graças ao fato de os seus movimentos serem bastante velozes. Estas teorias foram o produto de um tipo de mente muito fraca e, infelizmente, foram atribuídas a uma mente que Allah havia agraciado com os mais elevados dos pensamentos. Ele escolhera-o como Seu Profeta e Mensageiro. É impensável que ele dissesse este tipo de coisas. 

Existe um hadith interessante, que se encontra no Bukhari e que foi narrado por Ayisha (r.a.). Este hadith relata o seguinte: as coisas que invalidam as orações foram-me referidas (a Ayisha). Afirmaram: "a oração é invalidada por um cão, um burro e uma mulher (no caso de passarem à frente de alguém que esteja a fazer as suas orações) ". 

Ayisha (r.a.) declarou: "Transformaram-nos (ou seja, às mulheres) em cães. Eu vi o Profeta (p.e.c.e) rezar enquanto estava deitada na cama, entre ele e a Qiblah. Quando precisava de alguma coisa, saía de mansinho, pois não gostava de passar pela frente dele." 

Podemos aqui ver a forma como alguns narradores equipararam mulheres a cães e burros, e como Ayisha os desafiou. Isto mostra como os homens tinham pouca consideração pelas mulheres, tendo atribuído os seus pensamentos desprezíveis ao Profeta (p.e.c.e.). Pode nem sempre haver mulheres como Ayisha (r.a.), que desafiem estes pensamentos medíocres, sendo assim os Ahadith passíveis de aceitação sem uma abordagem crítica. 

Da mesma forma, encontramos no Sahih Bukhari um hadith narrado por Osamah, que volta a ser totalmente contraditório em relação ao que diz o Alcorão. O hadith relata: "E aconselho-vos a tomarem conta das mulheres, pois elas foram criadas de uma costela, e a parte mais inclinada da costela é a parte de cima. Se a tentarem endireitar, ela vai partir, e se a deixarem incólume, permanecerá torta. Por isso, insisto em que tomem conta das mulheres." 

Este hadith é muito depreciativo em relação às mulheres, tal como outros ahadith do mesmo tipo. Contra-diz totalmente o Alcorão, onde não se menciona em parte alguma a criação de Eva a partir de uma costela de Adão. Este hadith foi igualmente criado para provar a inferioridade das mulheres. Em todos os versículos do Alcorão onde se fala sobre mulheres, não existe um único versículo que denigra as mulheres desta forma ou que prove a sua inferioridade seja em que aspecto for. 

Estes eram preconceitos sociais dominantes, por parte dos homens, em relação às mulheres, que os levaram a criar este tipo de ahadith para as poderem subjugar e para que as mulheres não pudessem usar o Alcorão para reclamar a sua igualdade em relação aos homens. O Alcorão foi revelado ao Profeta (p.e.c.e.) para que ele pudesse conferir igual dignidade e estatuto às mulheres, mas a sociedade não estava, de qualquer forma, preparada para tal, tendo tentado rebaixar as mulheres através da criação destes ahadith. Uma vez que não as podiam controlar através do Alcorão, recorreram a outra arma para denegrir o estatuto das mulheres. 

É triste que alguns dos nossos Ulema ainda não estejam preparados para avaliar criticamente estes ahadith machistas. Pelo contrário, continuam a citá-los, de modo a manter o estatuto inferior das mulheres na sociedade, subjugando-as aos homens. É precisamente por esta razão que os não-muçulmanos têm uma opinião muito negativa em relação ao Islão e ao fato de o Islão ter "suprimido" a dignidade e estatuto das mulheres. 

Chegou a hora de as mulheres muçulmanas avaliarem criticamente estes Ahadith e refutarem os fatwas que os Ulema publicaram com base em Ahadith deste tipo. Precisamos que surjam grandes escolásticas entre as mulheres, que possam ter uma postura independente. 

■Fonte: Institute of Islamic Studies, dirigido por Teólogo Islâmico Prof. Asghar Ali Engineer Tradução e adaptação em português por M. Yiossuf Adamgy - Director da Revista Islâmica Portuguesa Al Furqán.

quinta-feira, março 14, 2013

Seria mesmo o Islam uma religião de homens intolerantes?



A foto trata de um pai na Arabia Saudita que perdoou o assassino de seu filho e o livrou da pena de morte, em contrapartida, o assassino deverá memorizar o Alcorão Sagrado.

"... (aqueles) que reprimem sua raiva e perdoam (todos) os homens - porque Allah ama aqueles que praticam o bem." (Alcorão 3:134)

O verdadeiro muçulmano, cuja alma está plena de sua religião, não abriga rancores; se ele reprimir sua raiva, logo se segue o perdão e ele estará entre aqueles que praticam o bem.

A raiva é um sentimento difícil de reprimir porque é uma carga muito pesada no coração. Mas, quando perdoamos o outro este peso é retirado, libertando-nos, aliviando-nos e trazendo paz de espírito. Estes são os sentimentos de ihsaan (perfeição) que o muçulmano sente quando perdoa seu irmão.

O verdadeiro muçulmano é indulgente com seu irmão por causa de Allah. Ele espera alcançar a honra a que o Profeta (saw) se referiu no hadice:

"Allah só aumentará Seu servo em dignidade e honra. Ninguém se humilha senão por causa de Allah e Ele elevará sua posição." (Muslim)

É uma grande honra de Allah, que combinada com as características do muçulmano tolerante e indulgente, faz com que ele se torne um daqueles que pratica o bem e que Allah estima e um daqueles que são dignos e que as pessoas estimam.

O ressentimento não tem lugar no coração do muçulmano sensível que compreende verdadeiramente sua religião. Ele percebe o valor do perdão e a pureza do coração e a importância que têm quando ele busca o perdão de Allah, conforme o Profeta (saw) explicou:

"Três são os pecados que aquele que morrer livre deles será perdoado por qualquer coisa, se for da vontade de Allah: associar parceiros a Allah, praticar a magia ou feitiçaria e ter ressentimento por seu irmão." (Relatado por al-Bukhari em Adab al-Mufrad).

Assalamu Aleikom wa Ramatulahi wa Baraketuhu!

A ESCURIDÃO NA SEPULTURA:

Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus) Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus, o Beneficente e Misericordioso) - JUMA MUBARAK.

Quando vamos acompanhar o funeral do nosso ente querido para o deixar na sua morada provisória, diversos pensamentos assaltam as nossas mentes. 

Ficamos perturbados com a situação, pensado na pequenez, na escuridão e na solidão da sepultura. Um arrepio invade-nos e desperta-nos para a realidade de que um dia também lá iremos parar. “Inna Lilahi Wa inna ileihi Rájiuna – Viemos de Deus e para Ele será o nosso regresso”. Cur’ane 2:156.

Issa (Aleihi Salam), Jesus (que a Paz de Deus esteja com ele) e os seus discípulos, passavam por uma sepultura, quando um morto foi descido à terra. Os discípulos ficaram impressionados e lamentaram a solidão e a escuridão do lugar apertado em que irá ficar o falecido. Issa (Aleihi Salam) recordou-lhes de que já estiveram num lugar como aquele, no ventre das mães, que apesar do lugar ser ainda mais pequeno e escuro, se Deus quiser aumentar a Sua Misericórdia o fará. ”- Ahmad ibn Hambal- Kitab al-zuhd. “…e criou-vos no ventre das vossas mães, criação após criação em três véus de escuridão…” Cur’ane 39:6. 

São aqui referidas: 1) a escuridão do ventre das mães, 2) a escuridão do útero e 3) a escuridão da placenta com os seus líquidos que envolvem o feto.

Toda a alma provará o sabor da morte e vos provaremos com o mal e com o bem e a Nós retornareis”. Cur’ane 21:35. Depois de terminado o enterro e quando se começar a ouvir os passos dos amigos e familiares a retirarem-se do local, começará o interrogatório que determinará a situação em que o morto depois de acordado, ficará a aguardar na sua sepultura, o dia da Ressurreição. Este lugar provisório poderá ser um local alargado, de conforto e iluminado, como poderá ser um local comprimido, escuro e de castigos. 

Tudo dependerá do tipo das ações (amal) praticadas durante a sua vida. As boas ações serão o “candeeiro” que iluminará o local, ao contrário das suas más ações que servirão de “combustível” para o fogo que o irá castigar.

A recitação regular e com convicção de LA ILAHA – ILLA LLAHNão há outra divindade, senão Deus, será uma vela, uma lâmpada, uma iluminação que nos fará companhia e não nos abandonará até ao dia da Prestação de Contas e até à nossa entrada no paraíso. Utban Bin Malik Al-Ansari, que era um dos homens da tribo de Bani Salim, referiu: “O apóstolo de Deus veio ter comigo e disse: “Se alguém se apresentar no dia da Ressurreição e que tenha dito LA ILAHA – ILLA LLAH, com sinceridade e com a intenção de obter a satisfação de Deus, Deus fará que o fogo do inferno lhe seja proibido”. Bukari 76:431.

Abu Darda (Radiyalahu an-hu), referiu que Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “A pessoa que recitar LA ILAHA – ILLA LLAH cem vezes diariamente, no Dia do Julgamento Final, será ressuscitada com a sua face brilhando como a lua cheia e ninguém a ultrapassará nesta categoria excepto aquele que recitar o Kalimah mais vezes do que ele”. Ibn Majá.

A recordação constante de Deus, dos Seus atributos, nomeadamente, Yá Allah, Yá Rahman, Yá Rahim, Yá Haiú, Yá Kaiiúm (Ó Meu Deus, Ó Beneficente, Ó Misericordioso, Ó Vivente, Ó Subsistente), é uma luz que iluminará a nossa sepultura. Jabir Ibn Abdullah (Radiyalahu an-hu) relatou: As pessoas viram uma luz no cemitério e eles foram ver do que se tratava. Encontraram o Apóstolo de Deus (Salalahu Aleihi Wassalam) ao pé de um túmulo e estava dizendo: “Dê-me a sua companhia!”. Era um homem que costumava mencionar o nome de Allah, em voz alta”. Sunan Abu Dawud 20:3158.

Quando estivermos ao pé do falecido que está a ser preparado para o funeral, ou quando visitamos os cemitérios para orarmos pelos nossos falecidos, devemos suplicar a Deus o bom, porque os anjos vão dizer “amin” aos nossos pedidos. Devemos pedir: “Ó Senhor nosso, perdoa fulano de tal, eleve o grau dele entre aqueles que estão bem encaminhados, faça da sua sepultura, um lugar espaçoso e iluminado”. Muslim 4:2003. Por que na verdade, a sepultura é um lugar cheio de trevas para os seus moradores.

“Rabaná ghfirli waliwa lidaiá wa lilmu-minina yau ma yakumul hisab”. “Ó Senhor nosso, no Dia da Prestação de Contas, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos crentes”. Cur’ane 14:41. "Wa ma alaina il lal balá gul mubin" "E não nos cabe mais do que transmitir claramente a mensagem". Surat Yácin 3:17. “Wa Áhiro da wuahum anil hamdulillahi Rabil ãlamine”. E a conclusão das suas preces será: Louvado seja Deus, Senhor do Universo!”. 10.10.

Com os meus cumprimentos e votos de um bom dia de Juma. Abdul Rehman Mangá - 14/03/2013.